DEMOCRACIA

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Um importante painel sobre conjuntura internacional, nacional e educacional reuniu o Secretário Geral da IE (Internacional da Educação), David Edwards, o Secretário de Relações Internacionais da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Antônio Lisboa e o Presidente da Fundação Maurício Grabois, José Ferreira Lopes. O Secretário de Assuntos Municipais da CNTE, Cleiton Gomes da Silva e Valéria Conceição da Silva, da Secretaria Executiva, coordenaram o painel.

Respostas da Educação aos desafios globais
Trazendo sua experiência à frente da maior entidade global em defesa da educação pública, David Edwards falou sobre as lutas que as organizações afiliadas a IE tem travado ao redor do mundo. Ele pontuou que apesar de ter sido um período marcado por tiranias, ditaduras e acirramento do ódio e do racismo em tanto países, a democracia continua avançando.

Para Edwards, mesmo em meio a um cenário adverso em muitos sentidos, o processo de resistência tem permitido que o movimento fortaleça a solidariedade, seus argumentos e evidências, as estratégias, campanhas e alianças. “Desde o 7o Congresso no Canadá até o Congresso desse ano na Tailândia, traçamos estratégia em vários níveis e plataformas tanto globais quanto regionais. Com o apoio de vocês posicionamos nossas idéias, valores e objetivos exatamente onde podemos exercer mais influência e impacto”, exemplificou.
O Secretário Geral da IE também mencionou a evolução da luta pela educação relativa a importantes bandeiras de luta que estão na ordem do dia para a CNTE como, por exemplo, a questão da defesa dos direitos dos trabalhadores em educação que são funcionários de escola, a defesa dos direitos dos índigenas, dos refugiados, o combate ao racismo e o enfrentamento à privatização e mercantilização da educação.

Olhando atentamente para o momento brasileiro, Edwards, celebrou a vitória da democracia com a libertação de Lula. Ele manifestou orgulho militante por ter, pessoal e institucionalmente, tomado parte na campanha internacional pela liberdade do ex-Presidente. Ainda para ilustrar a força da nossa educação, mencionou o episódio recente quando o Ministro da Educação incitou a os estudantes a fazerem denúncias com vídeos para acusar os educadores de fazerem doutrinação ideológica “comunista” nas escolas públicas. A resposta criativa e afetuosa da comunidade escolar encantou o palestrante: o Ministro recebeu milhares de vídeos de estudantes e professores confraternizando, cantando sambas e deixando uma mensagem clara de que não aceitaremos os desmandos da pasta e não nos calaremos diante das injustiças que assolam o país.

A defesa da educação e da democracia é a grande motivação das ações da IE: “A democracia implica em que os povos vejam, entendam, compartilhem e tenham um mundo melhor ao seu redor. Tudo isso é possível, mas só pode ser feito com o apoio dos sindicatos. Devemos ser os guardiões da democracia: nas salas de aula, nos sindicatos, nas comunidades, no parlamento, nas ruas e a nível global, devemos construir alianças e organizar os trabalhadores e trabalhadoras”, desafiou.
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E apontando para a unidade na luta, David Edwards, valorizou a realização da 3a Plenária Intercongressual: “Defendemos a verdade e buscamos coletivamente uma sociedade mais justa. Que saiam dessa Plenária as melhores deliberações, prioridades e um caminho de unidade. E o que vier em seguida, as construções e o enfrentamento aos ataques à democracia, tudo será superado mais facilmente se começarmos a partir de uma única e poderosa palavra: nós!”

Impactos do panorama internacional

Antonio Lisboa falou sobre os avanços do conservadorismo no mundo explicitado pela ascensão de setores da extrema-direita em várias partes do mundo. Para ele, no Brasil o neoliberalismo tem se mostrado com um traço fascista diferente daquela forma tradicional que conhecíamos pois, ao invés de ser nacionalista, é marcado por um caráter de total entreguismo.

Ressaltou que, em sua avaliação, o capital se organiza globalmente. “Para combater isso, nós também precisamos nos organizar. O Brasil é um laboratório disso”. Lisboa também citou a fala de Bolsonaro na ONU (Organização das Nações Unidas), quando ele falou para a extrema direita. “Precisamos enfrentar essa realidade. O capital avança no Brasil e precisamos abrir o Sindicato para os trabalhadores terceirizados. A proposta do capital, aqui no Brasil, é até 2025, extinguir 15 milhões dos atuais postos de trabalho pelas novas tecnologias”, alertou.

José Ferreira Lopes da Fundação Maurício Grabois, demonstrou bastante preocupação com a necessidade de articular uma frente progressista para barrar o desmonte do Estado. Ele, que é médico, falou com propriedade sobre os serviços públicos e bem estar social. “O Sistema Único de Saúde é uma grande conquista da classe trabalhadora no Brasil, temos que estar na linha de frente na luta em defesa do SUS. Esse pode ser um espaço mobilizador da sociedade. E esse grande movimento só pode ser atingido se estivermos em unidade na luta”, defendeu.

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Fotos: Joka Madruga | Texto: Jordana Mercado

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