Escola de Educação em Tempo Integral: Olhar da Comunidade Escolar

Publicado em Sexta, 01 Julho 2016 09:51

METZDORF, Mirian Sirlei Wassermann²

RESUMO

O trabalho foi realizado na Escola “X”, instituição de ensino da Rede Pública Municipal, no município de Ijuí - RS. Com o presente trabalho, buscou-se conhecer e divulgar a proposta da escola, a nova organização curricular, os novos componentes curriculares incorporados aos planos de estudos e a adesão ao Programa Mais Educação, como meios e estratégias de prover as nove horas de atendimento aos educandos, configurando-se em uma proposta inovadora, com o propósito de qualificar o fazer pedagógico e os processos de aprendizagem. Intencionou-se buscar o olhar da Comunidade Escolar, por meio de um questionário participativo e espontâneo enviado aos diferentes segmentos – educadores, funcionários e pais ou responsáveis pelos educandos – do Ensino Fundamental, Anos Iniciais. Entende-se que a participação da Comunidade Escolar é imprescindível, pois, a partir dos dados coletados informando a respeito da compreensão que os diferentes segmentos têm sobre o Tempo Integral, é possível apontar quais as atividades e áreas de estudos são necessárias para uma educação de qualidade. Também é possível destacar aspectos positivos e apontar sugestões, legitimando o fazer da escola como um processo de responsabilização e co-participação.

Palavras-chave: Tempo Integral. Programa Mais Educação. Comunidade Escolar.

ABSTRACT

This work took place at the “X” school, a learning institution of the public municipal system in Ijuí city- RS. With this current work we aim to understand and showcase this school proposal, the new curriculum components incorporated to the lesson plans, and the participation on the More Education Program as strategies to promote the required nine hours of teaching and student guidance; all of this configured as an innovative proposal with the goal of qualifying the pedagogical and the learning processes. With the intent of searching for a point of view from the school community, a participatory and volunteer questionnaire was send to different segments of the basic education first few grades such as students, staff, parents and legal guardians of the students. From the data collected regarding the comprehension of what the different segments have of the full time schooling, it was possible to understand that participation on the school community is fundamental. Furthermore, it was also possible to point out which activities and study areas are necessary for a quality education. It is also possible to highlight positive aspects and give suggestions, legitimating the school making process as one of responsibilities and co- participation.

Key words: Full Time School. More Education Program. School Community.

INTRODUÇÃO

Pensar em Educação em Tempo Integral na escola, em evidência, pressupõe pensar em ampliação do tempo pedagógico diário mínimo de quatro horas (para sete horas nos turnos manhã e tarde) e, consequentemente, da jornada escolar anual de oitocentas horas (para mil e quatrocentas horas). Também a adesão ao Programa Mais Educação, do Governo Federal.

Nesse contexto de ampliação de jornada escolar, surge a necessidade de ampliar, também, o currículo com outros componentes curriculares ou oficinas pedagógicas. Dessa forma, o trabalho pedagógico mescla componentes curriculares e oficinas, que possibilitem ao educando frequentar uma escola com formação que oportunize o desenvolvimento das potencialidades físicas, cognitivas, afetivas e culturais, ou seja, na perspectiva de uma Educação Integral.

As atividades educativas propostas nesta organização pedagógica curricular podem ser desenvolvidas dentro ou fora do espaço escolar, em vários ambientes educativos desde que haja intencionalidade prevista nos Planos de Estudos, e em acordo com a Proposta Político- Pedagógica da escola. Essa pesquisa de campo toma como ponto de referência uma escola pública municipal que desenvolve a proposta de Tempo Integral.

Como essa proposta de Educação em Tempo Integral é inovadora, está sempre em processo de avaliação. Desse modo, durante uma das avaliações, surgiu a necessidade de conhecer o “olhar” da Comunidade Escolar sobre a proposta de tempo Integral oferecida nesta escola. Assim, algumas questões foram levantadas: Como a Comunidade Escolar avalia essa escola? Como é aceita a dinâmica do dia-a-dia – nove horas de atendimento para educandos do Ensino Fundamental? A organização curricular do Ensino Globalizado, Parte Diversificada e o Programa Mais Educação, dão conta da proposta em Tempo Integral? A proposta atende às expectativas da Comunidade Escolar? Portanto, este trabalho buscou socializar as respostas das questões levantadas, assim como possibilitou avaliar junto à Comunidade Escolar se a proposta da Escola em Tempo Integral atende às expectativas da mesma, prioriza o bem-estar dos educandos e permite que avanços no processo de aprendizagem aconteçam. Por outro lado, há a intenção de socializar esta experiência, a fim de contribuir para implantação do Tempo Integral nas demais escolas da Rede Municipal.

Para tanto, a opção metodológica escolhida foi a pesquisa de campo com coleta de dados, realizada por meio de questionário enviados à comunidade escolar. Também a observação da rotina escolar, fundamentada na organização curricular, na pesquisa bibliográfica e documental da escola.

1 - CONTEXTUALIZANDO A EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL NA ESCOLA X

Uma escola em Tempo Integral Municipal, por que e para quem? Que espaço é esse? Acima de tudo, precisamos entender onde tudo começa e, para tanto, faz-se necessário tomar conhecimento de um documento que formaliza a parceria entre os municípios e o governo acerca dos propósitos deste, com a Educação. “O Compromisso Todos pela Educação”, em seu Art.2º, VII e XXVII, reitera a importância de que sejam aumentadas as possibilidades de permanência do educando sob a responsabilidade da escola, buscando, com isso, tanto uma qualificação dos processos de ensino característicos da escolarização quanto a participação do educando em projetos socioculturais e ações educativas que visem dar conta das múltiplas possibilidades e dimensões sociais do território e da cidade (BRASIL, 2007).

