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A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, entidade representativa dos profissionais da educação básica do setor público brasileiro, vem por meio desta se solidarizar com o professor de língua portuguesa do Liceu de Humanidades de Campos, afastado por exercer a sua autonomia pedagógica e liberdade de cátedra, assegurados pela lei que rege o exercício de sua profissão de educador.

No último dia 20 de março, o educador passou uma atividade a turmas do 3º ano do Ensino Médio daquela unidade escolar estadual, que se referia a desenvolver uma redação a partir da sugestão de uma charge de Victor Teixeira, que mostrava os atuais presidentes dos Estados Unidos e do Brasil abraçados em uma cama. De forma absolutamente sem precedentes na vida profissional desse educador, de mais de 15 anos de atividade no magistério, a Secretaria Estadual de Educação (SEEDUC) decidiu afastar o referido professor e abrir um processo de sindicância interno acusando-o de doutrinação ideológica. Nada mais sintomático dos tempos de indigência a que estamos todos submetidos, enquanto sociedade, nos dias que se passam.

De forma acertada e legítima, o referido educador, que agora ganha a solidariedade de todos/as os/as educadores/as brasileiros/as, acusa a secretaria estadual de lhe impor uma censura. Defende-se de forma veemente falando o óbvio: alunos do 3º ano do Ensino Médio, que se preparam para o vestibular, devem, sim, desenvolver consciência crítica sobre a sociedade em que estão inseridos, e a proposta da atividade não era outra senão justamente essa. A partir de uma charge, provocar a reflexão crítica dos estudantes a partir de um dado de realidade comentado nos jornais de todo o país e mundo: as relações de proximidade entre os dois presidentes retratadas pelo artista em sua ilustração.

Nossa postura não poderia ser outra! Toda solidariedade ao educador de Campos de Goytacazes/RJ e nosso mais profundo repúdio à postura adotada pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro que, ao que tudo indica, vem esquecendo dos princípios caros da educação brasileira e se rende, de forma acintosa, às orientações políticas de seu novo chefe, o governador Wilson Witzel. Esse governador que, sem compromisso algum com a educação de seu Estado, sempre preferiu mesmo tripudiar sobre as legítimas homenagens aos heróis do povo brasileiro, como o feito quando, à sua frente, quebraram a placa de homenagem a Marielle Franco, em atividade de campanha nas últimas eleições. Repudiamos, assim, a ação da gestão educacional do Estado do Rio de janeiro, capitulada por essa onda persecutória e de censura explícita, e nos solidarizamos com o professor de forma absoluta, colocando-nos à disposição para a sua eventual defesa jurídica nesse caso.

Brasília, 25 de março de 2019

Direção Executiva da CNTE