“Para que as luzes do outro sejam percebidas por mim devo por bem apagar as minhas, no sentido de me tornar disponível para o outro” - Mia Couto

É com grande consternação que a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, entidade representativa dos/as profissionais da educação básica do setor público brasileiro, toma conhecimento do que está a ocorrer com a professora e vereadora do município mineiro de Mário Campos, Andresa Aparecida Rocha Rodrigues. A vereadora do Partido do Trabalhadores teve seu filho de 26 anos morto no crime cometido pela mineradora Vale do Rio Doce em Brumadinho, no último dia 25 de janeiro deste ano.

Andresa mergulhou em um drama que só quem é mãe e passa pelo que esta mulher passou sabe mensurar o tamanho desse sofrimento, se mesmo assim isso for possível. Durante cerca de dois meses, essa mãe lutou como uma heroína em busca do corpo de seu filho, até que depois desse período, o Instituto Médio Legal – IML pôde, enfim, liberar o seu corpo para, só assim, essa mãe ter direito a enterrar e velar o seu filho.

Recebemos com grande indignação a notícia de que, nesse período de busca pelo corpo de seu filho, a Câmara de Vereadores de Mário Campos/MG expediu um documento que deveria ser respondido por todos os vereadores do município mas que, em função dessa luta diuturna de uma mãe em busca do corpo de seu filho, não foi possível atender o prazo. Estarrecedor foi a postura do Presidente da Câmara de Vereadores de Mário Campos que, em um ato absolutamente desumano, agora indica um processo administrativo contra a vereadora Andresa por não ter respondido o referido documento no prazo estipulado, que coincidiu com o período de aflição por qual ela passou e nela deixou marcas indeléveis.

Se não bastasse todo o sofrimento que essa mãe passa até os dias de hoje, a Câmara de Vereadores do referido município ainda instaura uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a ausência de uma resposta, não protocolada no prazo requerido. A insensibilidade a dor de uma mãe não encontra eco e não condiz com nenhuma ação razoável e mesmo minimamente humana.

Os/as educadores/as de todo o Brasil acompanham de perto esse caso e exigem do presidente da Casa uma postura a altura do que se pode esperar de um presidente de uma casa legislativa, em especial porque, mais ainda, trata-se de uma companheira sua no Parlamento municipal. A instauração de uma CPI contra a vereadora, ainda devastada com a perda irreparável de um filho, só aumenta a dor dessa família. Não nos omitiremos em reverberar esse caso em todo o Brasil. Cobramos uma postura sensata dos vereadores de Mário Campos/MG e exigimos uma resposta minimamente razoável no trato dessa questão.

Brasília, 03 de junho de 2019
Direção Executiva da CNTE