De repente, com a virada do ano, uma chave invisível também virou o mundo, quer dizer, esse nosso mundo chamado Brasil. Nosso país deu uma guinada de 180° e, sob nova direção, parece ter voltado para trás, a um tempo em que “menino veste azul e menina veste rosa”; pelo menos nas palavras da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Uma declaração que, aliás, suscitou um dos nossos piores temores: será que o medo, enfim, venceu a esperança?

É muito grave o que acontece no nosso país. Não podemos legitimar as atrocidades e o avanço do conservadorismo que acontecem todos os dias em suas várias expressões, com apatia e silêncio.

Nesta edição, Mátria renova as esperanças e conclama mulheres e homens para ir à luta pelos seus direitos de existir, de pensar livremente, de conquistar a igualdade, a equidade e o respeito. Não ao retrocesso, ao preconceito e ao fascismo foram palavras gritadas antes, durante e depois das urnas. E são repetidas nas páginas que se seguem, ditas por mulheres corajosas, como as nossas representantes
na política, nos quilombos, nas salas de aula, na indústria e no comércio. Todas de mãos dadas pela resistência, pelo avanço das conquistas e pelo orgulho de ser mulher. E ninguém solta a mão.

Mátria mostra que as mulheres estão cada vez mais presentes na agenda política. As presidentes do PT e do PCdoB fazem uma avaliação da conjuntura, professoras e sindicalistas eleitas dão uma aula de política e cidadania, e a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), única mulher eleita para o cargo executivo nesta eleição. Em entrevista exclusiva, a governadora fala de educação, da conjuntura atual do Brasil e de diversos outros assuntos.

A Revista apresenta ainda artigos contundentes, como a defesa da igualdade racial feita pela mestra em Educação e Políticas Públicas Elizangela Silva; ou a tomada de posição pela igualdade de gêneros, debatida na Internacional da Educação para a América Latina, e apresentada aqui pela costa-riquenha mestra em Pedagogia Gabriela Sancho Mena; ou pela também latino-americana, a argentina Yamile Socolovsky, que não teve medo de botar o dedo na ferida da questão da legalização do aborto.

As páginas de Mátria também trazem tristes histórias de mulheres que foram mortas, violentadas e vitimadas por uma sociedade que ainda teima em lhes virar as costas. É um grito de socorro contra essa estatística violenta, que não livra a cara – muito menos o corpo – nem de meninas; como é o caso da pequena Soraya (nome fictício) que, aos 13 anos foi abusada por um traficante e está grávida.

Gravidez na adolescência é outro tema presente nesta edição, em matéria repleta de histórias de superação e relatos emocionantes. As famílias modernas também mereceram destaque na matéria que fala da diversidade. A começar pelas celebrações como o Dia da Família.

Mais do que nunca, a hora é agora de disseminar a Mátria dentro das escolas, como um instrumento para estimular o debate sobre direito e igualdade de gênero, democracia e um mundo com igualdade de oportunidades para todos e todas. Existimos, resistimos e não nos deixaremos vencer pelo medo que paralisa e nos faz submissas. Pois, como nos diz Paulo Freire, devemos sempre "lutar para fazer melhor". E o medo desses velhos novos tempos com a ousadia de vencê-lo e transformá-lo em luta, nos move sempre em frente. Boa leitura!

Diretoria Executiva da CNTE