Escrito por: CNTE

A educação pública gaúcha está em risco

Projeto prevê leilão de 98 escolas estaduais via PPPs, com contratos que podem durar até 25 anos e valor total de R$ 4,5 bilhões

Maí Yandara/ CPERS Sindicato

Artigo escrito por Rosane Zan, presidente do CPERS Sindicato

 

O governo do Estado quer leiloar 98 escolas estaduais na bolsa de valores de São Paulo pelas Parcerias Público-Privadas (PPPs). Na prática, isso significa entregar a gestão das escolas públicas para empresas privadas.

Quando uma escola vai a leilão, o que está em jogo é o futuro de milhares de estudantes. É o espaço onde crianças e jovens aprendem, convivem, sonham e constroem perspectivas de vida.

O governo tenta apresentar as PPPs como “modernização”, mas a pergunta que fica é: modernizar para quem? O projeto prevê um custo global de R$ 4,5 bilhões. Enquanto faltam investimentos em estrutura, valorização profissional e salarial e melhores condições de ensino, bilhões poderão ser destinados à lógica do mercado.

Imagine esse recurso aplicado diretamente nas escolas: laboratórios funcionando, salas climatizadas, bibliotecas fortalecidas, quadras cobertas, alimentação de qualidade e valorização dos educadores.

Mas o modelo das PPPs segue outro caminho. Empresa privada tem compromisso com lucro. Isso significa mais terceirização, precarização do trabalho e menos estabilidade para quem faz a escola funcionar todos os dias. Quem perde é toda a comunidade escolar.

As PPPs também ameaçam a gestão democrática das escolas. Pais, estudantes, funcionários e professores terão menos participação nas decisões, enquanto empresas ganham espaço sobre a administração da educação pública. O futuro da educação não pode ser decidido por acionistas.

Outro ponto alarmante é o tempo do contrato: 25 anos. São décadas impondo um modelo privatizante para várias gerações de estudantes gaúchos.

A educação pública pertence à sociedade, não ao mercado financeiro. Defender a escola pública é defender oportunidades, igualdade e futuro.

O CPERS Sindicato seguirá mobilizado, com a comunidade escolar e a sociedade gaúcha para impedir que transformem nossas escolas em negócio!

 

Publicado originalmente em GZH