Geração de emprego é o maior mito da reforma trabalhista, diz vice-presidente da CUT - CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação
     
     
 

Geração de emprego é o maior mito da reforma trabalhista, diz vice-presidente da CUT

Publicado em Sexta, 10 Novembro 2017 17:46

1cbffa1b84108a577182b77fd236a412

Foto: Gonzalo Arselli/Brasil De Fato

As mudanças na legislação feitas pela reforma trabalhista entram em vigor neste sábado (11). O Brasil de Fato conversou com a vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Carmen Foro, para esclarecer alguns pontos da medida. Para a dirigente, a argumentação do governo de que a reforma vai gerar novos empregos é uma falácia.

Outro mito, segundo ela, é a suposta relação de igualdade entre patrão e empregado para negociação, sem intermediação de sindicatos: "Entendemos que também há um sentido político com essas reforma de desmonte, de neutralizar o papel do sindicato. Para nós, isso é muito grave em uma perspectiva de uma sociedade democrática".

As novas regras, sancionada pelo governo golpista de Michel Temer (PMDB) em julho, alteram mais de cem pontos da CLT, lei que regulamenta as relações trabalhistas no Brasil.

Confira a entrevista na íntegra:

Brasil de Fato: Carmen, a reforma entra em vigor neste sábado. Você poderia dar exemplos que efeitos que o trabalhador já vai sentir de imediato a partir do momento em que ela passe a valer?

Carmen Foro: Para nós, primeiro, não é uma reforma. A ideia de reforma que nós temos não é essa. É um desmonte geral dos direitos dos trabalhadores. Segunda questão: nós entendemos que também há um sentido político com essas reforma de desmonte, de neutralizar o papel do sindicato. Para nós, isso é muito grave em uma perspectiva de uma sociedade democrática.

Então, falando dos contratos, falando da livre negociação, do negociado sobre o legislado, o sindicato tem um papel muito importante. Sempre que um trabalhador é demitido, em um exemplo concreto, o sindicato fazia uma intervenção e assinava e validava a rescisão. Hoje, o trabalhador que fizer uma rescisão do contrato em uma empresa não necessita mais que o sindicato faça essa rescisão e assine essa homologação.

Ele não sabe que também estará perdendo no ato em que assina um acordo com a empresa, estará perdendo um conjunto de direitos, inclusive o direito ao seguro-desemprego ao fazer o acordo com o patrão, diretamente, sem nenhuma intervenção do sindicato. Isso é permitido a partir da lei aprovada no Congresso Nacional.

E, na sua visão, qual o maior mito na argumentação do governo em torno defesa da reforma trabalhista?

Para mim, o mito é vender essa ideia de que a reforma gera emprego. Isso não é verdadeiro porque a ideia de que o custo é muito alto para garantir a empregabilidade e, portanto, se flexibilizar, os patrões e os empresários poderão contratar mais, não é verdadeiro. Há uma cultura também nacional aqui já colocada de pouco investimento na produção e que não se transforma em verdadeiro quando você diz que flexibilizar direitos aumenta a possibilidade de emprego, em um cenário nacional de desemprego, de encolhimento da economia e pouco investimento em várias áreas, que poderiam significar crescimento econômico e geração de novos empregos.

Em um cenário desses, é impossível pensar que uma reforma para ampliar empregos é verdadeira. Isso é um mito dos empresários nacionais e do governo também de que a reforma e a flexibilização trariam novos empregos.

Outro mito é falar de igualdade entre patrão em um cenário de selvageria do capitalismo. Não existe, não existiu e não existirá relação de igualdade entre patrão e empregado com a ausência do sindicato, que é um instrumento fundamental para mediar esse processo e a venda de que essa ideia é possível ninguém consegue acreditar nessa possibilidade.

Qual a estratégia das centrais para enfrentamento das consequências da reforma trabalhista no próximo período?

Nós estamos no período de negociação coletiva e salariais e nós não temos outro caminho, a não ser fazer um processo de mobilização local e enfrentamento aos patrões e desgastar essa lei. Sabe a ideia de quando uma lei não pega porque é muito ruim? Nossa tarefa na campanha em que estamos fazendo, de anulação da lei, é, além de desgastá-la, coletando 1,5 milhão de assinaturas, é dialogar diretamente com os trabalhadores.

A mídia vendeu uma ideia maravilhosa sobre a reforma que confunde as pessoas e nós temos como tarefa de fundamental importância ajudar a esclarecer os trabalhadores nas fábricas, nos locais de trabalho. É a tarefa sindical imprescindível no próximo período. Não tem como ficarmos de braços cruzados, precisamos nos levantar contra tudo isso, mobilizar, organizar, aprofundando toda essa discussão sobre o prejuízo que essa lei traz para o conjunto de trabalhadores e trabalhadoras.

Para além da reforma trabalhista, temos em pauta no Congresso Nacional a reforma da Previdência. Qual é a avaliação das centrais: É possível barrar ainda?

