CONSCIÊNCIA NEGRA

 2020 11 25 print live cnte consciencia negra

Nesta terça-feira (24), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) realizou o debate ao vivo "Consciência Negra, educadores/as em movimento", com a participação da professora doutora Petronilha Gonçalves (UFSCar); da professora emérita da UFPA, Zélia Amador de Deus, e do doutor em memória social pela UFRJ, Luís Claudio de Oliveira; e mediação da secretária de combate ao racismo da CNTE, Iêda Leal. O evento foi transmitido pelas redes sociais da CNTE (Facebook e Youtube) e também teve a presença da cantora Thainá Janaina e de representantes de sindicatos convidados.

A professora Petronilha Gonçalves fez um resgate histórico destacando a força das pessoas que foram escravizadas no continente africano e levadas ao Brasil: "Essas pessoas trouxeram consigo essa força. Os escravizados quando foram embarcados, imagina-se o sofrimento deveriam ter, eles não sabiam que iriam criar um novo povo (...). Quando se diz povo é pessoas que traziam consigo seus conhecimentos, suas lembranças e suas capacidades de criar, de superar dificuldades, de interpretar a natureza, de interpretar as relações que se estabeleciam com eles e interpretar para a partir delas recriar uma nova visão de pessoa, uma nova maneira de ser africano no Brasil, de ser afrobrasileiro".

Na avaliação da professora Petronilha, o assassinato do João Alberto Silveira Freitas na véspera do dia da Consciência Negra deixou muito pouco espaço para celebrar. Entretanto, ela relata que hoje "felizmente os meios de comunicação permitem que se espalhe pelo país esse sentimento de pertencer a um povo que sobreviveu a maldades, à desumanização e que foi capaz de provar que os africanos trouxeram uma nova cultura, um modo de ser, de pensar, de organizar a vida, de criar, ensinar, que vem das nossas raízes".

Consciência negra nas escolas

A professora Zélia Amador reforçou: "Este racismo é cruel e mata, portanto a importância dos professores na sala de aula cada vez mais aumenta. Porque os professores têm uma função que é a de formar novas mentalidades, a de trazer para a cena as nossas histórias, as nossas memórias e conseguir formar pessoas conscientes que possam junto com todos nós, de construir uma sociedade justa". Ela também falou sobre a necessidade de envolver as pessoas brancas no debate: "Enquanto houver racismo não haverá democracia. Sonho que um dia todos os brasileiros e brasileiras lutem contra o racismo independente da cor. Sonho com o dia em que o mês de novembro tenham debates para que pessoas brancas discutam o antirracismo porque até agora o que tem acontecido somos nós falando de racismo. Nós não somos em absoluto especialistas em racismo. Especialistas de racismo ao longo do tempo têm sido as pessoas brancas. Por isso ser antirracismo significa entrar na cena e falar de racismo".

Para o professor Luís Claudio de Oliveira, a escola é um território de disputa de narrativas e de poder: "É a partir do currículo que construimos os dogmas na formação daqueles que vão formar que vão ser os professores nas escolas". No debate ele registrou que participou da construção do fascículo "Educação para as relações étnicos raciais" como uma ferramenta que tem servido para que trabalhadores e trabalhadoras em educação possam ter um material a mais para conduzir ações pedagógicas no espaço da escola. "Nós tínhamos em mente que era preciso enfatizar a trajetória do movimento negro, o que faz a reação de homens e mulheres pretas e pretos para construir uma alternativa de organização da sociedade que se expressa em várias experiências quilombolas para construir a organização do estado no país".

Veja a seguir a gravação completa da LIVE exibidade no dia 24 de novembro de 2020.