Após o golpe que retirou Dilma Rousseff da presidência, as integrantes do Fórum Nacional de Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais (FNMT) vêm se reunindo para debater a atual conjuntura e organizar a resistência ao golpe. “A unidade das mulheres do Fórum das Centrais é fundamental para que possamos barrar as perdas de direitos. Apesar das diferenças de cada central, o Fórum foca na luta em defesa das trabalhadoras”, explica Juneia Martins Batista, Secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Entre as ações de 2017, o Fórum vai priorizar o combate à reforma trabalhista e à da previdência, temas que serão pauta de manifestações ao longo do ano. Para isso, as lideranças já estão mobilizando os presidentes das centrais sindicais e se articulando com movimentos populares diversos. Para Ivânia Pereira, Secretária
Nacional da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “o enfrentamento à pauta conservadora tem que combinar uma discussão
ampla na sociedade, que nos permita desvendar e desconstruir as amarras da cultura milenar que estruturou e consolidou as desigualdades de gênero”. Ivânia reafirma o compromisso da CTB com a defesa dos direitos humanos das mulheres e em geral, como instrumento da construção de um mundo justo, fraterno e livre de toda forma de opressão.

É consenso entre as centrais sindicais de que a proposta do governo federal de reformar a previdência retira direitos da classe trabalhadora. Na avaliação de Juneia Batista, igualar o tempo com os homens é o primeiro grande problema da proposta apresentada pelo governo federal: “As mulheres podem até viver mais, como muitos estudos apontam, porém elas têm tripla jornada - ainda são, majoritariamente, responsáveis pelas tarefas domésticas”, ressalta. Para ela, a reforma da previdência vai afetar
ainda mais as mulheres rurais que, além de ter de trabalhar mais 10 anos para se aposentar, terão de contribuir para receber o benefício: “As mulheres do campo começam a trabalhar muito mais cedo e ainda ganham um salário mínimo”, pontua.

O Fórum Nacional de Mulheres Trabalhadoras vai seguir lutando contra a PEC 55, agora Emenda Constitucional 95, promulgada pela Câmara dos Deputados, alertando
sobre o retrocesso desta medida. Além disso, continuará nas ruas pelo fim da violência contra mulher: “Para barrar o retrocesso só tem um jeito: ir pra rua!”, resumiu Juneia Batista.

O Fórum Nacional de Mulheres Trabalhadoras (FNMT) é formado por representantes das centrais CUT, CTB, UGT, Força Sindical e Nova Central.

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