O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), tem recebido diversas denúncias de diretores de escolas da rede estadual de ensino, de vários municípios de Mato Grosso, relatando a recusa da Secretaria Estadual de Educação (Seduc-MT) em contratar equipes para atuar como agente de pátio (profissional responsável, dentre outras coisas, por aferir a temperatura de quem entra na unidade de ensino), vigias e até mesmo merendeiras.

Um diretor de uma escola em Várzea Grande, que prefere não se identificar para não sofrer represálias, destaca que enviou um ofício à Seduc-MT, em janeiro deste ano, alertando a necessidade de contratação de mais funcionários, para atender à demanda quando ocorresse o retorno presencial das aulas. “O pedido para contratar mais gente foi feito em janeiro. A secretaria quer que a direção das escolas faça o remanejamento de profissionais, mas nós não aceitamos fazer isso por se tratar de desvio de função e, nesse caso, não podemos colocar pessoas que não estão habilitadas para exercer um trabalho para o qual não foram contratadas para fazer. Além disso, se um profissional deixa de atuar na sua função para fazer outra, aquele posto fica desguarnecido. É como um cobertor curto, que ao puxar, descobre os pés”, disse o servidor que ainda alerta que “a falta de pessoal para atuar como agente de pátio é uma realidade em quase todas as escolas estaduais de Várzea Grande”.

O presidente do Sintep, Subsede Cuiabá, João Custódio, relata que denúncias de diversas escolas na capital dão conta de que o quadro funcional das unidades segue desfalcado, especialmente quanto ao agente de pátio. “Todo dia recebemos denúncias desse tipo e por isso, mais uma vez, exigimos da Seduc que tome providências, já que isso era para estar funcionando perfeitamente para o retorno presencial”, disse.

No município de Tapurah, distante 428 Km de Cuiabá, a situação se repete. Em uma escola estadual, de seis vagas para a equipe de limpeza, apenas uma está efetivamente ocupada. Faltam ainda merendeiras. “Algumas trabalhadoras tiveram que fazer uma ‘vaquinha’ para arrecadar dinheiro para custear exames e a consulta médica para tentar se inscrever nas vagas disponíveis na unidade. Faltou planejamento da Seduc quanto a esse quadro de profissionais”, disse um professor que atua na unidade.

Denúncias da mesma natureza foram feitas por trabalhadores da Educação do município de Canabrava do Norte.
O presidente do Sintep-MT, Valdeir Pereira, destaca que essa é apenas uma pequena amostra do universo de inconformidades dentro das unidades de ensino. “Vimos a irresponsabilidade do governo Mauro Mendes em obrigar o retorno presencial, sem oferecer, de fato, uma estrutura digna e segura para receber esses estudantes e trabalhadores. Isso passa pela estrutura sucateada de boa parte dos prédios que abrigam as escolas e também por essa falta de planejamento de pessoal para atender à demanda que, com a pandemia, está totalmente atípica e precisa de reforço”, criticou Valdeir.

O presidente do Sintep-MT reforça ainda que os estudantes, pais de alunos e toda a comunidade escolar somem forças no sentido de denunciar as reais condições em que o governo determinou esse retorno. “O governador e seu secretário tiveram mais de um ano e meio para planejarem esse retorno com segurança. Mas ao invés de investir nessa melhora, fez foi economizar milhões e agora se nega a fornecer um quadro de pessoal que atenda às necessidades da escola pública. Por isso mesmo que pedimos aos pais e aos próprios estudantes, que sejam parceiros em relatar e denunciar as péssimas condições das nossas escolas, que são, constantemente, comparadas pelo governador, às escolas da rede particular. Que façamos fotos, vídeos, mostrando a verdade do que nossos estudantes e trabalhadores estão tendo que enfrentar”, disse Valdeir.

Sintep-MT, 06/08/2021