PANDEMIA

 

2021 06 11 carolina sul 21

Foto: Caroline Ferraz/Sul21.com.br

Lorena viu a filha Maria, de 1 ano e 5 meses, morrer em seus braços. Com diagnóstico tardio, Lucas, de um ano, filho de Jéssika, enfrentou diversas complicações relacionadas à covid e morreu. José Rivera viu o filho Bernardo, de três anos, sucumbir à covid-19 uma semana depois de testar positivo.

Eles não são exceções. Até meados de maio, 948 crianças de zero a nove anos morreram de covid no Brasil, segundo dados do Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (Sivep-Gripe) compilados pelo Estadão. Sem políticas de proteção à infância, sem controle da pandemia e com escolas fechadas, o Brasil fica em segundo lugar no triste ranking de crianças vítimas da covid, atrás apenas do Peru.

A cada um milhão de crianças de zero a nove anos existentes no País, 32 perderam a vida para a covid. No Peru, país com o maior número de mortes dentre os 11 analisados, foram 41 por milhão. As vizinhas Argentina e Colômbia tiveram 12 e 13 mortes por milhão, respectivamente.

Para a análise, foram considerados os países que registraram pelo menos mil mortes por milhão de habitantes e que possuem mais de 20 milhões de habitantes. Polônia e Ucrânia, que entrariam na lista, foram excluídas pela ausência de dados. O cálculo foi feito pelo Estadão com apoio de Leonardo Bastos, estatístico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Nos países europeus, o cenário foi completamente diferente. O Reino Unido e a França registraram apenas quatro mortes de crianças de zero a nove anos, o que dá uma taxa de 0,5 morte por milhão em cada um dos países. No continente, o maior número foi registrado na Espanha. Lá, a cada um milhão de crianças, três morreram por covid — um décimo do índice brasileiro.

Falta de políticas públicas
A falta de uma coordenação nacional sobre os rumos da educação no País é uma das principais críticas das especialistas. As escolas ficaram fechadas durante praticamente toda a pandemia no Brasil e agora, mais de um ano depois, ainda não há investimentos em readequação da estrutura. Países como o Reino Unido, por exemplo, já lançaram programas nacionais de suporte à educação para reverter as perdas causadas pela pandemia.

"O Ministério da Educação desapareceu, ninguém viu, ninguém sabe. Teve o orçamento cortado em uma época que deveria ter investido na estrutura das escolas", critica Ethel. Ela também fala que faltam critérios para direcionar a abertura e o fechamento de escolas.

>> Lei a matéria completa no Portal Terra, 07/06/2021