"Senhoras e senhores, gostaria de anunciar agora o novo lema do meu governo. Ele é simples, é direto e é mobilizador. Nosso lema será: Brasil, Pátria Educadora". Exatos 57 dias depois de Dilma Rousseff anunciar o lema de seu segundo mandato, a presidente determinou um corte de R$ 5,6 bilhões do orçamento do Ministério da Educação (MEC). Universidades, colégios federais e programas como o Pronatec já sentem a crise.

A situação aumenta o risco de o Rio perder três unidades do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ). O Ministério da Educação (MEC) autorizou, em 2011, a criação de unidades no Complexo do Alemão, na Cidade de Deus e no Centro. Um acordo entre os governos federal e municipal definiu que, para a implantação, a Prefeitura do Rio só precisava disponibilizar terrenos - o que não fez. O prazo era até o dia 30 de dezembro de 2014, e, desde então, o município corre o risco de perder as unidades.

O campus no Centro é o único em que já há um local definido. O prédio do Centro de Artes Calouste Gulbenkian, em frente ao Terreirão do Samba, foi escolhido para receber o IFRJ voltado para a capacitação de técnicos, de nível superior, no campo da produção cultural - com cursos como Técnico em Música, Técnico em Artes Dramáticas, Técnico em Artesanato, Operador de Câmera, Operador de Som e outros. No total, seriam 600 vagas. No entanto, a falta de um pedido formal do IFRJ à prefeitura ainda não tirou o projeto do papel. Nas unidades do Alemão e da Cidade de Deus, só há a promessa da prefeitura "de que está empenhada em ajudar". Procurado pelo EXTRA, o IFRJ não se manifestou.

As universidades e programas que já existem também sofrem com a crise. Depois de a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) adiar o início das aulas por falta de pagamento aos funcionários terceirizados - responsáveis pela limpeza e manutenção -, foi a vez do Pronatec adiar a volta das férias em mais de um mês. O MEC anunciou que as atividades do programa, responsável por oferecer cursos técnicos gratuitos e uma das principais vitrines do governo, começam no dia 17 de junho e não mais em 7 de maio. É o Brasil nada educador.

(O Globo - Online, 05/03/2015)