HELENO ARAÚJO

 2021 08 06 site coluna heleno

Foto: Pixabay

Artigo de Heleno Araújo, presidente da CNTE

Desde que a pandemia da covid-19 chegou ao Brasil, as atividades presenciais nas escolas brasileiras foram suspensas, assim como em todos os países do mundo. Desde março de 2020, a educação das brasileiras e dos brasileiros teve se reinventar, incorporando as aulas remotas em uma realidade de extremas desigualdades que, apesar de já existirem antes, se aguçaram ainda mais: a falta de acesso a equipamentos computacionais e à Internet de qualidade aos estudantes e educadores/as, condições imprescindíveis para a realização das aulas à distância, se somaram a falta de formação e capacitação dos profissionais de educação para darem conta dessa nova modalidade de ensino.

Apesar de todo esse cenário adverso, os educadores e educadoras brasileiros/as se desdobraram para, minimamente, dar conta dos desafios que, de uma hora para outra, se impuseram a todos/as nós. Para não deixar os/as estudantes sem aulas, muitos/as professores/as se viram pagando do próprio bolso pacotes extras de Internet e comprando celulares e computadores para poder, assim, cumprir com as aulas remotas.

Da mesma forma, muitas famílias de nossos/as estudantes se viram também forçadas a compartilhar seus aparelhos celulares com os/as filhos/as para que não perdessem os conteúdos passados por seus professores/as. Todo esforço, no entanto, não foi suficiente para muitas delas garantirem o acesso à educação a seus filhos, não conseguindo prover as condições mínimas para que tivessem acesso às aulas. A evasão escolar explodiu no país que, com o aumento do desemprego, forçou a expulsão de muitos estudantes das escolas, já que se viram obrigados a ir para as ruas de nossas cidades tentar sobreviver de alguma forma.

Muitas redes de ensino do Brasil estão, agora, tentando retomar as atividades presenciais em nossas escolas, que foram retardadas muito em função da completa inação do Governo Federal em comprar vacinas para nosso povo e coordenar nacionalmente esse retorno presencial, preparando as escolas e formando e capacitando os/as educadores para esse momento. A defesa do setor educacional brasileiro foi sempre na direção de garantir a saúde e a segurança sanitária para esse momento.

Em março de 2021, um conjunto de mais de 70 entidades ligadas às áreas da saúde, da educação e da assistência social, lançaram o Manifesto Saúde, Educação e Assistência Social em defesa da vida e da democracia. Essa importante iniciativa, da articulação que ganhou o nome de Frente pela Vida, foi feita com vistas a contribuir com o debate do retorno presencial às escolas, apresentando diretrizes e princípios para garantir o direito à educação nesse delicado momento que atravessamos.

A partir do diálogo intersetorial e com os ouvidos abertos e atentos às contribuições dos atores que fazem a educação e que podem garantir com segurança o retorno presencial nesse momento, indicamos os 4 princípios que podem garantir a segurança mínima de termos as escolas abertas: a avaliação da situação epidemiológica da região, considerando a territorialidade e a especificidade de cada contexto local, além de garantir a equidade para superar as desigualdades. Estes devem ser os princípios norteadores dessa retomada das atividades presenciais nas escolas brasileiras.

A defesa desse manifesto sempre foi a de que a retomada das atividades presenciais nas escolas só poderia acontecer quando as curvas epidêmicas nas regiões estivessem apresentando de forma sustentada uma redução e queda. Somente a partir daí, com os/as educadores/as vacinados/as e participação ativa da comunidade escolar no processo de reabertura das escolas, será possível garantir a retomada das atividades presenciais. E, sobretudo, contando com a ajuda dos/as trabalhadores da saúde e da assistência social de nossas cidades.

Para aprofundar essas diretrizes apontadas lá no mês de março, de modo a pô-las em prática nesse processo de retomada das atividades presenciais em nossas escolas, a Frente pela Vida promove, no próximo dia 13 de agosto, o Seminário Nacional Saúde, Educação e Assistência Social na pandemia de COVID-19: em defesa da vida na retomada das atividades presenciais.

O objetivo é ampliar esse debate junto à sociedade, contemplando as especificidades locais, tendo como foco a proteção integral de nossas crianças e adolescentes, além de garantir a segurança sanitária adequada aos/às educadores de nosso país. Temos a certeza que essa preocupação, em especial nesse momento em que o país é ameaçado com a chegada da nova variante delta, protegerá toda a sociedade, para além mesmo dos muros de nossas escolas. É pela vida que sempre lutamos e por ela também continuamos vigilantes.

(Brasil de Fato Pernambuco, artigo de Heleno Araújo com edição de Vanessa Gonzaga, 5/08/2021)