2021 03 19 giro sintepmt

Após cumprir a jornada em sala de aula no período matutino, a professor Maria* retornou para casa e, após o almoço percebeu que a comida não lhe caiu bem. O desarranjo intestinal só foi alertá-la de que o vilão não fora a refeição, às 17h, naquele dia. O estado febril a levou a associar a possível contaminação pela Covid-19.

A preocupação da professora foi externada na tarde do dia 17 de março, durante uma reunião com os dirigentes da subsede do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT), em Campo Verde e profissionais da rede municipal de educação, que estão com aulas presenciais nas creches e escolas de ensino fundamental. 

 A angústia dos educadores/as diante dos riscos de morte e de colocarem em jogo a vida dos estudantes e familiares foi constatada nos relatos apresentados. Uma pedagoga contou que, após sentir os sintomas, mas sem testagem, continuou em aula. Dias depois, afastada pela confirmação do contágio, soube que o pai de um de seus alunos estava internado, em virtude da Covid-19. No relato  duas questões foram apresentadas, a primeira sobre o trânsito do vírus entre as escolas e as residências e a outra diz respeito ao fato de não poderem se afastar da escola, antes da positivação da doença.

Gestão

Mesmo diante dos números das mortes e contágios, o gestor municipal de Campo Verde insiste em manter as aulas presenciais. Em um pronunciamento feito na mídia, na manhã de quarta-feira, antes do debate sindical, destacou o quanto a interrupção do serviço prejudicaria os estudantes.  “Em momento algum os trabalhadores foram lembrados”, relataram os profissionais que assistiram. 

Para o presidente do Sintep/MT, Valdeir Pereira, que acompanhou a reunião, a visão distorcida dos gestores quanto às prioridades do momento, tem levado ao aumento do quadro de contágio e de mortes no estado e, em específico, em Campo Verde. Para Valdeir, o caminho é o diálogo com o MPE, apesar da situação, em alguns municípios, onde foram necessárias mais de uma audiência para comprovar o risco das escolas abertas, o Ministério Público estadual tem que fazer a interferência em defesa da vida e do colapso na saúde. Os estudantes e os profissionais estão em risco, apesar da teoria de baixa contaminação nas crianças, elas continuam com elevado potencial de transmissão. 

Cenário

médico sanitarista e deputado estadual, Lúdio Cabral, destaca que “é mais do que necessário que nesse período grave da pandemia, se suspenda as atividades escolares”. Segundo Lúdio, nos últimos 14 dias, o ritmo de contágio no estado tem sido de uma pessoa para cada 150 mato-grossenses. Esses dados, conforme as estatísticas apresentadas pelo especialista, revelam que em uma escola com 300 estudantes, pelo menos duas pessoas estão infectadas sem mesmo apresentarem sintomas.

 No cenário estadual foram registrados 1.700 casos e 57 mortes, de terça para quarta-feira. Um aumento de 125% no registro de casos, se comparados com o mês de fevereiro. Em Campo Verde, a estimativa é de 28 mil contaminados pela primeira cepa do vírus, e 71 mortes. Com a nova variante brasileira já disseminada no estado, a estimativa é de mais 20 mil pessoas já infectadas, em Campo Verde, além daquelas que ainda não foram infectadas. “O Sistema de Saúde de Campo Verde – rede privada e pública – está colapsado. Dos 13 leitos disponíveis para Covid-19, 14 estão ocupados, o que revela um provável leito improvisado, além das 29 internações em enfermarias”, informou.  

No encerramento do encontro virtual ficou acertado como encaminhamento uma agenda de audiência com o Ministério Público, em Campo Verde, nesta quinta-feira (18/03), com a participação de vereadores e educadores para cobrar a suspensão das atividades enquanto houver surto sanitário e ausência de vacina.

Participaram da reunião, além dos profissionais da educação de Campo Verde, o secretário de Redes Municipais do Sintep/MT, Henrique Lopes,  a diretora regional Sul II do Sintep/MT, Doralice Vieira de Castro Bulegon;  presidente da subsede, Dalvina Bello Kirchesch, o vereador e educador Fábio Alves e a Vereadora educadora aposentada Socorro dos Santos Souza.

*nome fictício 

(Sintep/MT, 19/03/2021)