SOLIDARIEDADE

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A exemplo do que ocorre no Equador, o Chile vive uma verdadeira rebelião popular contra as medidas de ajuste econômico propostas pelos governos em nossa região. Desde o anúncio de um aumento nas tarifas públicas de transporte do país, a sociedade chilena entrou em uma verdadeira convulsão social, com o seu povo ocupando as ruas nas principais cidades do país andino.

Trata-se de mais um exemplo de como as políticas neoliberais não servem ao nosso povo e tampouco representam qualquer possibilidade de futuro para as grandes maiorias sociais.

As manifestações populares que não param de crescer no Chile indicam o esgotamento histórico das políticas neoliberais, justamente no país que, usado à exaustão como principal modelo a ser seguido na América Latina, passa a compor o cenário de descontentamento social com as políticas de ajuste fiscal impostas aos povos de toda a região. No Brasil, o modelo de capitalização da previdência social imposta à sociedade se inspira naquele realizado ainda no período de ditadura militar no Chile.

A sociedade chilena ocupa as ruas do país nos últimos dias, enfrentando a desfaçatez de suas elites políticas e econômicas que, aproveitando-se do clima político, impõem a todo o país medidas de ataques às liberdades individuais e coletivas. Com o histórico de ter vivido uma das ditaduras mais sanguinárias no continente, o governo chileno insiste em reproduzir as práticas de violência estatal contra o seu povo. O governo de Sebastián Piñera aguça o conflito interno do país, alimentando uma retórica de violência: “estamos em guerra!”, disse o presidente que não se porta como um chefe de Estado.

Ao invés de retroceder em suas políticas de ajuste, o presidente usa de seu Exército e polícia para reprimir brutalmente, e com uma violência desproporcional e descabida, o seu próprio povo!

Pela primeira vez desde o governo militar de Pinochet, e com a desfaçatez típica dos tiranos, o atual presidente Piñera decreta um toque de recolher no país, proibindo reuniões e aglomerações, e vai para a rua comer pizza.

Trata os seus cidadãos como marginais e terroristas, em vez de reconhecer publicamente a enorme desigualdade a que o país está submetido, com uma educação das mais caras do mundo,  um sistema de saúde e de previdência social falidos e de salários miseráveis. As suas forças de segurança, recorrendo a homens armados e à paisana no meio das multidões, com vídeos indicando o uso indiscriminado de drogas por parte de suas tropas antes de atacarem violentamente a população, fazem jus ao período tenebroso de sua ditadura militar. Apesar de o número oficial indicar que já são 11 os mortos em conflitos de rua, notícias dão conta de que já passam de 15 o número de chilenos brutalmente assassinados.

O país que ficou conhecido como o laboratório do neoliberalismo no continente clama, hoje, por justiça, paz e liberdade! Os/as educadores/as de todo o Brasil se solidarizam com o povo irmão chileno e exigem de seu governo o cessar imediato de toda a violência contra a sua população, que ocupa as ruas de seu país em legítima defesa! É fundamental que o presidente Piñera assuma o  papel de estadista e convoque ao diálogo toda a sociedade, revogando imediatamente todas as nefastas medidas que atingem o seu próprio povo!

Brasília, 21 de outubro de 2019
Direção Executiva da CNTE

 

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