Escrito por: APLB

[BA] Calor extremo e falta de estrutura afetam aulas de reposição em Salvador

APLB

Janeiro é tradicionalmente um mês marcado pelo verão intenso em Salvador, período em que a cidade recebe milhares de turistas atraídos pela extensa orla marítima, pelas festas populares e pelo calendário cultural vibrante. No entanto, para quem vive e trabalha na capital baiana, a realidade vai muito além da praia e da curtição.

Salvador é uma cidade marcada por profundos contrastes sociais, econômicos e estruturais. Para uma parcela significativa da população, o cotidiano é de muito trabalho, enfrentamento de desigualdades e desrespeito a direitos fundamentais, entre eles o direito à educação pública de qualidade.

Após 74 dias de greve, encerrada em julho de 2025, os(as) professores(as) da rede municipal de Salvador retornaram às atividades mediante a assinatura de um acordo com a gestão municipal. Desde então, as aulas de reposição vêm sendo realizadas, cumprindo o compromisso assumido pela categoria e pelas equipes escolares de garantir o direito constitucional dos estudantes à educação, à aprendizagem e à integralização do calendário letivo, conforme determina a legislação educacional vigente.

Gestores(as) escolares, professores(as), coordenação pedagógica e funcionários(as) têm se empenhado para assegurar o funcionamento das atividades escolares, mesmo diante de inúmeras dificuldades. No entanto, surge uma questão central: o acordo firmado pelo prefeito será cumprido integralmente pelo poder público municipal?

A realidade vivenciada nas unidades escolares durante as aulas de reposição revela um cenário preocupante. As altas temperaturas do verão, somadas às condições estruturais precárias de diversas escolas, têm prejudicado significativamente o processo de ensino-aprendizagem. Salas de aula sem climatização adequada, aparelhos de ar condicionado e ventiladores quebrados ou inexistentes e ambientes insalubres comprometem o bem-estar, a saúde e a concentração de estudantes e professores(as).

Com temperaturas médias acima dos 30 °C previstas para o mês de janeiro, torna-se inviável garantir um trabalho pedagógico de qualidade nessas condições. A situação evidencia a responsabilidade legal da Prefeitura de Salvador em assegurar infraestrutura adequada, ambientes salubres e condições dignas de trabalho e aprendizagem, conforme previsto na Constituição Federal, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e nas normas de segurança e saúde escolar.

Um exemplo dessa realidade é a Escola Municipal Anjos de Rua, localizada no bairro de Piatã. Imagens enviadas à APLB-Sindicato mostram as condições inadequadas enfrentadas por estudantes e trabalhadores(as) da educação durante as aulas de reposição.

A APLB-Sindicato informa que está acompanhando de perto a realização das aulas de reposição em diversas unidades da rede municipal e tem identificado situações semelhantes em outras escolas da cidade.

Diante desse cenário, a APLB-Sindicato reafirma sua cobrança ao poder público municipal e exige condições adequadas de trabalho e ensino durante todo o ano letivo, garantindo respeito aos direitos dos(as) trabalhadores(as) em educação e dos estudantes da rede pública de Salvador.