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Tempos sombrios rondam a América Latina e Estado de Exceção se amplia na Argentina, com forte repressão política aos trabalhadores da educação. Todo apoio aos educadores/as argentinos/as e às suas entidades de representação sindical! Todo apoio à paralisação nacional do próximo dia 03 de julho!

Não é de hoje que estamos a denunciar o incremento da repressão política em toda nossa região. A retomada do projeto neoliberal em toda a América Latina só pode dar-se mesmo a partir da imposição das forças brutas de segurança nacionais. Os/as trabalhadores/as e o povo de nossos países rejeitam a destruição de direitos e a entrega de nossos patrimônios nacionais e todo esse conjunto de ações dos atuais governantes só pode prosperar, em alguma medida, com o uso da força. Assim nossos governantes entendem e fazem. Definitivamente, são avessos ao diálogo e ao debate. Definitivamente, não gostam de democracia.

O caso mais recente do uso abusivo das forças de segurança para reprimir os trabalhadores em luta deu-se, agora, na Argentina. No último dia 26 de junho, na província de Chubut, na Patagônia argentina, os/as docentes da ATECH (Associação dos Trabalhadores da Educação de Chubut), quando acompanhavam a reunião da Paritária provincial (mesa de negociação) do lado de fora da sede do governo, foram atacados pela polícia de forma violenta e desproporcional, com uso de gás de pimenta e golpes deferidos contra os/as trabalhadores/as. A solução de conflitos não pode ser resolvida à base da força.

Pouco antes, caso similar de brutal repressão aconteceu também em Corrientes, outra província argentina. Dessa vez, toda a brutalidade policial contra os/as trabalhadores/as começou quando, à frente da sede do governo provincial, companheiros/as do SUTECO (Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação de Corrientes) tentavam montar uma barraca para reivindicar aumentos salariais e melhorias nas condições de trabalho. Isso porque nessa província, a exemplo do caso federal, os/as trabalhadores/as exigem a instalação e funcionamento da Paritária Nacional Docente e da Paritária Provincial (mesas de negociação nacional e provincial), que sequer existem. Isso bastou para que a truculência da polícia atingisse homens e mulheres que ali estavam apenas exercendo o seu legítimo direito à manifestação.

O mais estarrecedor é o caso de Buenos Aires, onde estão distribuindo nas escolas da capital uma espécie de guia de como proceder quando as forças de segurança solicitarem informações ou a retirada (!!!) de algum estudante da escola. A direita neoliberal não tem mais limites éticos e por isso repudiamos e denunciaremos esse caso estarrecedor ao mundo!

É urgente que o ministro argentino da educação assuma sua condição de ministro! A educação não se faz sem educadores/as! Os/as trabalhadores/as em educação não porão fim às suas reivindicações e mobilizações com o aumento da repressão! Ao contrário, a repressão só atiçará o movimento de resistência em todo o país.

O incremento da repressão é o caso mais evidente da consolidação do Estado de Exceção verificado em vários países de nossa região. Por isso todo apoio à Paralisação Nacional do próximo dia 03 de julho, convocada para acontecer em Buenos Aires, com mobilização no Ministério da Educação! Como repetido pelas principais lideranças da CTERA (Confederação dos Trabalhadores em Educação da Argentina), a repressão é o limite! Se tocam em um, tocam em todos!

Brasília, 28 de junho de 2018

Diretoria Executiva da CNTE