Somente a união do movimento sindical é capaz frear o neoliberalismo na educação

Publicado em Segunda, 02 Outubro 2017 09:23

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Especialistas e sindicalistas da Educação, reunidos no Encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano, neste final de semana em Porto Velho, afirmaram que somente a unidade do movimento sindical é capaz de frear o neoliberalismo que avança no setor educativo da América Latina, graças aos governos de direita e conservadores que estão se instalando na região.

Esse alerta foi reforçado pelo coordenador geral do Escritório Regional da IEAL (Internacional da Educação para América Latina), Combertty Rodriguez, na tarde deste sábado durante o painel que debateu “A Experiência Educacional dos Povos Latino-Americanos e o Desafio da Construção de uma Educação Libertadora”. Ao seu lado, estavam o professor e pesquisador da UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México), Juan Arancibia, e o coordenador geral da OTEP-A (Organização de Trabalhadores da Educação do Paraguai - Autêntica), Juan Gabriel Espínola, sob a coordenação das dirigentes do Sintero, Rosenilda Ferreira de Souza, secretária de Gênero e Etnia, e Dioneida Castoldi, secretária de Assuntos Municipais.

Combertty reforçou que a maior ameaça à educação pública nos países da América Latina é a terceirização dos serviços, que está avançando cada vez mais. “Organismos internacionais estão forçando os governos a privatizarem os sistemas educacionais para garantir maior lucro comercial às empresas transnacionais que atuam na área e isso está ocorrendo também no Brasil”, afirmou.

Segundo ele, o Banco Mundial e o BID (Banco Interamericano para o Desenvolvimento) estão incentivando projetos de financiamento para a educação pública diretamente aos municípios com a exigência de que as empresas executoras de tais projetos sejam privadas. “Empresários não investem mais seu dinheiro como antes. Agora são investidos recursos públicos. Se perderem, perde a população que paga impostos. Mas se houver ganhos, lucram somente as empresas. Temos que fazer o enfrentamento a essas tentativas de privatização e comercialização da educação pública”, ressaltou o representante da IEAL.

O representante da IEAL, observou ainda que neste processo de correlação de forças e disputa política e de ideologia, a elite financeira é motivada pelos interesses financeiros. Segundo ele, os ministérios da Educação dos países neoliberais não cumprem mais a função de propor políticas educacionais como antes, mas de canalizar os projetos das organizações internacionais e instituições financeiras visando apenas privatização do ensino e o lucro.
O líder sindical do Paraguai, Juan Gabriel, disse que o atual governo do Paraguai é defensor das políticas neoliberais, que visam o lucro sobre os serviços da educação, incentivando a terceirização do ensino no país. “Não é possível enfrentar essas medidas com uma organização fraca. Por isso, é importante haver o fortalecimento dos sindicatos da educação para não sermos comandados pela classe dominante. Assim, temos que nos unir por meio do movimento latino-americano para fazer o enfrentamento”, destacou.

Já o professor chileno Juan Arancibia, que trabalha na Universidade do México há 35 anos, expôs a realidade educacional nos dois países. Em relação ao Chile, fez um comparativo do sistema educacional implantado no regime militar do governo de Pinochet, em que a educação privada era incentivada pelo Estado, que conseguiu convencer a população de que esse modelo era melhor em relação a educação pública, mas que visava apenas o lucro das grandes empresas da área e a precarização dos profissionais.

Com a chegada do governo progressista de Michele Bachelet houve uma reforma educacional, em 2014, com apoio de toda a sociedade, envolvendo os trabalhadores em educação e estudantes, em que a educação passou a ser um direito garantido pelo estado. “A educação volta a ser pública e gratuita regulada pelo Estado, porém são mantidas as escolas privadas e os alunos passam a receber auxílio do governo”, explicou Arancibia, observando que ainda assim não se eliminou o risco do lucro dos empresários nas escolas.

Enquanto no México, ele relatou que o governo neoliberal prioriza a privatização da educação pública e persegue as organizações sindicais que são contra ao modelo educacional implantado. Arancibia revelou que o modelo mexicano segue a cartilha dos organismos internacionais regidos pela meritocracia, como o uso das provas internacionais do PISA, para avaliar a qualidade da educação no país, o que é questionável pelas organizações sindicais.

Para Combertty, a única forma de combater o avanço do neoliberalismo é repensar a atuação do movimento sindical, por meio de novas estratégias de fazer o enfrentamento aos governos e as organizações que pressionam pela privatização. “Os sindicatos precisam organizar a base e elaborar propostas pedagógicas buscando o envolvimento de toda a comunidade escolar e a sociedade”, explicou.

O coordenador geral da IEAL lembrou que no início da década passada, a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) proposta pelo governo dos EUA foi derrotada pelo movimento sindical e social e as forças políticas progressistas da América Latina. “Somos capazes de frear essas medidas neoliberais, que retiram direitos dos povos, mas temos que ser os interlocutores desse processo para fazer as alianças com a sociedade. É essencial, nesse momento, fazer a formação política e sindical para vencermos essa batalha.”

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