UNIDADE

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Foto: Joka Madruga 

Teve início hoje, 6, em Curitiba-PR, a 3ª Plenária Intercongressual da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação). Com o lema “Representação , Estrutura e
Financiamento: Sindicato forte e de luta!”, a atividade faz parte do calendário estatutário da entidade e já prepara o conjunto dos dirigentes para o 34º Congresso que acontecerá em
Brasília-DF, em 2021.

O presidente da CNTE, Heleno Araújo, e a Vice-Presidenta, Marlei Fernandes, abriram os trabalhos com a leitura do “Manifesto em defesa dos serviços públicos para a população trabalhadora, dos direitos dos trabalhadores e contra as privatizações”, lançado pelas Centrais Sindicais em 26 de novembro. Heleno afirmou que “essa 3ª Plenária acontece num momento estratégico para fortalecer o debate que estamos fazendo com as Centrais, no sentido de barrar os ataques desse governo aos direitos da classe trabalhadora, e é fundamental que todas e todas possam trazer suas contribuições para enriquecer esse processo”.
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Foto: Jordana Mercado

A professora Marlei lembrou que a CNTE ousou, com muita garra, transferir todas as atividades para Curitiba-PR, enquanto o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva estivesse preso e que, por essa razão, ter essa Plenária acontecendo aqui, com Lula em liberdade, é motivo de celebração para a entidade. Ela também reafirmou o apoio da CNTE aos sindicatos afiliados que estão enfrentando ataques dos governos estaduais. “Nossa luta é a mesma de todos e todas que lutam contra o desmonte da educação pública e contra o desmonte do Estado Democrático de Direito”, disse.

O presidente do PROIFES (Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico), Nilton Brandão, mencionou a importância da CNTE no FNPE (Fórum Nacional Popular da Educação) que com o PROIFES e outras 33 entidades de atuação nacional, tem desempenhado a tarefa pressionar o governo federal e fazer valer a implementação do PNE (Plano Nacional da Educação), em todas as esferas da administração pública. “A CNTE é ponta de lança na luta pela educação no país inteiro, e tem demonstrado isso não só nos encontros, mas na luta do cotidiano. Somos parceiros nessa defesa e resgate do projeto de educação que queremos”, destacou.

Sandro Silva, Supervisor do Escritório Regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), valorizou a realização da Plenária nesse momento, pois municia a categoria para o enfrentamento aos ataques sucessivos, do atual governo, a direitos históricos dos trabalhadores. “Boa parte da sociedade, infelizmente, não está vendo os ataques a educação, a saúde e aos direitos dos trabalhadores. Vivemos um momento difícil, no combate às privatizações. Vamos nos unir para enfrentar esse momento extremante difícil para a democracia”, finalizou Sandro.

Rogério Nunes representou a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), e falou sobre o momento delicado que o país atravessa com severas ameaças à democracia. “O momento é de unidade da classe trabalhadora. A América Latina está dando exemplos: Chile, Colômbia e Bolívia. Vamos construir a unidade na luta para poder avançar!”, disse. O Presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Sérgio Nobre, enalteceu o protagonismo da CNTE como liderança do ramo da educação durante as maiores mobilizações da classe trabalhadora nos últimos tempos. Mencionou o enorme desafio que representa atualmente a defesa das estatais e dos serviços públicos, e lembrou que isso é imprenscindível para a própria democracia. “Nos países em que o fascismo e as ditaduras se instalaram, os fatos não se deram do dia para a noite e sempre começaram com a eliminação do movimento sindical. Temos que organizar nossas bases, nossos locais de trabalho e nossos bairros. Os piores momentos são oportunidade para nos reinventarmos”, concluiu.

A professora Fátima, Vice-Presidenta da IEAL (Internacional da Educação para América Latina) e Secretária Geral da CNTE, também mencionou que o evento em Curitiba-PR fecha um ciclo de luta, que reafirma o compromisso das entidades que representa com as liberdades individuais e democráticas. “Defendemos a educação libertária, aquela que ensina a sonhar e torna os estudantes sujeitos da própria história. Nossa luta também é nas ruas e seguiremos dando resposta a cada desafio imposto até derrubar a mediocridade instalada. Paulo Freire e a educação preconizada pelo patrono da educação continuarão sendo nossa referência”, afirmou.

 

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Foto: Jordana Mercado

O Vice-Presidente da Internacional da Educação (IE) e Secretário de Relações Internacionais da CNTE, Roberto Franklin de Leão, lamentou o momento atual vivido no Brasil. Para ele, o país caminha com celeridade para o fascismo, com as liberdades cerceadas e um regime de autoritarismo sendo instalado e ganhando força. Ele também criticou a democracia vigente que persegue professores, desqualifica os defensores do meio ambiente e mata a juventude negra. “O neoliberalismo que nos ronda é um retrocesso humanitário que, se não resistirmos, nos levará à barbárie. Nosso objetivo é salvar o país desse governo nefasto, e vamos vencer como já superamos grandes desafios ao longo da história”, disse Leão.
Na sequência das saudações de abertura houve o debate do regimento e, em mesa conduzida pela Secretária de Aposentados Assuntos Previdenciários da CNTE, Selene Michielin, e pelo membro da Secretaria Executiva, Luiz Veronezi, o mesmo foi aprovado pelos mais de 400 delegados e delegadas dos 38 Sindicatos afiliados representados na 3ª Plenária
Intercongressual.

Texto: Jordana Mercado

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