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A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, entidade representativa dos profissionais do setor público da educação básica brasileira, REPUDIA de forma veemente a tentativa reiterada de imprimir a imagem de vândalos e terroristas (!!!) aos agricultores da região do município de Correntina/BA que defendem, tão somente, o direito ao uso racional das águas do Rio Arrojado, integrante da Bacia do Rio Corrente, um dos afluentes do Rio São Francisco na Bahia.

Há anos vem acontecendo na região um verdadeiro desastre ambiental causado pela expansão irresponsável do agronegócio que, segundo estimativas, já destruiu quase 70% de todo o cerrado da região do oeste baiano, além da negligência e a absoluta captura do Estado que deveria regular e fiscalizar o uso e apropriação desse bem maior do planeta Terra que é a água. A expansão do agronegócio na região para a produção de soja, milho e café, basicamente, em grandes áreas de uma monocultura destrutiva do meio ambiente, retira e se apropria de uma quantidade de água de quase 110 milhões de litros diários. Para se ter um ideia desse quantitativo, toda a cidade Correntina/BA, com suas quase 35 mil pessoas, consomem aproximadamente 3 milhões de litros de água por dia. Não existe a menor sustentabilidade em um modelo como esse!!

As águas do Rio Arrojado, alvo dessa destruição desde pelos menos a década de 1970, se agravou recentemente quando, em 2015, o Comitê da Bacia do Rio Corrente deliberou que não houvesse mais concessões para uso de recursos hídricos da bacia. O Ministério Público Estadual recomendou, assim, ao Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado da Bahia que não concedesse novas outorgas para grandes empreendimentos na bacia. Mas nada disso segura a ganância do agronegócio! E os órgãos reguladores do Estado, cúmplices do grande capital, se mostram totalmente capturados pelos interesses mais nefastos do agronegócio destruidor.

O episódio ocorrido na última semana, quando pequenos agricultores e moradores da região de Correntina decidiram se manifestar nas fazendas que destroem os seus rios seculares e secam as suas águas ancestrais, é só o aguçamento de uma situação de tragédia ambiental da região. Como já disse Bertolt Brecht, “do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”.

Os/as educadores/as brasileiros/as repudiam a tentativa de criminalização das lutas sociais e se solidarizam com todos os moradores e defensores das águas do cerrado do oeste baiano e, em especial, da região de Correntina/BA. O Rio Arrojado está em agonia e pede socorro! Gritemos, então, por ele!

Brasília, 08 de novembro de 2017

Diretoria Executiva da CNTE