MANIFESTAÇÃO

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Nesta quarta-feira (30), petroleiros, bancários, professores, metalúrgicos, trabalhadores e trabalhadoras dos Correios, servidores públicos, terceirizados e de várias outras categorias profissionais e até os que estão desempregados vão ocupar a esplanada dos Ministérios em Brasília (DF), para defender as estatais brasileiras, a soberania do país, direitos e os empregos. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, avalia: “O governo Bolsonaro está destruindo a Amazônia, a legislação trabalhista, tem planos para destruir a estrutura sindical e quer entregar nossas empresas estatais”.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) se soma à classe trabalhadora que estará nas ruas de Brasília cobrando do governo federal o compromisso com a soberania nacional, o cumprimento de direitos sociais e a geração de empregos. Para o presidente da CNTE, Heleno Araújo, ainda há uma grande demanda social pelo direito à educação: "Acredito que o futuro da profissão docente e do conjunto dos profissionais da educação está mais atrativo do que nunca. São 2,8 milhões de pessoas de 4 a 17 anos de idade que deveriam estar na escola, mas estão fora da escola. Você tem aí uma perspectiva de geração de empregos para profissionais atuarem na pré-escola, então já dá pra formar um grupo de professores com nível médio, com curso de magistério, para atuar e ter emprego garantido em todas as prefeituras do Brasil".

Na avaliação de Heleno Araújo, o direito à educação precisa ser plenamente cumprido pelo Estado, que deve oferecer ensino para todos: "Ainda temos alunos fora dos anos iniciais do ensino fundamental, que ainda não completou 100% das matrículas. Essa história de alcançar 97,5%, que é importante, mas o direito deve ser concedido para 100% da população. Então quando você coloca 2,5% de estudantes de 6 a 14 anos, que estão fora da escola, para o tamanho da população do Brasil, é muita criança fora da escola. Então para você atender é preciso dos profissionais da educação, do porteiro, da merendeira, do pessoal da secretaria, da limpeza, dos professores, das professoras, especialistas, tem que ter concurso público para dar conta dessa demanda para garantir emprego, seja das pessoas que estão sem emprego ou das que estão trabalhando com contratos temporários, de forma precária, por governos municipais ou estaduais".

Em relação ao investimento do Estado no ensino básico, a CNTE está promovendo uma campanha para tornar o Fundeb permanente e com mais recursos, para garantir um ensino com qualidade e que atenda todas as famílias. Saiba mais sobre a defesa da CNTE.

O Brasil tem uma população de jovens que nem estudam e nem trabalham, de 15 a 19 anos de idade. Para Heleno Araújo, estes alunos também têm o direito de estar na escola: "O poder público expulsa essas pessoas, como expulsaram os adultos e os idosos. São 80 milhões de brasileiros e brasileiras com 19 anos ou mais que não concluíram a educação básica. Temos uma demanda social enorme e o Estado tem o dever de garantir esse direito. Para isso precisa ter professores, profissionais da educação, concursados, com salários decentes, com carreira, pra dar conta dessa demanda".

Neoliberalismo

Na avaliação da CUT, as medidas neoliberais, privatistas e contra os interesses dos trabalhadores e as trabalhadoras implementadas nestes 10 meses de governo de Jair Bolsonaro (PSL), que entregou tudo nas mãos de Paulo Guedes, ministro da Economia, têm afetado a soberania nacional, aumentado a desigualdade, o desemprego e têm deixado os brasileiros e as brasileiras cada vez mais distantes do sonhar com um mundo melhor e mais justo.

Heleno Araújo explica que essas políticas atacam de maneira intensa a educação e seus trabalhadores: "O estado neoliberal, como é o governo de extrema direita fascista de Bolsonaro, somado ao golpe que foi dado em 2016, que impôs a Emenda Constitucional 95 - que tira dinheiro da educação - e promoveu a Reforma do Ensino Médio, precariza o trabalho do professor. Essa onda da reforma trabalhista, da terceirização irrestrita, são medidas para fazer economia nas políticas públicas, principalmente na área de educação, para sobrar dinheiro para o governo federal pagar juros de dívidas". Na visão de Heleno Araújo, o dinheiro é retirado da educação pública, um direito previsto na Constituição, para ser colocado nos bancos: "Com isso, nós temos os bancos ficando mais bilionários a cada ano. O último balanço de lucro dos bancos em julho de 2019 foi para mais de 109 bilhões de reais de lucros. Não só os bancos ficaram mais ricos: o Brasil teve 16 super ricos a mais entre 2018 e 2019. Em 2018 o Brasil tinha 42 pessoas que eram bilionárias e em 2019 passou para 58. E da onde veio esse dinheiro? É dinheiro público que era para saúde, educação, políticas públicas, recursos que o governo federal está segurando e pagando para os bancos, pagando para renda dessas pessoas que já têm muito dinheiro. Essa aberração ataca os direitos dos professores e a demanda da sociedade brasileira pelo direito a educação."

Soberania

“O projeto Bolsonaro é de entregar as empresas públicas, nossa riquezas e soberania essenciais para o desenvolvimento do país e fundamentais para fazer o Brasil voltar a crescer”, disse o Secretário-Geral da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues, que também é professor. Para ele, a educação está mobilizada em torno desta bandeira porque o financiamento de uma educação pública e de qualidade depende dos royalties do pré-sal, que estão ameaçados por este governo. “Entendemos que parte da soberania nacional também diz respeito a financiar serviço público de qualidade, como educação e saúde. A entrega das empresas estatais e de nossas riquezas significa também não ter investimento em políticas públicas tão importantes para enfrentar a desigualdade social do país”, afirmou o dirigente.

(Com informações da CUT Brasil)

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