Sob o pretexto de “inovar e buscar melhorias” para a educação, a prefeitura de Araguaína, anuncia o início da privatização nas escolas públicas municipais. O projeto piloto que a gestão anuncia implantar se refere as Escolas Charter, modelo de origem americana, que nada mais é do que a privatização escancarada da educação pública.

O modelo permite que escolas públicas sejam gerenciadas com gestão privada. Isso significa que a prefeitura passará os recursos públicos de custo/aluno/ano para uma entidade fazer a gestão pedagógica e financeira da escola. É coisa pra inglês ver.

Para o Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado do Tocantins (Sintet), a privatização da educação pública é inadmissível, trata-se de um retrocesso avassalador, que afetará principalmente os/as trabalhadores/as da educação, além de propagar a segregação de alunos.

Diante da medida anunciada o Sindicato questiona: qual seria o verdadeiro motivo da privatização das escolas públicas de Araguaína? O lavar as mãos da gestão municipal face a necessidade de se investir sistematicamente na educação? Velar os interesses empresariais dos grandes consórcios educacionais? A implantação da terceirização em detrimento da realização de concurso público?

O Sintet entende que o modelo Charter de escola, fracassado no seu país de origem, não traz nada de inovação, antes importa para a área da educação a lógica do mercado, como forma de acelerar a melhoria e a racionalização da educação adotando o monitoramento de metas restritas sob pressão; é antidemocrático, ocasionando o fim do diálogo com a comunidade escolar; reflete ainda no aumento da segregação pela classe de renda das famílias, bem como a exclusão dos alunos com baixo rendimento, incidindo ainda sobre o aumento da evasão escolar.

A implantação do modelo a ser adotado pela gestão municipal, copiado de Porto Alegre/RS nega toda a formação e capacitação dos profissionais da educação; nega a capacidade de gerir dos atuais diretores de escolas, inclusive a capacidade técnica da própria gestão. A medida ainda negligencia o trabalho de anos de estudos das equipes que elaboraram os planos nacionais (PNE), estaduais (PEE) e municipais (PME) de educação.

A classe trabalhadora, a maior usufrutuária da educação pública, com certeza será a grande prejudicada. A educação pública é responsabilidade do poder público, com gestão pública.

(Sintet, 15/01/2020)