Outro marco legal voltado à implementação de ações direcionadas para a Educação em Tempo Integral e que compõe as metas do Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE) constitui-se no Programa Mais Educação, instituído pela Portaria Normativa Interministerial nº 17/07, que tem por objetivo “fomentar a Educação Integral de crianças, adolescentes e jovens, por meio de atividades socioeducativas, no contra turno escolar, articuladas ao projeto de ensino desenvolvido pela escola” (BRASIL, 2007, p. 24). Este compromisso alerta para a implantação do Tempo Integral nas instituições de ensino da Rede Pública.

Com a aprovação do Poder Público Municipal sobre a implantação do Tempo Integral na escola X da Rede Municipal, a equipe diretiva e educadores se apropriaram da ideia de iniciar na nova estrutura física que estava sendo construída para a escola, a referida proposta. Então, foram proporcionados à equipe de educadores momentos de estudos e formações acerca de novos conceitos, possibilidades e organizações, assessorada pela mantenedora - Secretaria Municipal de Educação.

1.1 - A proposta de uma escola em tempo integral

A proposta de Educação em Tempo Integral fundamenta-se no Projeto de Lei referente ao Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020, que propõe, na meta seis, a oferta progressiva de Educação em Tempo Integral em cinquenta por cento das escolas públicas de educação básica. Indica, também, a importância de se fomentar a articulação da escola com os diferentes espaços educativos e equipamentos públicos como centros comunitários, bibliotecas, praças, parques, museus, teatros e cinema, desenvolvendo-se assim, novas práticas curriculares, pedagógicas e de gestão que buscam conjugar maiores oportunidades de aprendizagem com proteção social. É, portanto, um avanço significativo para diminuir as desigualdades sociais e ampliar democraticamente as oportunidades de aprendizagens.

No ano de 2010, após os estudos sobre o tema Educação em Tempo Integral, a equipe de profissionais da escola X elaborou uma Proposta inicial para o currículo escolar de sete horas diárias obrigatórias para os educandos. Também apresentou a possibilidade dos mesmos de permanecerem mais duas horas na escola, participando de forma opcional do Programa Mais Educação. Assim, após a apresentação da proposta para a Comunidade Escolar, a mesma foi aprovada para entrar em vigência no início do ano letivo de 2011, com uma nova estrutura e designação.

A nova estrutura, com cinco prédios principais, foi inaugurada, em fevereiro do ano de 2011, com diferentes espaços. Espaços que precisavam ser pensados e organizados com intencionalidade a partir das necessidades e possibilidades de interações e novas aprendizagens. Conforme Arroyo (2002, p. 29), “isso implica assumir uma disposição para o diálogo e para a construção de um projeto político e pedagógico que contemple princípios, ações compartilhadas e intersetoriais na direção de uma Educação Integral”.

O desafio assumido pela equipe diretiva, pelos educadores e funcionários foi grande por ser a primeira escola a implantar o Tempo Integral na Rede Municipal com currículo escolar diferenciado para atendimento das crianças matriculadas no Berçário (Educação Infantil) até o 5° ano (Anos Iniciais) do Ensino Fundamental.

A primeira proposta de organização curricular foi estruturada com o foco principal na aprendizagem e em um melhor aproveitamento do tempo pedagógico, objetivando aquisições de saberes nas várias áreas do conhecimento.

Para os educandos dos anos iniciais a novidade – o Tempo Integral – com a ampliação de quatro horas para sete horas de permanência obrigatória na escola e mais duas horas nas Oficinas do Programa Mais Educação, porém de forma opcional, somando nove horas diárias de permanência na escola.

A grade curricular foi organizada considerando o currículo globalizado da Rede Municipal: Língua Portuguesa, Ciências, Matemática, História e Geografia, Educação Física, Arte e Ensino Religioso e, para complementar a carga horária, foram incluídos novos componentes curriculares como Educação Ambiental, Informática Educativa, Jogos Educativos, Literatura Infantil, Jogos Matemáticos, Musicalização e Pró-Vôlei (RIO GRANDE DO SUL, 2011a; 2011b).

Cabe destacar que no ano da implantação desta nova prática, a procura por matrículas foi muito grande, e com a efetivação das matrículas, formou-se duas turmas de cada ano, o que gerou muitas dificuldades para a equipe diretiva administrar, principalmente por não ter espaço físico adequado – algumas salas menores – para comportar o número de educandos. Outras dificuldades foram sendo verificadas, como a organização de uma rotina: sala de aula, alimentação, higiene bucal/troca de roupas; a permanência dos educadores que trabalham em duas escolas, devido aos horários de início de cada turno, que não era o mesmo das demais escolas da rede; a contratação de voluntários para as oficinas do Mais Educação; e a substituição de profissionais que não se adaptaram a dinâmica da proposta da escola. Tais dificuldades são expressas por Moll (2009, p. 17):

