Escrito por: CNTE

Nova gestão do Coletivo da Juventude busca diálogo e valorização de jovens docentes

Reunião marcou a troca de lideranças com debates sobre próximos passos do trabalho sindical

Geovana Albuquerque/CNTE

A primeira reunião presencial do Coletivo da Juventude da CNTE em 2026 foi realizada na terça-feira, 14 de abril. O encontro, em Brasília (DF), marcou a troca de gestão de líderes do coletivo, com a saída de Bruno Vital (Sinte-RN),  para a continuidade das ações sob coordenação única de Luiz Felipe Krehan (Apeoesp-SP).

Durante a mesa de abertura, a secretária de Assuntos Educacionais, Guelda Andrade, destacou a importância de reconhecer o papel de formadores de opinião dos educadores: “É lá no espaço da escola que a gente precisa problematizar como que a política se dá nos diferentes espaços. Qual é o projeto de sociedade que nos atende enquanto classe trabalhadora, que garante a escola pública, que garante a saúde pública, a segurança pública e assim sucessivamente?”. 

O evento aconteceu no mesmo dia da sanção do Plano Nacional de Educação (PNE), assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em solenidade no Palácio do Planalto. “Não foi coincidência. Estamos no momento de realmente juntar os nossos para defender o que tem de mais importante para nós, o que está em jogo, que é a soberania e a democracia”, explicou o secretário-Geral da CNTE, Fábio Santos de Moraes.

A presidenta da CNTE, Fátima Silva, contou que a primeira reunião entre as lideranças, novas e antigas, estabeleceu como foco uma política em dois eixos, que trabalha os novos que estão entrando e respeita o legado dos/as aposentados/a

“Temos que preparar aquilo que vem depois de nós. Nós damos continuidade a um processo de luta, de organização da educação”, disse Fátima.

 

Balanço

Na parte da tarde, Bruno Vital apresentou análises sobre a gestão de 2022-2026 do Coletivo da Juventude.

As metas estabelecidas foram alcançadas, mas não esgotadas: o Coletivo ampliou a presença de novas entidades e aproximou os sindicatos que estavam afastados, com diálogos presenciais com a direção nos estados para articular a importância do segmento jovem na mobilização sindical.

O Coletivo ofertou cursos de formação com mais de 300 participantes, promoveu três edições do concurso “Juventude que Muda a Educação Pública” e desenvolveu uma Cartilha de recepção, a ser compartilhada com toda a direção da CNTE e dos sindicatos, para mostrar resultados alcançados com os jovens. “A soma de tudo isso aponta para os sindicatos que se você der espaço para a juventude, a juventude aparece”, pontua Luiz Felipe.

A Pesquisa Juventude Trabalhadora da Educação Pública, sobre o perfil dos jovens trabalhadores em educação foi outro destaque pautado. O levantamento contou com uma amostragem de 2 mil pessoas, a nível nacional, e ajuda a compreender como é a realidade e os interesses da categoria, ao evidenciar o cenário de precariedade dos novos docentes, contratados majoritariamente como temporários.

 “O balanço que eu faço é que esse Coletivo cresceu, se fortaleceu e empoderou jovens no Brasil todo. O Coletivo precisa ser ainda mais tratado pela nossa confederação e qualquer das estruturas dos nossos sindicatos, para que a gente garanta a continuidade da luta.”, avalia Bruno.

 

Próximas etapas

Os objetivos da próxima gestão para os anos de 2026 a 2030 foram debatidos com os participantes da reunião. O público foi convidado a opinar sobre pontos de melhoria dentro dos projetos já conquistados.

A direção do planejamento deste ano eleitoral busca metas centradas em ampliar os destaques do balanço anterior. A pesquisa do perfil docente pode ser melhor utilizada nas discussões dentro de coletivos individuais, segundo Luiz, “porque nós já estamos convencidos da nossa importância”.

No caso do concurso “Juventude que Muda a Educação Pública”, a ideia é aumentar a quantidade de projetos inscritos. Os sindicalistas apontaram que há espaço para maior divulgação nas redes sociais e nas escolas para atrair mais participantes. 

Para Luiz Felipe, a força do Coletivo é questionar os modelos de organização existentes: “Quando a gente fala de juventude e sindicato, muitas vezes, para algumas lideranças mais tradicionais, eles acabam entendendo que a juventude é um problema, mas, na verdade, ela é a solução. Dialogar com os jovens é a nossa solução para os nossos problemas de mobilização”.

 

Inovação

Dois dos cinco vencedores da 3ª edição do concurso “Juventude que Muda a Educação Pública” apresentaram também na reunião de terça seus trabalhos pedagógicos. Os selecionados terão destaque no 1º Conselho Nacional de Entidades, em 16 abril, mas o convite foi estendido para aumentar as oportunidades de exposição dos trabalhos.

Geanderson de Matos Ferreira (Sinsepeap-AP) mostrou o projeto “Vozes Rurais”, que valoriza as raízes culturais, a identidade e a diversidade em comunidades rurais de Tartarugalzinho (AP) por meio da transformação de histórias, práticas e conhecimentos locais em livros autorais produzidos pelos alunos.

“Para mim é muito honroso estar aqui e ter visibilidade. Essa apresentação é valiosa. Estou levando muitas ideias boas com a troca de conhecimento e eu sinto também que eu pude, quem sabe, contribuir um pouquinho”, comentou Geanderson.

A vencedora da região Nordeste, Larissa França (Sinte-RN), compartilhou os resultados da iniciativa “Jacumã, Nossa Palavra-Mundo: Diálogo e Conscientização da Juventude na Defesa da História, Cultura e Ambiente Local”. Os alunos tiveram contato direto com membros da comunidade local para criar materiais didáticos a partir da leitura crítica do território.

“A viagem e todo o contexto de ganhar foi gratificante profissionalmente e como pessoa também, porque o projeto mexeu muito com o meu pessoal”, conta Larissa. Sobre a reunião, acrescenta: “A gente chega aqui e se depara com várias realidades. Não sabia o quanto os jovens influenciaram na votação para a presidência, isso me despertou o interesse de participar do coletivo da juventude no sindicato do meu estado”.

A ideia do Coletivo é seguir aprimorando a execução do concurso para aproximar novos docentes da atuação sindical. “Temos que continuar para fazer o jovem engajado compreender que o sindicato também está aqui e é uma forma de mudar a educação pública para melhor”, conta Luiz Felipe.

Geovana Albuquerque/CNTE