TRUCULÊNCIA

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Na manhã da última sexta-feira (24/06), a Polícia Militar do Estado do Mato Grosso do Sul e fazendeiros da região de Amambai, município localizado ao sul do Estado, invadiram sem ordem judicial uma fazenda e mataram a tiros um jovem Kaiowá. Não bastou o trauma internacional com as mortes do jornalista inglês Dom Phillips e o indigenista da FUNAI Bruno Araújo. Continuam a matar nossos povos originários em um país que está sem lei e desgovernado!

Considerado e chamado pelo povo Guarani Kaiowá da região como “Território de Guapoy”, a fazenda foi invadida por fazendeiros armados e, como verdadeiros senhores de engenho e coronéis, acompanhados pela Polícia Militar do Estado. Com a violência e a truculência que marcam uma polícia que virou milícia dos poderosos, começaram a atirar balas de borracha contra os indígenas que lá estavam. Crianças, jovens e mulheres Kaiowá estão sendo massacrados em uma operação dentro de um território indígena deles subtraído que, sem o acompanhamento da Polícia Federal, a quem cabe por direito a intervenção nessas áreas, estão cercados em mais um evento de violência estatal contra nossos povos originários.

O indígena morto por três perfurações de balas de arma de fogo é mais uma vítima de uma situação que já conta com mais de 11 feridos, entre eles duas jovens Kaiowá de 22 e 13 anos. O cerco realizado na última sexta-feira mantém um aparato de mais de 100 policiais, em uma operação truculenta que faz uso até de helicópteros. É urgente que façamos a denúncia de mais esse ataque violento contra nossos povos e territórios indígenas do país!

Os/as educadores/as de todo o Brasil exigem a retirada da PM da região e clamam pelo fim do conflito e morte de nosso povo. O envolvimento do Governo do Estado do Mato Grosso do Sul no caso deve ser acionado judicialmente diante do uso desproporcional da força feita por sua PM. A Polícia Federal e a FUNAI devem ser imediatamente convocadas para pôr fim a mais esse ataque, em um Estado que, em 2016, já presenciou o massacre contra os Guarani Kaiowá, no município de Caarapó (MS).
Não é possível mais tolerar tanto desmando em nosso país. Exigimos o afastamento do atual presidente da FUNAI, delegado da Polícia Federal Marcelo Xavier, cúmplice das atuais políticas empreendidas pelo órgão. Urge, mais do que nunca, em nome de nossas vidas, o fim desse governo genocida de Bolsonaro!

Fora Xavier! Fora Bolsonaro! Em defesa dos povos e territórios indígenas de nosso país!

Brasília, 25 de junho de 2022
Direção Executiva da CNTE