[...] duplo desafio – educação/proteção – no contexto de uma “Educação Integral em Tempo Integral, ampliam-se as possibilidades de atendimento, cabendo à escola assumir uma abrangência que, para uns, a desfigura e, para outros, a consolida como um espaço realmente democrático. Nesse sentido, a escola pública passa a incorporar um conjunto de responsabilidades que não eram vistas como tipicamente escolar [...] Diante disso, aos educadores, também vêm sendo conferidas tarefas que não lhes competiam há algum tempo atrás, o que tenciona ainda mais a frágil relação que se estabelece entre esses profissionais e a escola.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira - LDB (1996) reconhece que as instituições escolares, em última instância, detêm a centralidade do processo educativo pautado pela relação ensino-aprendizagem. Nesse sentido, entende-se que a extensão do tempo – quantidade – deve ser acompanhada por uma intensidade do tempo – qualidade – nas atividades que constituem a jornada ampliada na instituição escolar. Aqui, nos referimos educar para além do que é trabalhado nas áreas do conhecimento formal/parte comum, a Rede e os novos componentes curriculares/parte diversificada, mas também, faz-se referência aos momentos do cuidar: refeições: café da manhã, lanche da manhã, almoço, recreação no intervalo do meio dia e os momentos de higiene: escovação dos dentes, troca de roupas, adequação a temperatura ambiente. Os estudos de Cambi (1999, p. 28) apontam para a ideia de que:

[...] a escola é o espaço, por excelência, de institucionalização da aprendizagem, fornecendo as ferramentas concebidas para auxiliar o uso público da razão, tanto aquelas associadas ao conhecimento científico quanto às associadas às convenções sociais. A leitura, a escrita e a livre discussão possibilitam a construção e ressignificação dos espaços públicos e dos espaços sociais onde as pessoas reivindicam e exercem sua cidadania e representam as bases para a construção da esfera pública.

No final do primeiro trimestre de 2011 foi realizada a primeira avaliação da Proposta Inicial com a participação do Secretário de Educação Municipal, a equipe diretiva e com os educadores. Algumas modificações na dinâmica da troca de salas pelos educandos foram realizadas por sugestões dos educadores para melhor aproveitamento do tempo pedagógico, bem como a extinção de uma turma por ano, adequando o número de educandos à infraestrutura disponibilizada.

Durante todo o ano letivo, momentos de avaliações com a Comunidade Escolar foram sendo oportunizados de forma a ir aperfeiçoando a proposta de Educação em Tempo Integral. Deste modo, a proposta construída para o próximo ano é fruto de estudos e avaliações sistemáticas.

2 - EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL: JORNADA ESCOLAR AMPLIADA X NOVA ORGANIZAÇÃO CURRICULAR

É preciso estabelecer a diferença de Educação Integral e Educação em Tempo Integral. A Educação Integral age sobre as múltiplas dimensões da formação humana. Educar integralmente significa pensar a aprendizagem por inteiro, ou seja, na concepção de uma educação que desenvolva na sua integralidade as dimensões física, afetiva, cognitiva, intelectual e ética de que nossas crianças e adolescentes precisam e que desejam, além de ser uma resposta da maior importância à proteção integral devido ao grupo infanto/juvenil. Tem como objetivos principais proporcionar acesso, permanência e sucesso escolar a crianças e adolescentes marcados pela exclusão.

A Educação em Tempo Integral remete a compreender a educação escolar com ampliação da jornada escolar, ou seja, como a maioria das escolas possui jornada de trabalho de quatro horas diárias, num turno, nesta modalidade as aulas têm atividades ampliadas no contraturno escolar, que podem ser dentro e fora da escola, sob responsabilidade ou não da escola, de sete horas diárias ou até mais horas de jornada diárias, dependendo da proposta política-pedagógica de cada escola. Nesse sentido, vale ressaltar a Lei 9.394/96, que dispõe:

Artigo 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. [...] § 2º. O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral, a critério dos sistemas de ensino (BRASIL, 1996).

Assim, educação integral não se resume a tempo integral, embora o tempo seja condição necessária para efetivá-la. O consenso é que deve haver mais tempo durante o qual a criança é conduzida por um educador, presumindo-se que mais tempo possibilite uma quantidade maior de oportunidades de aprendizagem. Isso significa que uma política efetiva de educação integral não se traduz, apenas, em aumentar o tempo de escolarização, mas requer mudar a própria concepção e o tipo de formação oferecido aos futuros cidadãos.

Aqui se coloca outra questão importante: uma jornada de tempo integral não pode eliminar o tempo doméstico a que a criança e sua família têm direito. Muitos países resolveram essa questão assegurando um meio período durante a semana para que crianças possam permanecer no espaço doméstico, sujeito às demandas familiares.

Um turno complementar é importante para enriquecer a aprendizagem; no entanto, a existência por si só de um turno complementar não significa educação integral.

Torna-se fundamental a integração do currículo de costume fragmentado entre regular e expandido. A denominação e a prática do turno e contraturno ainda espelham essa fragmentação. Nesse sentido, é preciso manter em perspectiva a intencionalidade pedagógica, para que o conjunto das atividades desenvolvidas dialogue com o currículo escolar e corresponda à formação integral pretendida. Assim, deve-se ter em vista o que se ensina/o que se aprende no tempo expandido e como gerir pedagogicamente esse tempo.

Em síntese, integralidade significa, em essência, não fragmentação; educação integral significar pensar a aprendizagem por inteiro; as interrelações entre atividades e propósitos precisam ser otimizadas e valoradas com base no currículo, no projeto político pedagógico, numa clara intencionalidade pedagógica, que tenha a formação do sujeito e do seu direito de aprender como o grande ponto de chegada.

