Os profissionais da educação em Mato Grosso, que irão paralisar as atividades nesta quarta-feira (15), não descartam a possibilidade de haver uma nova greve de professores já a partir da próxima semana. A pausa nas atividades na data de hoje é uma luta nacional contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287/2016, da Reforma da Previdência, proposta pelo presidente Michel Temer (PMDB), que altera a idade mínima de aposentadoria.

Em Mato Grosso, a greve deverá durar apenas um dia, num primeiro momento. “Optamos por paralisar apenas na quarta-feira e faremos uma avaliação do movimento na próxima segunda-feira (20). Se até lá o cenário não tiver mudado, não está descartado os trabalhadores da educação deflagraram a greve por tempo indeterminado, no estado de Mato Grosso, a partir do dia 20”, afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), Henrique Lopes Nascimento.

“Estamos vivendo um período de intensas reformas em nível nacional e estadual. Essas reformas estão vindo no sentido de tirar os direitos do trabalhador. Se tem algo que a sociedade pode esperar é muita luta, porque nós podemos até perder a batalha, mas ela não será entregue de graça aos governos”, justificou o sindicalista.

A PEC, que está em andamento na Câmara dos Deputados, altera os requisitos para a aposentadoria, adiando o prazo de acesso da população ao direito. O sindicalista chama a atenção dos trabalhadores para a luta, uma vez que a mudança na legislação deve atingir a todos, sejam da iniciativa pública ou privada, e defende a classe de educadores, que, segundo ele, deverá ser uma das mais prejudicadas dentre todas as profissões.

“Os que mais vão sofrer com essa reforma são os trabalhadores da educação, os professores, e quem será penalizado ainda mais com a reforma serão as mulheres, porque mais de 80% do estado na educação são mulheres”, disse.

Atualmente, para uma professora aposentar é necessário que ela tenha cumprido 25 anos de contribuição e tenha, ao menos, 50 anos de idade. Já o professor deve ter 55 anos, tendo sido 30 anos dedicados à educação. Com a Reforma, a idade para aposentadoria de homens e mulheres deverá ser igualada e aumentada em dez anos, o que faz com que as mulheres precisem de 49 anos de contribuição e 65 anos de idade para conseguir a aposentadoria.

“É praticamente um retrocesso muito grande nos direitos do trabalhador”, manifestou Nascimento.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) obteve forte apoio por tarde de trabalhadores tanto de redes públicas quanto privadas, em favor da deliberação de greve geral. Para o Brasil, a greve deve durar, pelo menos, 10 dias, começando no dia 15 e sendo avaliada novamente no dia 25. O objetivo é que o governo retire a proposta enviada ao Congresso Nacional.

Greve

Apesar de as aulas da rede pública terem começado apenas nesta segunda-feira (13), em função de reposições de aula da greve de 2016, que durou 67 dias, Nascimento afirma que isso não será motivo para que os trabalhadores se intimidem.

“Não é porque acabamos de sair de uma greve de 67 dias que o governo vai imaginar que isso vai nos constranger para poder impedir que a gente faça quantas greves forem necessárias, de quantos dias forem necessários para poder fazer valer o nosso direito”, finalizou.

Segundo ele, além da pauta nacional, o Estado ainda tem debates locais em aberto e “demandas reprimidas da greve passada que ainda não foram resolvidas”. Tudo será votado na próxima assembleia dos professores, na segunda-feira.

(Portal Hiper Notícias, 15/03/2017)