MACHISMO

 2022 06 03 nota publica 2

É estarrecedor o baixo nível dos representantes políticos brasileiros em pleno século XXI. No último dia 01 de junho, em sessão da Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, o deputado Rodrigo Valadares (União Brasil) ofendeu a todas as mulheres brasileiras quando, em debate no Plenário daquela Casa Legislativa, se referindo ao SINTESE (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe), disse textualmente que sindicato “é igual mulher que gosta de apanhar do marido”.

Se não bastasse a agressão gratuita contra uma entidade representativa de uma categoria que, além de ser majoritariamente feminina, representa mais de 30 mil professores e professoras da rede pública de ensino do Estado, o deputado ainda agride às milhões de mulheres brasileiras. Sem pudor, a fala do deputado escancara o seu machismo e misoginia. Em apenas uma frase, o representante eleito pelo povo sergipano para defender seus interesses ofende uma entidade representativa de trabalhadores/as, verdadeira interlocutora de expressivo segmento dos/as funcionários/as públicos de Sergipe, bem como às mulheres do seu Estado e do próprio país. Filho de uma promotora de Justiça do Estado e certamente, quando criança e jovem, estudante de muitas professoras, o deputado deveria, no mínimo, renunciar ao cargo eletivo que hoje ocupa também por confiança, certamente, de muitas mulheres.

A fala do deputado envergonha a nós todos/as como seres humanos. Certamente deve tê-la proferido achando que estaria sendo engraçado ou, o que é pior, nela não veria problemas. A sua formação em Direito não lhe formou o caráter necessário para honrar o cargo que hoje ocupa.

À Assembleia Legislativa do Estado, urge abrir um processo disciplinar contra o autor desse horrendo pronunciamento. Nenhum pedido de desculpas às mulheres brasileiras e, quiçá, a muitas de suas eleitoras no Estado o isentará da pecha de um homem machista e misógino que, nesse dia, ele foi. Qualquer retratação não será suficiente para apagar essa mácula em seu tão curto currículo de homem público, que hoje o é somente porque o povo sergipano assim o permitiu. Mas certamente, depois dessa sua fala, ele terá dificuldades em sua próxima eleição, se assim ele pretender. Se ele fez esse tipo de comentário em uma sessão pública do parlamento estadual de Sergipe, não queremos nem imaginar o que ele deve falar entre amigos ou em ambientes fechados.

Os/as educadores/as brasileiros/as repudiam o machismo e a misoginia de quem quer que seja. Nos solidarizamos com as mulheres de Sergipe, às educadoras do Estado e ao SINTESE, esses, sim, motivos de orgulho do povo sergipano e de todo o Brasil.

Brasília, 03 de junho de 2022
Direção Executiva da CNTE