A ampliação da jornada, na perspectiva de Educação Integral, auxilia as instituições educacionais a repensar suas práticas e procedimentos, a construir novas organizações curriculares voltadas para concepções de aprendizagens como um conjunto de práticas e significados, multirreferenciados, interrelacionais e contextualizados, nos quais a ação educativa tenha como meta tentar compreender e modificar situações concretas do mundo. O que muito se discute é sobre a organização do currículo, dos conteúdos escolares, dos tempos e espaços educativos, e que este precisa estar inserido no contexto da produção do conhecimento e da pesquisa científica. Em relação ao currículo organizado, em uma nova configuração de tempo, importa resgatar o que afirma Moreira (2008 apud GALIAN; SAMPAIO, 2012, p. 6) ao definir o currículo como:

[...] o conjunto de experiências pedagógicas organizadas e oferecidas aos alunos pela escola, experiências essas que se desdobram em torno do conhecimento. Nesta conceituação, fica claro que o currículo engloba conteúdo e forma de abordagem – conhecimento e métodos de ensino –, numa configuração marcada pelas condições do contexto em que se desenvolve. Causa estranhamento pensar numa ampliação de tempo escolar sem que, previamente, se enfrente a reflexão sobre o currículo nestas condições e qual o impacto das novas configurações de tempos sobre todo o trabalho da escola, afirmando que se busca formar pessoas aptas a exercerem a cidadania e buscando a mudança tão somente por meio da adoção de „procedimentos metodológicos inovadores‟.

A escola foco de pesquisa, acreditando nesta perspectiva de “oferecer experiências que se desdobram em torno do conhecimento” pensou seis novos componentes curriculares para complementar as sete horas obrigatórias de permanência dos educandos do Ensino Fundamental/ Anos Iniciais. São eles: Jogos Matemáticos, Literatura, Ética e Cidadania, Musicalização, Informática Educativa e Educação Ambiental.

Neste sentido, conhecer os componentes da parte diversificada se faz necessário para uma melhor compreensão da proposta, portanto, após a leitura dos Planos de Estudos (elaborados com a participação dos educadores e equipe pedagógica) da escola, foi possível sistematizar o que cada componente propõe. Assim sendo, destaca-se:

Para o componente curricular Educação Ambiental, o trabalho volta-se para a conscientização de nossas ações e atitudes com ambiente, a importância do cuidado e preservação, possibilidades de intervenção, sustentabilidade, através situações de práticas: passeios, observação, análise de informações, exploração de materiais e experimentações.

Os Jogos Matemáticos visam à exploração de diferentes conceitos e habilidades, através da ludicidade, do brincar e explorar jogos, estímulo do raciocínio lógico; elaboração de estratégias na busca de soluções para alcançar os objetivos/metas de cada jogo; interação com os colegas: compartilhar de ideias; confronto de hipóteses e resolução de desafios/problemas.

A Literatura Infantil disponibiliza um acervo de livros com práticas de leitura, contação de histórias, a brincadeira com rimas, parlendas, a construção de fantoches e a encenação: a expressão oral, a produção de histórias, a exploração dos diferentes gêneros textuais, propiciando o desenvolvimento de aptidões (criatividade, fantasia, imaginação, atenção) e a formação de leitores.

Com o componente de Informática Educativa prioriza-se a apropriação de habilidades tecnológicas básicas para seu uso, um recurso pedagógico para a abordagem de conceitos e conteúdos das áreas de conhecimento através de programas educativos, ferramentas de produtividade, jogos educativos.

A Musicalização é um espaço para audição e apreciação de diferentes ritmos, a execução dos instrumentos disponibilizados pela escola: percussão e flauta, sensibilização para a música através da ludicidade e da brincadeira com a voz, corpo e movimento, cantar e expressar-se através da música, das brincadeiras, jogos e histórias sonorizadas, um recurso para trabalhar a atenção, concentração.

Com o componente Ética e Cidadania busca-se a compreensão de valores e atitudes indispensáveis para a construção de uma sociedade justa, análise de situações vivenciadas no cotidiano escolar, familiar, o respeito à diversidade, conhecimento dos direitos e deveres de um cidadão, a importância da tomada de decisões coletivas.

Pensar o Tempo Integral requer planejamento e organização com finalidade de qualificar o fazer pedagógico da escola, constituindo-se como espaço de interações pertinentes à apropriação de novos conhecimentos, vislumbrando sujeitos mais humanos e felizes. De acordo com Gadotti (2001, p. 3),

A escola está desafiada a mudar a lógica da construção do conhecimento, pois a aprendizagem agora ocupa toda a nossa vida. E porque passamos todo o tempo de nossas vidas na escola – não só nós, professores – devemos ser felizes nela. A felicidade na escola não é uma questão de opção metodológica ou ideológica, mas sim uma obrigação essencial dela.

Para dar conta de todas as áreas do conhecimento e seus respectivos componentes, considerados nesta Jornada Ampliada, a escola organizou uma rotina de abordagens, bem como o tempo, a sala/espaços da escola a serem ocupadas em cada momento, os turnos e o dia da semana, para agilizar os projetos e os educadores que atuariam em cada turma/ano. Cabe destacar, que uma rotina norteia o planejamento de ações, é flexível, tem a finalidade de garantir que todos os componentes, de forma articulada, sejam contemplados nos planejamentos. Esta organização curricular está inicialmente complementada com a adesão da escola ao Programa Mais Educação.

2.1 - Programa Mais Educação: Novas Possibilidades no Espaço Escolar

O Programa Mais Educação, do Governo Federal, tem suas bases legais na Portaria Interministerial nº 17/2007 e no Decreto 7.083/10, e integra as ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), como uma estratégia do Governo Federal para conduzir o processo de ampliação da jornada escolar e a organização curricular, na perspectiva da Educação Integral. O referido Programa disponibiliza diversas oficinas, materiais, e recursos financeiros para sua implementação e execução. De acordo com o Manual Operacional de Educação Integral:

O Programa Mais Educação é operacionalizado pela Secretaria de Educação Básica (SEB), por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e destinado às escolas de territórios prioritários. As atividades fomentadas foram organizadas nos respectivos macrocampos: Acompanhamento Pedagógico; Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável; Esporte e Lazer; Educação em Direitos Humanos; Cultura, Artes e Educação Patrimonial; Cultura Digital; Prevenção e Promoção da Saúde; Comunicação e uso de Mídias; Investigação no Campo das Ciências da Natureza e Educação Econômica/Economia Criativa. (BRASIL, 2012, p. 5).

