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O segundo dia de trabalhos do XVII Congresso Estadual do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT), nesta sexta-feira (29.11), no Hotel Fazenda Mato Grosso, foi aberto com o lançamento de livros e publicações produzidas pelos profissionais da educação do estado, que inscreveram trabalhos. Ao todo cinco obras – três livros, sendo um deles colaboração em coletânea, e a sistematização de dois trabalhos produzidos em 2019, foram apresentadas.

Segundo a secretaria adjunta de Políticas Educacionais do Sintep/MT, Maria Luiza Zanirato, faz parte da tradição do sindicato dar relevância aos trabalhos publicados pelos educadores para que fiquem registrados a produção realizada por eles. “Nossa jornada, na maior parte das vezes não nos permite a pesquisa e estudos complementares, ficando apenas no trabalho braçal, nas salas de aula. Esse ainda é um desafio para a luta sindical”, disse.

Palestrante lança livro que trata sobre a tratada no XVII Congresso

A cientista social, Fabiane Previtali, apresentou aos participantes do XVII Congresso Estadual do Sintep/MT uma de suas últimas produções. Com uma capa forte que explora as novas relações de trabalho no mundo, em especial no Brasil, o livro “Riqueza e Miséria do trabalho no Brasil IV – trabalho digital, autogestão e expropriação da vida”, organizado pelo professor e cientista político Ricardo Antunes (Unicamp)

Livros

“A História de uma Cartilha do Araguaia. Estou lendo!”, da professora Alessandra Pereira Carneiro Rodrigues

“Irmã Maria Cibaíbo Ossemer: uma missionária franciscana entre os índios Bóe-Bororo de Mato Grosso”, professor Paulo Isaac

“Geografia práticas pedagógicas e saberes multidisciplinares”, texto Conceito de Segregação e Desigualdade Escolar, de Melissa Jascher Quadros

“Conselhos Municipais de Educação: espaço Público Democratizador?”, pela professora Márcia Cristina Machado Pasuch.

Trabalhos

“As dificuldades do não pedagógico no chão da escola,” Adriana Freitas da Silva

“Outubro Rosa pode mudar sua vida”, de Lucinéia Goveia

As reformas educacionais nacionais reduzem direito pleno a escolarização

O cenário projetado pelas reformas educacionais aponta um futuro preocupante para a juventude, disseram os palestrantes, no segundo dia (29.11) de debates do XVII Congresso Estadual do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT), no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá. A palestra teve foco na “Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Reforma do Ensino Médio, Projeto Político Pedagógico e o Desafio de Construir e Efetivar um Currículo Humano e Inclusivo no Espaço da Escola Pública”.

A análise sobre os projetos em curso, apontaram a retirada do direito ao conhecimento, com ataque à educação pública e retirada do potencial científico da escola. Os palestrantes; a professora doutoranda da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Camila Grassi, e o secretário de Assuntos Educacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Gilmar Soares -, apresentaram visão semelhante sobre o tema.

Segundo a professora Camila, o país vivencia um novo conceito trazido pelo capital financeiro, para a juventude pobre brasileira, a partir de conceitos próprios sobre flexibilidade do trabalho, à ausência de ciência, por exemplo. “O objetivo é intensificar a lacuna entre os jovens da periferia e a Universidade, como é o caso da Reforma do Ensino Médio”, disse.

Para a Camila, estão reforçando a dualidade na educação brasileira, com conceito próprio de educação profissional, sem ciência, e com pouca possibilidade de ascensão social, para a juventude pobre. E uma educação científica, mais elaborada, para quem pode pagar.

O professor Gilmar Soares apresentou o impacto, a partir da própria realidade familiar, pai de dois jovens que ingressarão no Ensino Médio, alerta para o risco do comprometimento da formação integral dos estudantes. “Até mesmo a educação profissional estará comprometida, com cursinhos profissionalizantes ofertados pela iniciativa privada que, na maior parte das vezes não tem compromisso com qualidade, com formação humana”, afirma.

Conforme o dirigente, a forma que implementarão um currículo integral, pode até ser debatida, mas deve ser garantida sua integralidade. Como projeto para a reversão desse quadro, tanto Gilmar Soares como a professora Camila, destacaram o fortalecimento no interior das escolas, do Projeto Político Pedagógico e todos os conteúdos que são importantes. “Os profissionais da educação precisam se organizar nos espaços e fazer estudo sobre todo esse processo, conectarem-se”, disseram.

Confira as fotos no facebook do Sintep/MT

(Sintep/MT, 29/11/2019)