2º dia do encontro em Camaçari (BA) abordou a sobrecarga vivenciada por mulheres educadoras que exercem jornadas múltiplas e o papel central dos sindicatos latino-americanos na luta por justiça social
O segundo dia da 5ª Conferência Mundial de Mulheres da Internacional da Educação discutiu o apagão de professores/as sob a perspectiva de gênero, a saúde física e mental das trabalhadoras da educação e o combate à misoginia na sala de aula.
As participantes se debruçaram sobre possíveis explicações para a crescente escassez de docentes. Boa parte das mulheres educadoras enfrentam jornadas múltiplas, divididas entre a sala de aula e o trabalho reprodutivo e de cuidado não remunerado em casa.
“Não ter creches para poder deixar nossos filhos afasta algumas mulheres. Vivemos hoje uma sobrecarga que gera esse burnout, um adoecimento mental”, disse a secretária de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Marília Cibeli.
“Às vezes, para se tornar liderança sindical, você tem que abandonar o princípio de uma carreira, mestrado, doutorado. Isso impacta financeiramente, nós precisamos fornecer o suporte necessário para incentivar a presença de mulheres nessas posições de gestão. Porque essas mulheres vão enfrentar também o caráter estrutural do patriarcado, que vai tentar tirar elas de lá”.
Para enfrentar essa precarização, a delegação brasileira ressaltou a urgência de fortalecer o concurso público e de assegurar planos de cargos e carreiras atrativos para além da garantia do piso salarial.
O grupo também defendeu a educação pública e laica contra os avanços da privatização e os crescentes ataques morais sofridos por educadores/as, especialmente pessoas LGBTQIA+, negras, pardas e indígenas.
A luta da América Latina
No painel final do dia, os desafios dos países da América Latina na defesa da democracia estiveram no centro do debate. A atividade foi conduzida pela coordenadora regional da Internacional da Educação para a América Latina (IEAL), Gabriela Bonilla.
Participaram da mesa a presidenta da CNTE, Fátima Silva, a presidenta da Associação Nacional de Educadores e Educadoras da Costa Rica (ANDE), Gilda Montero, a secretária-geral da Confederação dos Trabalhadores da Educação da República da Argentina (CTERA), Sonia Alesso, a vice presidente do Comitê Regional da IEAL, Isabel Olaya.
As painelistas ressaltaram que a desigualdade de gênero não parte apenas de ações individuais de homens, mas sim de uma estrutura com dimensões digitais, tecnológicas, econômicas e sociais que privilegiam homens em detrimento das mulheres.
Fátima abordou a luta ampla dos sindicatos latino-americanos pelas causas sociais e políticas para além das questões dos trabalhadores da educação.
“Na América Latina, nosso sindicato entende que a luta sindical é também a luta de classes, que precisamos olhar para os problemas amplos dos/as trabalhadores/as e da sociedade. A nossa rede discute economia, política e poder. Buscamos formar e encorajar mulheres a superar dificuldades”, disse Fátima.
Sônia destacou também o compromisso das entidades em discutir o projeto de sociedade guiado pela educação pública de qualidade.
“Nosso sindicalismo discute não só salários, mas a educação como um todo. Qual educação queremos para nossos meninos e meninas? Que projeto libertário queremos para alcançar uma sociedade mais justa e igualitária? Para a América Latina, não há possibilidade de envolvimento sindical se não houver envolvimento na pedagogia voltada para o bem-estar de nossos povos”, disse Sônia.
Sobre o evento
O município de Camaçari, na Bahia, sedia a 5ª Conferência Mundial de Mulheres da Internacional da Educação, evento que reúne mais de 360 lideranças sindicalistas de 57 países diferentes para discutir equidade de gênero, condições de trabalho, discriminação e o papel da educação na defesa da democracia.
Sob o tema “Unidas na luta pela justiça de gênero: educar o mundo, liderar a mudança e em defesa da democracia”, a programação inclui plenárias, sessões paralelas e momentos de networking.
Veja a programação completa no site da IE.
Com informações da Internacional da Educação