Educadores brasileiros repudiam ataque feito por prefeito de São Luís contra a entidade que representa os profissionais do magistério da capital maranhense
Os/as educadores/as brasileiros/as manifestam o seu mais veemente repúdio à postura do Prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) que, em declaração feita durante a Jornada Pedagógica, atacou de forma direta e desrespeitosa o sindicato representativo das professoras e professores da rede municipal da cidade, o SINDEDUCAÇÃO.
O pronunciamento do chefe do Executivo municipal, ao sugerir que professores/as prescindam de sua entidade representativa, indicando o afastamento da categoria de seu sindicato, não se limita a uma infeliz escolha de palavras: trata-se de uma tentativa explícita de deslegitimar a organização coletiva dos/as trabalhadores/as, afrontando o direito constitucional à livre associação sindical, garantido pelo artigo 8º da Constituição Federal.
É inadmissível que, em pleno século XXI, se recorra a práticas de paternalismo autoritário travestido de discurso afetivo, como se a relação entre governo e trabalhadores/as pudesse prescindir da mediação institucional que assegura direitos, negociações e proteção contra abusos. Sindicato não é favor, não é obstáculo e não é inimigo: é instrumento legítimo de defesa da categoria, construído pela luta histórica do magistério municipal. Deve ser respeitado por qualquer bom gestor! A cultura política brasileira atrasada ainda impede muitos governantes de verem e perceberem esse fato simples.
A fala do prefeito repete um padrão já observado em episódios anteriores, como na condução controversa do rateio do Fundef, quando a gestão municipal promoveu confusão e divisão entre profissionais. Agora, novamente, busca-se enfraquecer a unidade da categoria, colocando professores/as contra sua entidade representativa. Essa estratégia de dividir para governar não fortalece a democracia, apenas serve à conveniência política. E os/as trabalhadores/as sabem disso!
Também é necessário recolocar os fatos: o reajuste de 16% anunciado pela gestão não é concessão graciosa, mas obrigação legal de recomposição salarial frente às perdas acumuladas. Em 2022, quando a legislação estabeleceu reajuste de 33,23%, a prefeitura concedeu apenas 10,06% aos profissionais de nível superior, e isso somente após uma greve histórica organizada pelo sindicato. Portanto, qualquer avanço conquistado não decorre de benevolência do gestor, mas da mobilização coletiva e da firme atuação sindical.
Atacar o sindicato é, na prática, atacar os próprios professores/as, pois sindicato forte significa trabalhador e trabalhadora menos vulnerável. A democracia não se constrói com frases de efeito, mas com respeito às instituições, negociação transparente e valorização da autonomia das organizações dos trabalhadores. Não falta mais a essa aula de democracia, senhor Prefeito!
Diante disso, reafirmamos: as professoras e os professores de São Luís não precisam morar no coração de governantes, mas sim na lei, no orçamento público e nas políticas educacionais sérias e responsáveis. O SINDEDUCAÇÃO seguirá cumprindo seu papel histórico de defesa da categoria, independentemente da simpatia ou antipatia do prefeito, porque sua legitimidade nasce da base, da luta e da história do magistério municipal.