INTEGRAÇÃO REGIONAL

 

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A Central Única dos Trabalhadores – CUT e a Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação – CNTE tomam conhecimento do anúncio realizado pelo Ministro Abraham Weintraub da saída do Brasil do setor de educação do MERCOSUL. O anúncio foi feito através de suas redes sociais e, ainda sem comunicação oficial ao bloco, disse que os acordos agora só se darão com os países de forma bilateral.

É estarrecedor como se dão as decisões políticas desse governo, tanto na forma como no conteúdo de suas definições. Ao anunciar essa grave decisão, rompendo com um histórico de participação brasileira em um espaço que, desde sua fundação em 1991, faz parte de uma política de Estado de integração regional, o ministro da Educação, na sua forma vulgar de tratar a política, insiste em apequená-la. O Twitter virou o diário oficial deste governo fanfarrão e palco da verborragia mais indigente que se tem notícia.

A motivação dada pelo ministro sobre essa repentina saída do Brasil do setor da educação do MERCOSUL, no momento em que o país ocupa a presidência rotativa do bloco, é de que os ministros da Argentina e do Uruguai não vieram à reunião, algo absolutamente normal diante do recente processo eleitoral de ambos os países. A oficialização do ato, inclusive, é posta em dúvida por especialistas em relações internacionais que dizem não ser possível a saída do país do Bloco apenas de uma de suas Câmaras Temáticas enquanto ainda se mantiver como membro pleno do MERCOSUL.

Os prejuízos com esse tipo de postura podem ser muitos e vão desde o reconhecimento de equivalência dos estudos no âmbito da educação básica dos estudantes que estão fora do país até o sistema de acreditação de cursos de graduação do MERCOSUL. Sem falar em todo arranjo de fomento e pagamento de bolsas a muitos estudantes. Mas o principal prejuízo talvez venha mesmo do ataque à promoção e consolidação de uma consciência política favorável à integração regional, processo que demorou anos a ocorrer nos países de Europa, por exemplo, quando da construção da União Europeia. Essa será a principal mácula desse desastroso processo que o pior ministro da educação de toda a história republicana brasileira está a nos impor.

A representação dos/as trabalhadores/as nesses espaços internacionais está consternada com a gana de destruição que o atual governo brasileiro impõe ao processo civilizatório. Urge barrar o desvario dos atuais governantes brasileiros que, para além da vergonha internacional que nos causam, trazem consequências sérias para o conjunto da sociedade. Repudiamos de forma veemente mais uma atrocidade desse governo que não prosperará em sua política de destruição!

Dezembro de 2019

Central Única dos Trabalhadores - CUT
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação - CNTE