O MEC disponibiliza um documento, espécie de “guia passo a passo” para as escolas, orientando como proceder para aderir ao programa, fazer escolhas das oficinas, adquirir os materiais, utilizando os recursos disponibilizados de forma correta e transparente, isto inclui licitações, espera, paciência. Também, sugere que estas oficinas sejam ministradas por voluntários, uma vez que o numerário é um valor simbólico, e se destina para cobrir as despesas de alimentação e transporte.

Para aderir ao Programa Mais Educação, as escolas devem se enquadrar em critérios determinados, por exemplo, índice igual ou abaixo de 4,2 no IDEB, Séries Iniciais, e com 50% dos educandos participantes no Programa Bolsa Família, entre outros. No caso da “Escola X”, a mesma foi incluída pelo MEC, após análise dos dados informados no Censo Escolar, quanto ao tempo de atendimento aos educandos (BRASIL, 2012).

Passada as etapas de habilitação, as escolas pré-selecionadas devem preencher o Plano de Atendimento, que consta no site do Sistema Integrado do Monitoramento Execução e Controle do Ministério da Educação, no endereço eletrônico http://simec.mec.gov.br e declarar as atividades e/ou oficinas que irão implementar.

A seguir, a escola inicia o processo de organização das oficinas, de aquisição dos materiais pedagógicos necessários, sendo que os mesmos são adquiridos com os recursos financeiros do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, do Ministério da Educação FNDE/MEC - destinados especificamente para cada Oficina Pedagógica ou pelo repasse de material adquirido pelo FNDE/MEC e enviado posteriormente a escola.

Ressalta-se, que a escola é movimento/ vida, que não para, não espera, acontece e depende do “outro” os cinco dias da semana. Deste modo, a escola, em consonância com sua Proposta Político-Pedagógica (PPP), opta pelas oficinas que contemplam suas metas e o Plano de Ação para o ano vigente. As oficinas são escolhidas por semestre, e a escola tem dever de fazer os registros/relatórios que comprovam sua realização.

O Programa Mais Educação determina que “as ações e projetos relacionados ao programa estejam integrados à PPP das redes e escolas participantes” (BRASIL, 2011, p. 21). A escola pesquisada optou pelas oficinas abaixo descritas:

Recreação: prevê o incentivo de situações de recreação e lazer com finalidade de potencializar aprendizagens, de convivência através de interações, explorando espaços, brinquedos/brincadeiras, destacando o brincar como elemento essencial à formação da criança.

Dança: é um estímulo à expressão corporal, ao movimento, permite o conhecimento a partir da produção/reprodução de uma cultura, permite ainda, a apropriação de espaços, interações, a criação e elaboração sequências, promove a socialização e a prática de atividades físicas, ao bem-estar.

Teatro: é um espaço de leitura, criação, e interações, os sujeitos constroem coletivamente: leem, reescrevem falas e expressam-se corporalmente e/ou oralmente, através de fantoches, dramatizações, histórias narradas/encenadas. Exploram a linguagem visual, falada, comunicação, memória, sendo as obras de literatura um dos recursos.

O Acompanhamento Pedagógico é oficina obrigatória, pois tem a intenção de intensificar e ampliar a aprendizagem em áreas do conhecimento, a partir de instrumentalização de materiais que potencializam ou sistematizam saberes. Sendo assim, a escola fez a escolha pela de matemática, intensificando o trabalho com a resolução de problemas e histórias matemáticas. Além disso, o Letramento/Alfabetização, cujo espaço é para a comunicação verbal, escrita e promoção da leitura, a produção textual de diferentes gêneros. Estas oficinas permeiam as aulas dos demais componentes curriculares, somando duas horas a mais de atendimento aos educandos matriculados, totalizando nove horas de permanência na escola. As atividades pensadas e planejadas intencionalmente procuram contemplar não apenas os saberes escolares formais, mas também as diferentes manifestações artísticas, culturais, esportivas, intelectuais, objetivando a melhoria do desempenho educacional, a interação entre educadores, educandos e a comunidade, além de garantir a proteção e a formação para a cidadania. Estas oficinas, mescladas às demais áreas do conhecimento é que estruturam a organização do Tempo Integral e tornam-se novas possibilidades de aprendizagem no espaço escolar. Neste contexto, o “olhar” da Comunidade Escolar se faz necessário para legitimar essa prática.

A seguir são apresentados os resultados das questões enviadas aos pais e responsáveis, educadores e funcionários.

3 - EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL PELO OLHAR DA COMUNIDADE ESCOLAR

Toda proposta pedagógica necessita ser constantemente avaliada. Esse procedimento de avaliação é de extrema importância por ser um momento onde o analisar e o considerar da Comunidade Escolar se efetiva, a fim de legitimar esta prática. Significa, portanto, investigar, avaliar e ressignificar, isto é, propor ações para transformar, a partir de apontamentos dos pais ou responsáveis, educadores e funcionários da instituição, com o objetivo de qualificar, neste caso, os tempos e espaços na escola.

