BA: Manifesto dos educadores baianos em defesa da democracia

Publicado em Sexta, 19 Outubro 2018 10:54

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Nós, educadores baianos, vimos a público manifestar nossa grande preocupação com os destinos do nosso país e da nossa gente. Como educadores que somos, cujo papel fundamental é mediar conhecimento, na busca da construção de novos saberes, temos que ter posição firme e coerente!

O Brasil já amarga grandes problemas econômicos, políticos, institucionais e sociais. O povo brasileiro vem sofrendo derrotas sucessivas! Essa situação foi instalada quando o poder central foi tomado de assalto por golpistas, que vêm rasgando a Constituição Brasileira, resultando na retirada de direitos dos trabalhadores, no aumento do desemprego, no aprofundamento das desigualdades, na dilapidação das lucrativas estatais e das nossas riquezas naturais, sendo a mais grave, a venda a “preço de banana” do Pré-Sal – considerado a maior reserva de petróleo do mundo – para petroleiras internacionais, promovendo incalculáveis prejuízos para a economia brasileira e cujos royalties seriam investidos na educação e saúde.

Após o golpe congelaram por vinte anos os gastos públicos, por meio da EC95/2016, trazendo consequências desastrosas para a educação, num flagrante desrespeito à Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB – e o Plano Nacional de Educação – PNE. Outros ataques à educação foram: as reformas do Ensino Médio e da Base Nacional Comum Curricular – BNCC, que trazem características excludentes, pois não atendem aos interesses e às necessidades da sociedade.

O Brasil tem hoje um governo submisso às grandes potências estrangeiras e vem concentrando mais riqueza para uma ínfima minoria (1% da população) e mais pobreza e fome para a maioria. Não merecemos isso!

Entretanto, o povo brasileiro terá a oportunidade de mudar essa realidade voltando às urnas para escolher o novo presidente!

A disputa está entre dois candidatos com características completamente antagônicas!

De um lado, Fernando Haddad, advogado e professor de ciência politica da USP e sua vice, Manuela D’Ávila, jornalista, propõem uma “verdadeira refundação democrática do Brasil para recuperar a soberania nacional e popular, atingidas duramente a partir do golpe de 2016”.

Do outro lado, Jair Bolsonaro – um capitão de reserva e o seu vice, Hamilton Mourão, general da reserva, defendem, juntos, um programa antinacional, antipopular, com claras referências fascistas, ao defender as torturas praticadas durante a ditadura militar. Seu programa de governo traz um pacote de maldades até mesmo mais agressivas que as de Temer. Candidatos que pretendem “expurgar” as ideias do educador, pedagogo e filósofo Paulo Freire – reconhecido internacionalmente e declarado, por lei, como Patrono da Educação Brasileira – referindo-se aos seus ensinamentos como uma “ideologia de má influência”;

ENTENDENDO QUE:

- temos responsabilidade com o futuro da nossa nação, com a vida do nosso povo, especialmente com as crianças e jovens de hoje e das gerações futuras;

- a vida deve ser preservada e que repudiamos qualquer incitação à violência, seja cultural, intelectual, física ou moral;

- é nossa missão defendermos enfaticamente a liberdade de pensar e agir, desde que não esqueçamos que sempre há o outro (de quem somos o outro);

- para que cumpramos a missão a nós delegada, pela sociedade, quando escolhemos a função de professores, uma missão para a qual é fundamental estarmos convictos de que somos mediadores entre o sujeito e o conhecimento;

- não podemos nos esquecer das lições de Paulo Freire. Ele nos deixou claro que o nosso papel não pode se reduzir a depositar informações nos alunos, mas propor situações para que seja estimulado o desenvolvimento da criticidade, para que também eles sejam autores, protagonistas de ações por um mundo mais justo e mais humano. Um mundo onde a diversidade seja respeitada, onde a igualdade de oportunidades elimine privilégios de uma casta sobre os demais.

Assim é que, considerando que o papel de professor pressupõe uma relação dialógica, onde, num encontro democrático e afetivo todos podem se expressar, reafirmamos, aqui, a nossa responsabilidade, diante dos nossos educandos, de defendermos veementemente os princípios que norteiam a concepção de aprendizagem postulada pelos grandes mestres em educação.

POR QUE SABEMOS QUE:

- para propiciar no espaço escolar um encontro entre o imaginário e o real, entre a teoria e a prática, entre a ciência e a ignorância, entre emoção e razão, e deste modo mostrar aos nossos alunos como é empolgante e maravilhoso se apropriar do conhecimento;

- para que nossos alunos possam aprender a pensar e questionar, e, deste modo, possamos contribuir na formação da cidadania das nossas crianças e jovens;

- nossas ações em sala de aula devem ser norteadas pelo exercício da liberdade e da democracia, o que só poderemos conseguir através de uma proposta educacional coerente e avançada.

Portanto, diante da polaridade em que nos encontramos neste momento crucial de eleição presidencial, não podemos nos omitir. Precisamos estar cientes e declararmos que TEMOS LADO, SIM!

O lado de um projeto de governo que restabeleça o estado democrático de direito, fazendo nosso país voltar a ser respeitado internacionalmente.

O lado da democracia em que O VOTO, em oposição à restrição de direitos, representa o desejo e a necessidade da maioria.

Salvador, 14 de outubro de 2018.

(APLB-Sindicato, 18/10/2018)

 
 
  22/10/2018
Boletim CNTE 823
Brasil tem a chance de mostrar ao mundo como defender a democracia
INFORMATIVO CNTE 823  
 
 
Videoconferência Reforma Tributária Solidária (06/08/2018)
 
 

Programa 604: Em audiência pública, CNTE reitera posicionamento contrário à BNCC

 
 

Nota Pública: Lei da Mordaça (“Escola Sem Partido”) é inconstitucional, antidemocrática e antipedagógica

 
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