Representando a América Latina e a CNTE, Edy Serigy Tupinambá faz parte do grupo que organiza participação indígena no movimento sindical internacional
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) avançou no cenário internacional de organização sindical intercultural com a presença da professora indígena Edinalva da Silva Mendes (Edy Serigy Tupinambá) na composição do Órgão Consultivo de Povos Indígenas da Internacional da Educação (IE).
O Órgão, constituído em 2024, é um espaço voltado a fortalecer a participação indígena nas decisões do movimento sindical global da educação. São representantes da América do Norte e Caribe, Ásia-Pacífico, América Latina, África e Europa. Em razão da diversidade de povos indígenas e dos distintos contextos socioculturais presentes na região, a América Latina conta com duas representações no colegiado: o Brasil, por meio da CNTE, e o Peru, representado pelo Sindicato Único de Trabajadores de la Educación del Perú (SUTEP).
“A criação deste órgão é um passo fundamental para garantir que nossas vozes sejam ouvidas globalmente. Não se trata apenas de participar, mas de construir políticas educacionais que respeitem nossos territórios, nossas línguas e nossos modos de vida”, disse Edy Serigy.
A presidenta da CNTE, Fátima Silva, destacou que a presença da Confederação no Órgão Consultivo fortalece a atuação internacional da entidade e reafirma o compromisso com a luta dos povos indígenas e com a construção de uma educação pública inclusiva, intercultural e socialmente referenciada, que reconheça e valorize a diversidade cultural como elemento essencial da democracia.
Edy Serigy é indígena do Povo Tupinambá do litoral norte da Bahia e licenciada em Letras pela Universidade Federal de Sergipe. A professora da educação básica da rede pública estadual de Sergipe também atua como diretora do Sindicato das(os) Trabalhadoras(es) em Educação Básica do Estado de Sergipe (SINTESE) e Conselheira Estadual de Educação de Sergipe (CEE/SE). Além de militar no Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (FNEEI), foi recentemente eleita coordenadora estadual do Setorial de Assuntos Indígenas do Partido dos Trabalhadores de Sergipe (PT/SE). Também integrou o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Sergipe (CEPIR/SE), acumulando experiência em espaços de formulação e acompanhamento de políticas públicas voltadas à equidade racial.
Arquivo pessoal/Edy Serigy Tupinambá
Dialogar para construir
Os encontros trimestrais do Órgão Consultivo, realizados virtualmente, debatem temas estratégicos para a agenda indígena, com foco na valorização das culturas e dos saberes dos povos originários no âmbito educacional. A revitalização das línguas indígenas, com ênfase na defesa de políticas educacionais que assegurem sua preservação, uso e transmissão às novas gerações, foi um dos pontos centrais abordados nas últimas reuniões.
Também é prioridade pensar os impactos da inteligência artificial na educação e a forma como os povos indígenas se inserem nesse cenário de forma crítica e autônoma, garantindo o respeito aos seus conhecimentos tradicionais, direitos e formas próprias de produção e compartilhamento de saberes.
O Órgão atua no fortalecimento das redes de educadores indígenas e da ação sindical na defesa da educação intercultural, promovendo a articulação entre diferentes regiões e experiências.
O grupo se prepara para sua próxima reunião em 9 de junho, a quarta desde setembro de 2025.
Estratégia de atuação
Está em desenvolvimento o Plano de Ação para os Povos Indígenas no Quadro Político da IE, que estabelece as prioridades estratégicas do Órgão Consultivo. Os eixos principais foram definidos no 10º Congresso Mundial da Internacional, quando o grupo foi constituído.
São eles: Estatuto e bem-estar da Profissão Docente; Educação de qualidade para todos, que aprofunda a campanha em prol do ensino público e estrutura maneiras de reverter a tendência de falta de professores; Direitos humanos e sindicais, justiça de gênero e social; Promoção da paz, democracia e da justiça climática; e Crescimento da força sindical.
Escolhida pelos pares para representar o Órgão Consultivo, Edy Serigy Tupinambá participará da 5ª Conferência Mundial das Mulheres da Internacional da Educação, que será realizada em setembro no estado da Bahia, Brasil. A Conferência terá como tema “Permanecendo unidos e unidas pela justiça de gênero: educando o mundo, liderando a mudança e lutando pela democracia”.