Acreditando na importância da participação da Comunidade Escolar e dos dados fornecidos por estes, foram elaborados questionários, que constam nos apêndices A e B, do trabalho, objetivando conhecer como os segmentos, educadores, funcionários, auxiliar e as famílias estão vendo a escola como Instituição Educativa em Tempo Integral.

A seguir, foram enviados os questionários aos pais, educadores e funcionários, informando a estes que a participação seria voluntária e espontânea. Com a devolução dos mesmos, registrou-se a participação de trinta pais ou responsáveis, dez educadores e quatro funcionários, estes últimos com a entrada no turno da manhã, no qual atuo como coordenadora.

Os resultados coletados foram um diagnóstico, pois apresentaram dados para identificar como a Comunidade Escolar percebe a proposta de Tempo Integral, o que está sendo positivo, e também, o que ainda necessita ser modificado, para qualificar a instituição como Escola de Educação em Tempo Integral. Assim, após o retorno dos questionários, foram levantados os seguintes dados:
Em relação à primeira questão: “Por que optaram por matricular seu filho na escola em Tempo Integral?”, os dados da pesquisa revelaram que, para os familiares, a Escola em Tempo Integral é um espaço que oportuniza muitas atividades envolvendo várias áreas do conhecimento e para além do tempo formal, que recebe os educandos o dia inteiro, desta forma, os filhos estão seguros, longe da rua, aprendendo, recebendo cuidados, sendo um deles, a alimentação.

Destaque para algumas citações de pais ou responsáveis: “meu filho está recebendo educação de qualidade”, “meu filho ocupa seu tempo para se constituir como sujeito”, “está envolvido com atividades extracurriculares, sendo trabalhadas questões acerca das suas ações enquanto sujeitos”, “consciência de mundo” e “este tempo na escola, prepara-os para atuar no meio que vivem” e ainda, Tempo Integral “como a escola do futuro”.

Neste aspecto, os educadores e funcionários apontam que o Tempo Integral se caracteriza pela ampliação do tempo dos educandos na escola, sob a responsabilidade de educadores, com acesso à alimentação, esportes e diversas atividades; com oportunidades educativas, articuladas nas disciplinas/componentes curriculares, com possibilidades de desenvolver outras habilidades e competências, e ainda, sinalizam que a escola é espaço de experiências e conhecimentos para a vida. Os aspectos expressados pela Comunidade escolar, também são apontados pela Fundação Itaú Social (2011, p. 26):

A educação integral reeditada para este nosso tempo considera [...] a exploração de novos itinerários na ação educativa; coloca em diálogo os muitos saberes produzidos socialmente, mediados pelas questões contemporâneas. Produz aproximação e integração entre os diversos campos do conhecimento (artístico, linguístico, científico, ético, físico) articulados às vivências na escola, na família e na comunidade.

Isto significa que ambos os segmentos percebem o Tempo Integral como ambiente com propósito e finalidade, o de ampliar oportunidades, promover interações ente os sujeitos e o conhecimento das diferentes áreas, qualificando os processos de aprendizagens e as experiências de vida.

Quanto à segunda questão: “Qual o tempo de permanência da criança na escola? O que é oferecido na escola que seu filho frequenta?”, os pais ou responsáveis estão cientes do horário de entrada e saída – 8 horas às 17 horas –, sendo o tempo de permanência de nove horas diárias, exceto para educandos que necessitam atendimentos especializados, mediante diagnósticos e encaminhamentos dos profissionais especializados. Pontuaram ter conhecimento do que os filhos fazem na escola, citando a alimentação “balanceada”, estudos nas “diferentes matérias e recreação” e alguns dos componentes curriculares novos: jogos, educação ambiental, informática, entre outros, além da dança, musicalização, teatro, como um diferencial com relação ao que as outras escolas de tempo normal oferecem, somente as “matérias básicas”.

Os educadores e funcionários confirmam, em suas falas, que a escola em Tempo Integral está organizada para que os educandos permaneçam nove horas nestes espaços, de maneira que se “sintam acolhidos”, “não fique cansativo” e que “sintam desejo de construir suas aprendizagens”, uma vez que “o tempo é também, permeado pelas atividades lúdicas, de expressão e movimento corporal, brincadeiras e brinquedos, permitido momentos descontraídos e de livre escolha”.

Ambos os segmentos entendem que a escola em Tempo Integral favorece o desenvolvimento integral dos educandos, ao citarem as atividades diversificadas, a dinâmica deste tempo, a construção coletiva da Proposta Político-Pedagógica. É importante pontuar, que para os educadores, “a organização curricular, os componentes acrescidos as áreas do conhecimento, as Oficinas do Mais Educação e o fato da escola poder reunir em seu quadro, um número expressivo de profissionais com formação nas diferentes áreas, qualificam o fazer pedagógico”. Tais expressões sinalizam para um tempo de caráter qualitativo, articulado e planejado. Conforme Gonçalves (2006, p. 5),

[...] os espaços e as atividades propiciadas têm intencionalmente caráter educativo. É qualitativo porque essas horas, não apenas as suplementares, mas todo o período escolar, são uma oportunidade em que os conteúdos propostos, possam ser ressignificados, revestidos de caráter exploratório, vivencial e protagonizados por todos os envolvidos na relação de ensino-aprendizagem.

Para as questões: “Você e seu filho costumam falar sobre as atividades da escola? O que ele relata? Qual o papel/função da família na escola em Tempo Integral?, os familiares informaram que a comunicação ocorre de “maneira informal” e que questionam sobre a escola, porém nem todas as crianças revelam o que fazem na escola. Os educandos que mantêm diálogo com familiares evidenciaram que gostam das aulas, às vezes, acham bem interessantes. Outros relatam que, quando há muitas atividades para copiar “não é legal”, gostam dos colegas e alguns querem mostrar o caderno e as atividades realizadas. Entretanto, é possível perceber que outros familiares não disponibilizam este tempo para conversarem com seus filhos.

