A Mátria que chega às suas mãos não pede leitura apressada.
Ela exige pausa, atenção e posicionamento. Em um país onde a violência contra as mulheres alcançou níveis históricos, inclusive dentro de instituições de ensino, como no caso do duplo feminicídio no Cefet-RJ, esta edição reafirma o compromisso da CNTE em nomear injustiças, denunciar omissões e defender a vida.
A pergunta que atravessa estas páginas é direta: porque denúncias não são ouvidas? A resposta, sabemos, envolve instituições que falham, alertas ignorados e um ambiente de trabalho que se torna território de medo. Para a CNTE, enfrentar essa realidade é parte da luta por uma escola pública segura, democrática e livre de misoginia.
A revista amplia esse olhar ao abordar a presença das mulheres na ciência, mostrando que acesso não basta: o desafio é permanecer, ser reconhecida e disputar espaços de poder em um ambiente ainda marcado por desigualdades profundas.
Mostra também o peso das mulheres que sustentam mais da metade dos lares brasileiros, muitas vezes em jornadas exaustivas, acumulando trabalho, cuidado e resistência cotidiana. Essas mulheres, majoritariamente negras e periféricas, também sustentam a escola pública e a democracia.
Em 2025, a Marcha das Mulheres Negras levou 300 mil mulheres às ruas de Brasília com uma pauta urgente de reparação histórica, justiça racial e bem viver. Suas vozes ecoam nas escolas e no movimento sindical: não há democracia possível sem enfrentar o racismo estrutural.
Tudo isso acontece em um ano simbólico: em 2026, a CNTE elegeu sua segunda presidenta mulher, reafirmando uma trajetória construída com luta, participação e protagonismo. Não é apenas representatividade: é projeto político: educação pública forte, igualdade de gênero, democracia viva e direitos garantidos.
A Mátria reflete esse caminho. É uma revista feita por muitas mãos, que recusa neutralidade diante das desigualdades e que escolhe sempre o lado de quem educa, cuida e transforma.
Ler esta edição é aceitar um convite necessário: enfrentar a violência, fortalecer a organização coletiva e defender uma educação pública que acolhe todas as mulheres — e que persiste em um futuro mais digno para elas.
Boa leitura.
Diretoria Executiva da CNTE