"Eu tinha duas opções, a primeira era permanecer calada e esperar para ser assassinada. A segunda era erguer a voz e, em seguida, ser assassinada. Eu escolhi a segunda. Eu decidi erguer a voz.” - Trecho do discurso de Malala Yousafzai ao receber o Prêmio Nobel da Paz

Aos 17 anos, a ativista paquistanesa Malala Yousafzai foi a vencedora do prêmio Nobel da Paz de 2014. A mais jovem ganhadora do prêmioe m 112 anos de história dividiu a premiação com o indiano Kailash Satyarthi - ambos são ativistas por direitos fundamentais de jovens e crianças e pelo direito de todos à educação.

Mas é o ativismo de Malala Yousafzai que se destaca pela coragem de defender, mais especificamente, a educação de mulheres em seu país. A estudante nasceu e cresceu no Vale de Swat, no noroeste do Paquistão, local onde muitas vezes se espera que as mulheres fiquem em casa para cozinhar e criar os filhos.As autoridades afirmam que apenas metade das meninas frequentam a escola.

No início da infância de Malala, a educação das meninas era realizada sem muito questionamento. No entanto, nos anos 2000, a influência do talibã foi se tornando cada vez maior, até que o grupo dominou a região, em 2007.

Em 2009, a jovem ativista começou a escrever o blog “Diário de uma Estudante Paquistanesa” para a BBC Urdu, no qual falava sobre sua paixão pelos estudos e as dificuldades enfrentadas no Paquistão sob domínio dos talibãs.O blog era escrito sob pseudônimo, mas logo se tornou conhecido, e a identidade de Malala foi revelada.

Em 2012, por ousar defender em público a educação feminina, Malala, juntamente com suas amigas, sobreviveu a um atentado em um ônibus escolar. A jovem foi baleada no pescoço e na cabeça. Foi socorrida e logo transferida para um hospital em Birmingham, na Inglaterra, onde vive até hoje com sua família. Apesar de receber muito apoio ao redor do mundo, ela continua a receber diversas ameaças.

Em declaração para a imprensa, a ativista afirmou que sua inspiração vem de Benazir Bhutto, que foi duas vezes primeira-ministra do Paquistão antes de ser assassinada, em 2007. Também declarou que deseja seguir carreira política: “Quero servir ao meu país e meu sonho é que ele se transforme em um país desenvolvido e que cada criança seja educada”.

Saiba mais no site oficial da Malala: www.malala.org

Clique aqui para ler o discurso da Malala na ONU (tradução Carlos Alberto Barbaro)

Acesse o arquivo em PDF da Revista Mátria 2015