Escrito por: CNTE
Nova diretriz do Ministério da Educação levanta debate sobre liberdade de expressão, identidade juvenil e militarização das escolas
O Ministério da Educação de El Salvador, sob o governo de Nayib Bukele, emitiu uma nova diretriz que proíbe o uso de um corte de cabelo específico entre estudantes da rede pública. A medida, que afeta todas as escolas do país, foi justificada por razões de segurança e combate à influência de grupos criminosos.
O corte em questão, conhecido como “Edgar” ou “takuache”, é caracterizado pelas laterais e parte traseira raspadas, com a parte superior mais longa e franja reta. Segundo o governo salvadorenho, esse estilo teria sido popularizado por jovens influenciados por culturas associadas a organizações criminosas, especialmente em regiões fronteiriças entre os Estados Unidos e o México.
Inspeções diárias nas escolas
A nova norma determina que diretores escolares realizem inspeções diárias sobre a aparência dos alunos, incluindo verificação do uniforme, corte de cabelo considerado “adequado”, apresentação pessoal e comportamento respeitoso na entrada das salas de aula.
A ministra da Educação, capitã Karla Trigueros, tem visitado escolas pessoalmente para fiscalizar o cumprimento da medida, muitas vezes trajando uniforme militar. O próprio presidente Bukele compartilhou a notícia em suas redes sociais, reforçando a associação do corte com práticas delitivas.
Reforma constitucional no país
No poder desde 2019, Bukele aprovou uma reforma constitucional que permite a reeleição presidencial por tempo indeterminado, amplia o mandato de cinco para seis anos e elimina o segundo turno eleitoral.
A medida foi criticada por organizações como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, que classificaram a mudança como uma "manipulação da Constituição" e um "golpe mortal à democracia".
A política de segurança de Bukele tem sido alvo de denúncias de violações de direitos humanos, incluindo detenções arbitrárias, maus-tratos e tortura em prisões de segurança máxima.
Com informações dos sites Brasil 247 e G1