Escrito por: Sinte/SC

[SC] Reportagem revela grupo com ameaças de perseguição política entre gestores

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte/SC) manifesta seu repúdio e inconformismo  às gravíssimas denúncias reveladas pela jornalista Amanda Miranda, em reportagem publicada pelo ICL Notícias, nesta sexta-feira (30/10). A investigação expõe mensagens com referências ao nazismo, ameaças de perseguição política e relatos de coação contra trabalhadores da educação em um grupo de WhatsApp que reunia gestores e pessoas ligadas à Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina (SED). É inaceitável que práticas de intimidação e manifestações dessa natureza encontrem espaço entre pessoas que ocupam funções na administração da educação pública. 

Uma das revelações mais graves da reportagem é a circulação de uma imagem de Adolf Hitler acompanhada da expressão “Hans, liga o gás”, em referência às câmaras de extermínio do Holocausto. A publicação ocorreu no dia 25 de outubro, após o resultado das eleições presidenciais, em meio a mensagens de ódio e intolerância política compartilhadas no grupo. 

É alarmante que manifestações com referências nazistas circulem em um ambiente formado por pessoas vinculadas à gestão educacional, cuja responsabilidade deveria ser a defesa da democracia, dos direitos humanos e do respeito à diversidade.

A investigação também revelou manifestações que queriam identificar e afastar servidores da educação por suas posições políticas, com expressões como “fazer uma limpa” e “caçar traidores”. A reportagem apresenta relatos de pressão para participação em atividades político-partidárias, com ameaças de perda de funções administrativas. 

As manifestações com referências nazistas reveladas pela reportagem também precisam ser compreendidas à luz do racismo e da discriminação racial historicamente enfrentados pela população negra catarinense. A história de Santa Catarina é marcada pela exclusão da população negra e por desigualdades que persistem até hoje. Nesse contexto, a circulação de mensagens que remetem a uma ideologia fundada na supremacia racial e no extermínio de populações é especialmente preocupante quando envolve pessoas vinculadas à gestão da educação pública. 

A escola pública catarinense não pode ser utilizada como instrumento de perseguição política, intimidação ou coação contra professores e demais trabalhadores da educação. Nenhum professor, professora ou trabalhador da educação pode ser ameaçado, constrangido ou punido por suas convicções políticas. A liberdade de pensamento, de expressão e de ensinar é um direito que deve ser respeitado em todas as escolas e espaços da administração pública. 

Diante da gravidade das denúncias, o Sinte/SC encaminhará uma denúncia criminal aos órgãos competentes, solicitando a investigação das manifestações com referências nazistas, das ameaças de perseguição política e dos relatos de coação contra trabalhadores da educação. O sindicato cobrará a apuração rigorosa dos fatos, a identificação dos envolvidos e a responsabilização daqueles que tenham cometido irregularidades ou crimes, conforme a legislação brasileira.

O Sinte/SC exige que o Governo de Santa Catarina e a Secretaria de Estado da Educação  venham a público explicar sobre os fatos denunciados. A apologia ao nazismo é crime no Brasil, conforme a Lei nº 7.716/1989, que prevê pena de dois a cinco anos de reclusão e multa para a divulgação de símbolos e propagandas nazistas com essa finalidade.

O governador Jorginho Mello e a secretária de Educação, Luciane Ceretta, têm o dever ético e institucional de apurar as condutas e punir os responsáveis com o rigor necessário, demonstrando de forma inequívoca que Santa Catarina repudia qualquer flerte com  a intolerância e violências desta natureza.

Já aos trabalhadores e trabalhadoras da educação que estejam sofrendo perseguição política, ameaças, intimidações, o Sinte/SC orienta a registrar e preservar todas as provas, como mensagens, e-mails, áudios e outros documentos. Assim como, procurar o sindicato para receber orientação e apoio jurídico, e formalizar denúncias aos órgãos competentes, como o Ministério Público e o Ministério Público do Trabalho.

Não permitiremos que o medo e o ódio ditem os rumos da educação catarinense. Exigimos apuração célere e punição rigorosa a todos os envolvidos.