Na última semana, pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) alertaram para uma segunda onda da pandemia que está se formando aqui no Estado. Os números de contaminação por COVID, que estavam caindo há algum tempo, começaram a subir muito rápido, e os hospitais já começam a informar que estão lotando. Em meio a tudo isso, o Governo de Alagoas anuncia o retorno das aulas presenciais nas redes pública e privada para o dia 21 de janeiro.

Depois de um longo ano de sacrifícios por parte dos profissionais da educação, que precisaram redobrar o empenho, adaptar o trabalho utilizando inclusive ferramentas próprias, a rede pública de ensino de Alagoas deve finalizar as aulas virtuais em janeiro. Sobrecarregados e adoecidos, os trabalhadores agora se deparam com o informe da volta ao presencial através da imprensa, sem nenhum diálogo, sem nenhuma explicação de como será o protocolo de segurança e como as vidas serão preservadas.

O plano de vacinação ainda não foi definido, não temos a data exata de quando a população estará imunizada, mas sabemos que em janeiro não terá sido concluída nenhuma fase. Isso significa que as milhares de vidas atingidas pelo retorno às aulas serão expostas de forma irresponsável, e estarão jogadas à própria sorte ao ser obrigadas a aglomerar em um ambiente impossível de controlar.

Como já foi constatado na prática em alguns lugares do mundo, a volta às aulas neste contexto de pandemia representa colocar as vidas em risco. Em São Paulo, por exemplo, o número de crianças contaminadas dobrou em apenas uma semana. Nesse contexto, sabemos que serão expostas além das crianças, todas as famílias delas e dos profissionais da educação. O aprofundamento da pandemia neste momento pode atingir níveis ainda mais desastrosos do que os piores meses de 2020.

Será que o Governo do Estado já avaliou quais as condições das escolas, como será feito o transporte e até mesmo como ficam as férias dos profissionais e estudantes que ainda estão trabalhando e estudando no ano letivo de 2020 até janeiro de 2021? De que adianta fazer anúncio em público, na imprensa e nas mídias sociais, se o planejamento democrático com a comunidade escolar simplesmente não aconteceu?

Questionamos no início da pandemia, em março, e seguimos questionando agora: Quanto vale a vida de quem está na escola pública? Os filhos da classe trabalhadora não merecem proteção de um vírus que está matando no mundo inteiro?

O Governo precisa ouvir a população, esmiuçar um plano sério de isolamento social que diminua o contágio pelo vírus, agilizar o processo de vacinação em massa e cuidar das pessoas. As escolas são locais de contato humano permanente, e devem ser entendidas como tal. O retorno presencial sem as condições sanitárias é o prenúncio de uma tragédia sem precedentes, quem se responsabilizará pelas vidas humanas que estão em jogo? O governo precisa ouvir mais e tratar com seriedade a educação pública. Educação é um instrumento para a melhora da vida das pessoas, não pode ser parte de uma política de morte em que o exercício do ensino e da aprendizagem coloque em risco tantas vidas humanas.

(Sinteal, 22/12/2020)