Privatização é a grande ameaça à educação na América Latina

Publicado em Sábado, 30 Setembro 2017 16:33

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O trabalho das organizações sindicais da educação na América Latina está sendo ameaçado na região pelos grandes grupos empresariais multinacionais, que estão atuando em parceria com os governos de direita, implantados em diversos países da região. É a conclusão dos dirigentes sindicais da Argentina e Uruguai, que abriram o debate na manhã deste sábado, 30, no Encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano Paulo Freire, que acontece no auditório do Sintero (Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Rondônia).

“A Organização dos Estados Nacionais e os Desafios da Política de Valorização dos(as) Trabalhadores(as) da Educação: Experiência Argentina e Uruguaia” foi o tema do primeiro painel do dia, coordenado pela secretária geral do Sintero, Francisca Diniz de Melo Martins, e a secretária de Finanças, Rosana Gomes Nepomuceno Reis, e teve como palestrantes Marcela Fabiana Guerrero, representante da Secretaria de Relações Internacionais da CTERA (Confederação dos Trabalhadores em Educação da Argentina); Elbia Pereira, secretária geral da Federação Uruguaia do Magistério – Trabalhadores da Educação Primária (FUM-TEP), e José Oliveira, secretário geral da Fenapes (Federação Nacional de Professores do Ensino Secundário do Uruguai).

Marcela Fabiana Guerrero fez breve relato sobre a história dos 44 anos da CTERA e a luta em defesa de uma educação pública gratuita e um direito do Estado, contrariando os interesses de grandes grupos multinacionais que atuam em seu país. Ela destacou que a organização passou cerca de 30 anos brigando com os governos de direita e a ditadura militar na Argentina contra as reformas neoliberais.

O movimento sindical conseguiu avançar em suas reivindicações em 12 anos de governos progressistas e populares, representado por Nestor e Cristina Kirchner. No entanto, a partir de 2015, com a eleição de Maurício Macri, representante do empresariado argentino, “todos os direitos conquistados estão sendo ameaçados por medidas governamentais que defendem a privatização do ensino”, explicou Marcela Guerrero.

Elbia Pereira também relatou a conjuntura educacional do país e os desafios que a FUM-TEP tem enfrentado no Uruguai, mesmo sob o comando de um governo progressista. “Estamos resistindo a um forte ataque da direita, onde o pensamento é conservador e ameaça nossas conquistas”, declarou.

Para Elbia, grandes grupos multinacionais pressionam o governo visando implantar processos de privatização na educação. Citou o exemplo dos meios de comunicação que influenciam a população. “Por isso, temos que fazer com que os companheiros entendam que cada notícia carrega interesses do capital e é importante sabermos de onde vem e qual a linha. Nosso objetivo, enquanto movimento, é combater esse processo por meio dos companheiros no sindicato e nas escolas”, ressaltou.

José Oliveira lembrou aos participantes que o movimento foi criado em 2011 para fortalecer as intervenções sindicais na América Latina, com a ampliação dos governos progressistas e populares. Porém, alertou sobre os objetivos do movimento diante de um novo cenário na região, com a retomada do poder por governos de direita e conservadores. “Por isso, a importância de estarmos socializando nossas experiências neste evento, para que possamos construir as estratégias de enfrentamento às medidas neoliberais. O Movimento Pedagógico está em constante avanço para evitarmos a privatização do ensino”, concluiu.

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