Escrito por: SINTESE/SE

[SE] Greve dos/as professores/as da Rede Estadual será marcada por atos

Os dias 8 e 9 de setembro, dois primeiros dias da greve das professoras e professores da Rede Estadual de Ensino, serão marcados por muita luta em nosso estado. A categoria tomará as ruas em Aracaju e no interior para dialogar com a população e exigir do Governo de Sergipe respeito, valorização e o cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na terça-feira, dia 8 de setembro, primeiro dia do movimento grevista, professoras e professores farão ato, a partir da 8h, em frente ao Palácio de Despachos, em Aracaju. Professoras e professores do interior do estado devem buscar as subsedes do SINTESE em suas regiões e se juntar a caravana de luta, com destino ao ato em Aracaju.

Na quarta-feira, dia 9, faremos um outro ato na capital, desta vez em frente à Secretaria de Estado de Educação (Seed), também a partir das 8h. Além de Aracaju, no dia 9 de setembro, a mobilização se espalha pelo interior do estado.

Veja abaixo onde serão os nossos atos:

 Região Agreste

Ato em Itabaiana, às 07h30, na Praça João Pessoa

Região do Alto Sertão

Ato em Nossa Senhora da Glória, às 7h30. Panfletagem no semáforo da Osaf (sentido Monte Alegre)

Região do Baixo São Francisco I

Ato em Propriá, às 8h, no semáforo do centro comercial

Região do Baixo São Francisco II

Ato em Neópolis, às 8h30. Panfletagem em Neópolis e em cidades da região, concentração em frente à subsede do SINTESE

Região Centro Sul

Ato pelas ruas de Lagarto, às 8h30. Concentração em frente à subsede do SINTESE

Região Sul

Ato em Estância, às 9h, na Praça Barão do Rio Branco.

Vale lembrar que a greve do magistério foi decidia em assembleia da categoria no dia 2 de setembro. A greve é por tempo indeterminado.

O presidente do SINTESE, professor Roberto Silva, fala sobre a importância dos atos regionais e das professoras e professores estarem presentes na luta.

“A quarta-feira será um dia de luta, professoras e professores da Rede Estadual, em todas as regiões do estado, não somente na capital, estarão nas ruas para conversar com a população e mostrar os motivos pelos quais estamos em greve. São 14 anos de espera pela retoma da nossa carreira e quando o STF decidi favorável aos professores e professoras de Sergipe, o Governo do Estado tenta nos dar um calote, desrespeitando a decisão da Suprema Corte do país. Conquistamos o direito e queremos o que é nosso. Convocamos as professoras e professores a estarem presentes nos atos em Aracaju e em suas regiões para mostrar a nossa força e unidade de luta nestes dois primeiros dias de mobilização e nos demais que vierem”, conclama.

O professor Roberto Silva fez questão de reafirma o compromisso da categoria com os estudantes e suas famílias na reposição dos dias de greve.

“Sabemos que uma greve interfere na rotina das escolas e das famílias. Sabemos também que cada dia de aula é importante para nossos estudantes. Por isso, esta não é uma decisão tomada de forma irresponsável. A reposição desses dias de aula está garantida, a partir da rediscussão do calendário letivo com a Secretaria da Educação”, garante.

Por que professoras e professores estão em greve

Em outubro de 2025, professoras e professoras da Rede Estadual de Ensino de Sergipe, conseguem no Supremo Tribunal Federal (STF) uma vitória histórica: a Lei 213/2011 foi decretada inconstitucional. Esta lei foi responsável pela destruição do plano de carreira do magistério sergipano.

Após 14 anos de espera, o Supremo determinou que o Governo do Estado tem a obrigação de retornar os escalonamentos da carreira de 40% a 100%, como era até 2011, voltando a vigorar a Lei Estadual nº 163/2009.

Até 2011 a professora e o professor era valorizado à medida que avança nos estudos, ou seja, quanto mais graduado um professor, mais valorizado. O nível médio era a referência inicial da carreira que ia escalonando, de 40% a 100%, a cada nível de formação: do nível médio ao doutorado.

A tentativa de calote

Desde a decisão do STF até o presente momento, o SINTESE tem cobrado do Governo do Estado o cumprimento da decisão judicial, buscou canal de diálogo, mostrou que as professoras e professores estavam abertos a negociação, mas o Governo, mesmo tendo se comprometido com o magistério, não apresentou nenhuma proposta.

No final de julho de 2026, o governador, Fábio Mitidieri, protocolou um documento junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo expressamente autorização para não cumprir a decisão judicial, ou seja, o governo está pedindo autorização ao STF para dar um calote no magistério sergipano.

O Governo justifica dificuldades financeiras e proibição da legislação eleitoral, mas dados da própria Secretaria da Fazenda mostram que, nos primeiros quatro meses de 2026, o Estado teve uma margem fiscal superior a R$ 1,4 bilhão para despesas com pessoal e a legislação eleitoral não impede cumprimento de sentença judicial.

Enquanto isso, professoras e professores acumulam 14 anos de perdas. Hoje, um professor recebe 54% menos do que receberia em 2011 quando o plano de carreira foi destruído.