Antes de falar da reforma da Previdência, é importante falar também que, não bastando só a reforma trabalhista com retrocessos de mais de 100 itens da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho], o governo também edita a portaria que facilita o trabalho escravo — é o complemento do governo neste ambiente de retrocessos no mundo do trabalho.

Em relação à reforma previdenciária, eu acho que é muito importante nós contarmos como vitória todos os desgastes que nós fizemos e o debate que nós fizemos em relação à reforma da Previdência. É claro que agora o governo mudou de tática: fatiar a reforma que estava apresentando como PLs [projetos de lei], medidas provisórias e decretos para tentar desmobilizar em torno da reforma da Previdência. Mas, tendo claro isso, temos que fazer o enfrentamento. O governo começa a falar em minirreforma. Temos que derrotar essa minirreforma. Nós já estivemos mais longe, agora estamos mais perto de derrotar essa minirreforma do governo golpista.

(Brasil de Fato, 10/11/2017)

 
 
  07/08/2018
Boletim CNTE 818
Essa é a semana do 10 de agosto: Dia Nacional do Basta!
INFORMATIVO CNTE 818  
 
 
Videoconferência Reforma Tributária Solidária
 
 

Programa 603: CNTE debate Reforma Tributária Solidária

 
 

Nota Pública: Lei da Mordaça (“Escola Sem Partido”) é inconstitucional, antidemocrática e antipedagógica

 
  Acesse a agenda de mobilizações da CNTE
 
  Acesse nossa galeria de fotos
 
  Disponível na Google Play e App Store
 

 VEJA MAIS NOTÍCIAS
Depois de 24 dias de greve, iniciada após a Prefeitura de Vitória da Conquista encerrar o diálogo e as negociações da Campanha Salarial 2018, deixando claro sua ausência completa de habilidade para negociar, os...
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Piauí (SINTE-PI) foi informado na manhã desta quarta-feira (15) que o governador Wellington Dias recorreu do despacho da decisão Judicial do desembargador Dr. Joaquim...
O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT) realizará em três dias análises sobre os impactos que as políticas educacionais vem trazendo para a Educação Pública nas...
Ansiedade, estresse, dores de cabeça e insônia estão entre os principais problemas que afetam educadores, segundo estudo realizado pela NOVA ESCOLA. Experimente perguntar a um professor como anda a sua saúde –...
“Decisão judicial não se discute, se cumpre!” Com esse objetivo, o Sinteal realizou, na manhã desta quinta-feira (16), uma grande assembleia de greve da rede municipal de Maceió para discutir formas de organizar...
Com o objetivo de pressionar o Governo Municipal e acompanhar na Câmara Municipal de Goiânia na votação da Reforma do Instituto de Previdência do Servidor Municipal (IPSM), PLC 31/2018, que está agendada para...
Após assembleia na manhã dessa segunda-feira, 13 de agosto, a categoria, em votação, deliberou pela suspensão da greve dos profissionais da educação da rede municipal de ensino de Vitória da...
Foto: Luiz Damasceno/CPERS O Movimento Unificado dos Servidores e o Fórum de Servidores Públicos Estaduais preparam, em conjunto, um debate com os candidatos a governador do Rio Grande do Sul. A intenção é sabatinar...
Basta! Essa foi a palavra de ordem do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT) durante ato público, sexta-feira (10), na Praça Ipiranga, em Cuiabá. Integrada à mobilização...
Em assembleia unificada, realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (SINTEGO) e as entidades representativas dos servidores municipais, na terça-feira (7/8), foi definido, entre os trabalhadores de todas...
A Diretoria do Sintero esteve, na terça-feira (07/08), em audiência com o secretário Municipal de Educação de Porto Velho, César Licório, para tratar da pauta de reivindicações dos...
“Lutamos pela garantia do respeito e da valorização dos profissionais da Educação pública, não vamos nos calar diante da redução de direitos”, disse o presidente do Sintet, José...
Leia mais 
  Revista Mátria Programa de Formação Funcionários da educação Cadernos de Educação Pesquisas  
   
  Outras publicações 
 
   
   
  Mais eventos 
         
Outras campanhas 
         
         
         
         
 
 
             
INSTITUCIONAL LUTAS TABELA SALARIAL DOCUMENTOS LEGISLAÇÕES COMUNICAÇÃO FALE CONOSCO
             
- A CNTE - A Lei do Piso   - Caderno de Resoluções - Educacional - Notícias  
- Diretoria 2017/2021 - Cartilha do Piso   - Estatuto - Pesquisar - Giro pelos Estados  
- Entidades Filiadas - Propostas Diretrizes   - Moções   - CNTE Notícias  
- Secretarias de Carreira   - Notas Públicas   - Educação na Mídia  
  - Livreto Diretrizes       - Releases  
  e Carreira          
  - A Lei do PNE          
  - Cartilha do PNE    

CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação

Endereço: SDS, Edifício Venâncio III, Salas 101/106
CEP: 70393-902 - Brasília-DF
E-mail: cnte@cnte.org.br

Telefone: +55 (61) 3225-1003

  - Royalties do Petróleo    
       
       
       
       
       
       
       
       
       
2014© Todos os direitos reservados.