Quanto à função da família, para muitos pais ou responsáveis, é “estar atento ao que acontece com seus filhos na escola”, “participar das atividades que a escola propõe: reuniões, eventos”; “ajudando os filhos nas tarefas de casa”; “orientando-os sobre sua responsabilidades/ deveres no ambiente escolar” e “procurando entender o que a escola está propondo e se integrando-se a ela”.

Verifica-se aí, que a efetivação de uma proposta está atrelada à participação e ao envolvimento da família em todos os processos da escola. Nesse sentido, compartilha-se da preocupação em promover a interação entre família e escola, na perspectiva de estabelecer vínculos e parcerias, potencializando o fazer da escola e o envolvimento dos educandos nos processos de aprendizagem. Segundo a Fundação Itaú Social (2011, p. 30),

[...] Há duas perspectivas complementares quando se pensa o envolvimento das famílias no fazer da escola. Uma delas é o acolhimento e participação de famílias e comunidades nesse fazer. Outra, mais vinculada à educação integral, refere-se à conjugação de espaços e sujeitos do território para compor oportunidades ricas de aprendizagem. Inclui-se aqui a necessária presença e valor dos saberes da família e comunidade territorial na formação integral de crianças e adolescentes.

Situação esta, confirmada nas respostas dos pais ou responsáveis à questão: “Após o período de permanência diária na escola, quais atividades são possíveis realizar com seu filho para intensificar as aprendizagens vivenciadas na escola?”. A compreensão da importância da participação dos pais ou responsáveis na vida escolar dos filhos não é uma prática de todas as famílias participantes desta pesquisa. Porém, para outros pais ou responsáveis a realização das atividades com os filhos são momentos necessários ao estímulo à aprendizagem, destacando algumas atividades, dentre elas, o acompanhamento aos temas, o brincar juntos, ensinando boas maneiras, como respeito, conversando sobre os assuntos registrados nos cadernos, incentivando a leitura, lendo para o filho(a), elogiando o que é feito na escola. Destaque para o depoimento de um responsável sobre os jogos e as atividades enviadas pela educadora para serem realizados com a família, “senti que ele gostou de ter a companhia da mãe para brincar e aprender ao mesmo tempo”.

O depoimento é reflexo de uma necessidade e um ideal, pais e educadores em sintonia, tornando o ato de aprender uma consequência das interações, do diálogo, da comunicação, revelando que a compreensão do que se faz na escola é importante e tem valor, e é quando estes saberes extrapolam os muros da escola que os educandos revelam a apropriação dos conceitos trabalhados.

Como diz a Fundação Itaú Social (2011, p. 26), “[...] assim, a educação integral impõe mediações e compartilhamento entre diversos atores, instituições e territórios de vida, buscando a circulação de saberes e vivências nos espaços educativos”.

Quanto à questão: “Como você avalia os espaços disponibilizados para execução do Tempo Integral? Destaque das atividades disponibilizadas, as que não podem deixar de permear o trabalho na escola em Tempo Integral. Na primeira pergunta, os diferentes segmentos consideram que a infraestrutura dispõe de espaços adequados, conta com salas de aula amplas, pracinhas, quadra, sendo que as salas específicas (jogos, literatura, vídeo, informática, sala com pias e mesas coletivas), com menor área. Entendem que, como se trata de uma proposta em construção, passa por mudanças e adequações, sendo que alguns encaminhamentos, já em andamento, como solicitação da cobertura para a quadra de esportes, a redução de uma turma por ano do Ensino Fundamental, a ser concluída até 2018. Sugerem ainda, a organização de um espaço para escovação, a construção de espaço para guardar materiais de Educação Física, os brinquedos maiores e os que precisam de reparos. Além de apontarem que esta dinâmica exige reparos ou reposição de materiais pouco resistentes ao uso constante.

A segunda pergunta vem ao encontro da proposta do Tempo Integral, pois citam atividades essenciais, além do que é proposto em cada um dos componentes da grade curricular formal/comum, as que envolvem a ludicidade, o brincar, e que estão concretizadas nas aulas de recreação, jogos, informática, educação física, dança, musicalização, sendo também pertinente as atividades que auxiliam a avançar no aprendizado: acompanhamento do letramento e matemática, bem como as que promovem atitudes conscientes e práticas para o dia a dia, como educação ambiental, ética e cidadania. De acordo com a Fundação Itaú Social (2011, p. 44),

Os relatos das experiências indicaram que no desenvolvimento das ações busca-se a integração entre as áreas obrigatórias do núcleo comum e as da jornada ampliada, o que exige planejamento conjunto, facilitado, quando os educadores envolvidos têm clareza do projeto educacional e estabelecem fluxos sistemáticos de comunicação.

Desse modo, as respostas à questão: “O que diferencia, em sua opinião, o perfil do profissional que atua na escola em Tempo Integral?” confirmam o descrito no texto acima, no que diz respeito ao perfil dos profissionais, mais especificamente quanto ao educador, que devem estar preparados para compreender esta organização, buscar formas de interação e apropriação de novos conhecimentos, desconstruir-se para constituir-se nessa nova organização, por tratar de um tempo de convivência maior entre os sujeitos, no qual os laços de amizade e respeito precisam ser construídos. Segundo um dos pesquisados, o profissional de uma Escola em Tempo Integral “deve estar disposto a aprender, pesquisar, aberto para constantes mudanças”.

