2021 01 04 giro Escola E. Campos Sales Juscimeira MT

Os funcionários da Escola Estadual Campos Sales em Juscimeira (a 160 km de Cuiabá), foram surpreendidos com o anúncio do governo do estado, de que a unidade escolar não irá mais existir em 2021. Ocorre que tal anúncio foi feito no último dia de matrícula, quando todas as vagas já haviam sido preenchidas. Os pais dos alunos matriculados também questionam a decisão arbitrária e repentina.

“Isso contraria totalmente a orientação que estávamos seguindo, do próprio Decreto estadual 723/2020, de que a mudança de algumas escolas, da rede estadual para o município, ocorreria de forma gradativa, e que nesse caso, não poderíamos abrir turma do primeiro ano do ensino fundamental. Foi com base nesse decreto que orientamos os pais durante o período de matrícula. Estávamos no último dia do processo de renovação de matrícula para o ano letivo de 2021, quando fomos informados dessa decisão, sem nenhum diálogo prévio sobre os impactos ou sem que pudéssemos orientar os pais”, criticou a diretora da escola estadual Campos Sales, Nilza Moreira Aguiar, que também é presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso, Subsede Juscimeira.

Superlotação em meio à Pandemia

Um outro agravante acerca do fechamento da escola, é quanto ao redimensionamento dos alunos que já haviam sido matriculados. Segundo a presidente do Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar do Município, Neuzi Jesus de Morais, esse remanejamento vai provocar superlotação nas escolas que vão receber esses estudantes. “Soubemos que os alunos do sexto ao nono ano que estudavam na escola Campos Sales, terão de ser remanejados para as escolas Antônio José de Lima e João Mateus Barbosa. Acontece que essas unidades já tem sua demanda preenchida e, receber esses estudantes da escola que o governo quer fechar, vai provocar superlotação, em plena pandemia, colocando a saúde desses jovens e dos profissionais da educação em risco maior de contágio”, alertou Neuzi.

Trabalhadores da Educação que atuavam na escola Estadual Campos Sales devem ficar desempregados. A presidente do CDCE criticou ainda, a falta de transparência do governo que, até o momento, não apresentou nenhum planejamento sobre o remanejamento desses trabalhadores, sem qualquer perspectiva de renovação de contratos. “Atualmente temos cerca de dez profissionais contratados nessa unidade de ensino. Eles já vão começar o ano sem emprego. Além disso, sabemos que existe um termo de cooperação técnica entre o governo e a prefeitura, que assegura por apenas 12 meses a remuneração dos pedagogos e vigias concursados. Depois disso, o município teria que arcar com essa despesa e tememos que a prefeitura não tenha aporte financeiro suficiente para sustentar esses trabalhadores após esse prazo”, disse Neuzi.

Em reunião com os educadores, o prefeito da cidade, Moisés dos Santos, disse que também recebeu com surpresa a notícia de que o município teria que se responsabilizar pelos alunos da escola estadual Campos Sales.  Um documento foi enviado à prefeitura, manifestando a insatisfação dos educadores e dos pais dos alunos.

“Sempre trabalhamos em busca de uma educação de qualidade de forma democrática, justa e transparente, como deve ser todo o processo que vise respeitar os princípios republicanos do nosso país. Cremos que essas mudanças impositivas são equivocadas e injustas, e em nenhum momento serão benéficas para a melhoria da qualidade de ensino tão almejada pela comunidade escolar e a equipe gestora. A decisão quanto ao fechamento da Escola Estadual Campos Sales foi feita sem nenhum estudo prévio acerca dos impactos no contexto local. Desta forma, pedimos ao prefeito que reconsidere essa decisão de acatar a responsabilidade de assumir a demanda da escola Campos Sales, uma vez que a determinação inicial do governo era de fazer essa transição de maneira gradual”, diz trecho do ofício enviado pela comunidade escolas ao executivo municipal.

(Sintep, 4/01/2021)