SE: Em ato unificado, sindicatos aprovam Greve Geral contra a Reforma da Previdência

Publicado em Quarta, 07 Fevereiro 2018 09:22

2018 02 07 giro sintese

Carregando cruzes nas mãos e com vestimentas de luto, professoras do Sintese aposentadas e servidores públicos organizados em 14 sindicatos percorreram as avenidas ao entorno da Praça da Bandeira, expressando sua revolta contra as maldades do Governo Jackson pelo arrocho salarial aos servidores, o atraso e parcelamento do salário dos aposentados.

Catorze sindicatos, a Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), CTB e Nova Central construíram um protesto na última segunda-feira (5/2), na porta do Sergipeprevidência. Além do protesto contra o governo estadual, o ato também expressou a revolta dos trabalhadores contra a Reforma da Previdência do governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB).

Em assembleia geral unificada, os servidores públicos aprovaram por unanimidade a participação na greve geral do dia 19/2, data provável da votação da Reforma da Previdência no Congresso Nacional. Aprovaram a participação na greve os servidores organizados no SINTESE (professores), SINDASSE (Assistentes Sociais), SINDINUTRISE (Nutricionistas), SINPSI (Psicólogos), SINDIJOR (Jornalistas), SINDIJUS (Judiciário), GRUPO ATITUDE (Trabalhadores da Saúde), SINDIFISCO (Auditores), SINTRASE (Servidores), SINTER, SINTASA (Saúde), SINPOL (Policiais), SENGE (Engenheiros) e o Sindicato dos Enfermeiros. Os mandatos da deputada estadual Ana Lúcia (PT) e do vereador Iran Barbosa (PT) também participaram do ato público que se estendeu por toda manhã.

Roberto Silva, secretário de Formação da CUT/SE e vice presidente do SINTESE, disse que é revoltante o cenário que vive a aposentada e o aposentado de Sergipe: no mês de fevereiro sem saber quando vai receber o salário de janeiro. “A partir deste ato unificado, precisamos iniciar uma campanha contra Jackson Barreto e seus aliados. Não podemos permitir que ele massacre o servidor por quatro anos e depois tenha a cara de pau de vir nas nossas portas pedir voto para ele e seus candidatos. Precisamos dar a resposta. Os servidores precisam assumir o compromisso político de não eleger nenhum aliado de Jackson nem o próprio Jackson, porque não é possível aceitar o que estamos sofrendo: cinco e seis anos sem nenhum centavo a mais no salário, parcelamento e atraso no pagamento de salário”, protestou.

Roberto Silva avaliou que não é por falta de recurso que Jackson virou as costas para o servidor. “O problema não é dinheiro, a arrecadação está aumentando mês a mês. O governo manipula os relatórios para dizer que está em crise. Por isso cobramos transparência do Governo do Estado. Precisamos saber efetivamente onde o governo está gastando o dinheiro se a arrecadação aumenta, e os salários estão congelados, sem perspectivas de aumento real, e o governo ainda continua parcelando e atrasando o pagamento, massacrando os servidores. Como se não bastasse, ele tenta enganar a população dizendo que não tem dinheiro”.

Mychelyne Guerreiro (SINDINUTRISE/CUT) afirmou que o mais importante não está sendo priorizado pelo governo. “É lamentável o que o governo Jackson vem fazendo com a população de Sergipe, e a gente precisa lembrar isso no momento das eleições. Saúde pública sem estrutura, HUSE sem leitos, o caos na saúde de fato está instaurado e piora cada vez mais com este governo. Os servidores aposentados não têm direito sequer de receber o salário em dia. Parcelar o salario de servidor é algo muito sério. Este governo que não prioriza a folha de pagamento. Está mais preocupado em fazer reforma. Não podemos aceitar que falte merenda nem alimentação de qualidade nas escolas para nossas crianças. E o governo Jackson disponibiliza para os 75 municípios de Sergipe apenas dois nutricionistas. Este é outro grande erro que precisa ser corrigido”.

Dirigente do SINPSI, Inês Santana defendeu que todos os servidores públicos têm o dever de esclarecer a população para que não caiam no engodo de Jackson. “Qualquer reivindicação nossa não é atendida, sabemos disso. Nós sabemos o quanto os aposentados estão sofrendo, ganhando uma miséria e sem sequer saber quando vão receber. Nós, mais que qualquer cidadão, estamos vendo o quanto o governo gasta e joga no lixo o nosso dinheiro. É dinheiro público e precisamos mostrar à população, aos amigos, vizinhos e parentes o que está acontecendo para que o governo Jackson Barreto e seus aliados não voltem nunca mais a se eleger. Por que estão fazendo um ‘maj mahal’ e investindo na mídia? Sabemos que é extremamente caro publicar na mídia, mas o governo não abre mão e o que é isso? É dinheiro. E como ele diz que não tem dinheiro?”, provocou.

PREVIDÊNCIA NA MIRA DO GOLPE

Vice-presidente da CUT/SE, Plínio Pugliesi afirmou que nada do que está acontecendo no estado de Sergipe pode ser visto de forma desvencilhada do cenário nacional. “Jackson reproduz em Sergipe a política que está sendo tocada sem legitimidade por Michel Temer (PMDB), inclusive são do mesmo partido. Integramos a Frente Brasil Popular e desde sua criação, em 2015, sabíamos que o governo chegou a ir de encontro aos interesses dos trabalhadores, do movimento sindical, mas havia espaço para negociar e a frequência era bem menor. Hoje a gente tem notícia ruim para o trabalhador todo dia e, a depender do dia, tem noticia ruim toda hora. Por quê? Porque não estamos num estado democrático de direito, estamos num estado de exceção, e quando um ditador está no poder ele faz o que quer. Michel Temer e Jackson Barreto não agem sozinhos, eles agem com o aval do Poder Judiciário. Se o Judiciário quisesse botar fim nessa esculhambação que virou o Brasil, ele tinha acabado com isso a muito tempo. Mas ao invés disso o Judiciário chancelou a derrubada de uma presidente sem nenhum crime comprovado até hoje. E deixou no Poder uma quadrilha de notáveis corruptos, tanto ladrão e réu confesso junto como nunca se viu na história do Brasil”.

Pugliesi destacou que o desmonte do estado é o objetivo das ações do governo de Sergipe e do presidente ilegítimo. “Nada do que Jackson faz é por acaso. Tudo é fruto de uma filosofia política muito clara, a filosofia do neoliberalismo, segundo a qual tudo o que é público deve ser destruído para alimentar o capital, por isso a Reforma da Previdência está na agenda dos golpistas. Nós derrotamos essa reforma no ano passado e este ano teremos que derrotar de novo. O ano de 2018 vai ser de luta contínua contra os golpistas de lá de Brasília e contra os golpistas daqui de Sergipe”.

Representando a diretoria da Cut nacional, a professora aposentada Ângela Melo afirmou que o movimento sindical precisa construir uma greve forte em todo território nacional. “O dia 19 de fevereiro será o dia em que não só o servidor público, mas trabalhadores de toda nação, estaremos juntos na luta pelo direito à aposentadoria. Se a contra reforma da previdência for aprovada, nós iremos perder, mas as futuras gerações não vão sequer alcançar o direito à aposentadoria. Daí a importância da luta unificada. Estamos vivendo no Brasil um momento de desconstrução de direitos conquistados a décadas, por isso essa é uma greve mais que necessária. Homens e mulheres precisaremos ocupar as ruas e a vitória será da classe trabalhadora”.

(Sintese, 06/02/2018)

 
 
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