A partir destas informações, fica evidenciado que a proposta de Tempo Integral é uma realidade, a experiência descrita aponta para novas possibilidades de pensar a escola, acerca de tempos, espaços, sujeitos envolvidos e comunidade da qual faz parte.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando os questionários entregues aos diferentes segmentos da escola, é possível perceber que esta ainda não é a forma mais eficiente para a participação da Comunidade escolar a respeito da sua visão quanto à escola em Tempo Integral, devido ao número reduzido de questionários devolvidos, em relação aos enviados. Porém, mesmo com a pouca participação foi possível chegar a algumas considerações relevantes a serem compartilhadas e que merecem nossa reflexão.

A Educação em Tempo Integral é ainda um grande desafio para os educadores, pais e sociedade em geral, pelo desconhecimento de sua operacionalização, pelo distanciamento entre a teorização e a prática, justamente pelo que foi revelado pelos pais ao dizerem em primeiro lugar, que optaram pela escola, “por ser um lugar onde podem deixar seus filhos o dia inteiro para irem trabalhar”. Por outro lado, confirmam o real propósito da proposta de Escola, “um lugar de atividades diferenciadas para além do que é oferecido nas outras escolas públicas”.

A proposta permeia oficinas do Programa Mais Educação, Áreas do Conhecimento e os novos componentes, referentes à parte diversificada, sugerindo uma nova dinâmica de possibilidades, sendo retratada na fala dos pais ou responsáveis, que merecem nossa atenção, “os alunos se divertem e aprendem”, todos tendo acesso a uma forma lúdica de potencializar os diferentes saberes, convertendo-se em competências e habilidades para atuar no cotidiano escolar e familiar, em primeira instância, constituindo-se sujeitos mais humanos e futuramente, conscientes ao exercício da cidadania.

A Comunidade escolar revela, ainda, que a Escola em Tempo Integral, é um caminho promissor, e reconhecem que a escola X visa uma educação de qualidade, caracterizando-se como espaço de interação, experimentação e socialização de diferentes saberes, aproximando as diversas áreas do conhecimento (artístico, linguístico, científico, ético, físico) articulando- os às vivências na escola, na família e na comunidade, para que estas situações possam desenvolver aprendizagens cognitivas, afetivas, estéticas, físicas, éticas e sociais. Outro dado revelador é o número de inscritos à espera de vagas, e a fila de pessoas que antecede ao dia da abertura de vagas para matrículas novas.

Para os educadores, a incansável tarefa de reciclar-se. Compreender a complexidade desta nova concepção de escola, e a partir de novos conceitos de escola, criança, processos de aprendizagem, metodologias, tempos de aprendizagem, criar e propor novos meios de interações, estratégias e abordagens dos conteúdos, dos conceitos e habilidades previstos nos Planos de Estudos. Fica evidente que é preciso ousar e acreditar no potencial de cada um e a partir de uma Proposta Político-Pedagógica, construída coletivamente, proporcionar um fazer pedagógico qualificado, que reverta em avanços na aprendizagem dos educandos. Portanto, a implantação do Tempo Integral é um dos procedimentos para a adoção/construção de um currículo inovador.

O presente trabalho aponta ainda para a necessidade de formações continuadas para educadores, pais e demais profissionais que atuam na escola, a realização de avaliações trimestrais nos diferentes segmentos, visando à qualificação e melhorias em todas dimensões: pedagógicas, estruturais, administrativas, funcionais. Destaca-se ainda, a necessidade de manter o planejamento coletivo, porém com encontros mensais, bem como a reconstrução da PPP. Revela ainda a importância de se registrar e compartilhar a primeira experiência de implantação do Tempo Integral, bem como as alterações e ajustes que ocorreram, a fim do melhor aproveitamento do tempo e espaços da referida escola.

A pesquisa com a comunidade escolar evidencia a preocupação com a qualidade do que e como vai ocorrer a ampliação da jornada escolar, com vistas à proposta da Escola de Educação em Tempo Integral, a importância de observar a estrutura, número adequado de profissionais e/ou voluntários que atuam na instituição e, aqui cabe o alerta, quanto a designação de profissionais que atuarão na instituição, preferencialmente 40 horas, destacando que a escala de atendimento deve estar em consonância com o período de atendimento da escola, nesta realidade, das 7horas 30min às 18 horas15 minutos, por oferecer também a Educação Infantil. A partir daí, resta a análise de custo benefício, porque como vimos nos depoimentos dos familiares/responsáveis há necessidade de uma escola em Tempo Integral, pela perspectiva dos cuidados e das oportunidades de formação dos filhos. Desta forma, diante do exposto, da coordenação se espera uma atuação efetiva, articulando e mediando ações ente os sujeitos envolvidos na escola, fomentando, instigando e articulando os diferentes segmentos da escola para uma ação coletiva, promovendo o desejo de querer aprender, de querer fazer, apaixonando-se, e tornando apaixonante o estar na escola, zelando pela qualidade do fazer pedagógico e dos processos de aprendizagem.

A educação em Tempo Integral precisa ter clara a intencionalidade pedagógica de ampliação dos processos de aprendizagem de todos os educandos. Assim, muito mais do que preencher tempos, é preciso pensar inúmeras possibilidades de promover novos saberes e vivências, em que o currículo dialogue com os componentes curriculares e que este, tenha a importante função de enriquecer uma aprendizagem que corresponda à formação integral do sujeito como cidadão autônomo e participante de uma sociedade.

REFERÊNCIAS

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