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35° Congresso da CNTE reúne 2 mil educadores de todo Brasil

Unidade, resistência e compromisso com a educação pública marcam o início do maior encontro da categoria, com críticas à privatização, às escolas cívico-militares e defesa da valorização dos profissionais

Publicado: 15 Janeiro, 2026 - 20h01 | Última modificação: 15 Janeiro, 2026 - 20h54

Escrito por: CNTE | Editado por: CNTE

Foto: Vinicius de Melo
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A cerimônia de abertura do 35º Congresso da CNTE, nesta quinta-feira (15), em Brasília, foi marcada por simbolismo, posicionamentos firmes em defesa da educação pública e pela unidade entre entidades sindicais, estudantis, educacionais e partidárias. O evento, que conta com a participação de 2 mil delegados/as das entidades filiadas à CNTE, de todas as regiões do Brasil, teve início com a execução do Hino Nacional Brasileiro. Na sequência, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, saudou os participantes. 

Boulos apontou três compromissos centrais do governo do presidente Lula com a educação. O primeiro deles é a posição firme contra a privatização das escolas públicas. O segundo ponto destacado foi o enfrentamento ao avanço das escolas cívico-militares. Para o ministro, “a escola é lugar de professor e não de militar”, ressaltando que a educação não pode abrir mão desse princípio. O terceiro compromisso abordado foi a valorização dos profissionais da educação, pauta que, segundo ele, está “no DNA e na prática” da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e de seus sindicatos.

O ministro também fez um contraponto com governos anteriores, lembrando que, em outros períodos, projetos buscaram atacar os direitos dos servidores públicos ao tentar apresentá-los como detentores de “privilégios”. Nesse contexto, destacou que “quem tem privilégio neste país são os milionários”, citando iniciativas do governo Lula, como projetos de lei voltados à taxação dos super-ricos.

Ao encerrar sua intervenção, Guilherme Boulos afirmou que a educação ocupa um papel central na disputa política do país, por ser fundamental para evitar que a população “caia em falácias e fake news”. Segundo ele, todas as vezes que a direita chega ao poder, a educação é atacada, justamente pelo medo de “uma população estudada e consciente”.

Luta coletiva

O presidente da CNTE, Heleno Araújo, destacou a importância da continuidade da luta coletiva, afirmando que “precisamos dar sequência neste trabalho de manutenção da nossa profissão e da nossa educação”. Para ele, não existe um caminho perfeito a ser percorrido, e, muitas vezes, não se reconhece o peso das políticas públicas nesse processo. Segundo Heleno, o caminho da educação não é construído individualmente, pois “o caminho que se faz ao caminhar não se faz sozinho, faz-se sempre juntos”.

O presidente da CNTE também ressaltou o significado de o movimento educacional seguir reunido no 35º Congresso da entidade, mesmo após anos de ataques à educação pública. Para ele, o fato de o congresso acontecer demonstra resistência frente à extrema direita e aos negacionistas da ciência que fazem chacota da educação. Heleno destacou ainda que a categoria segue lutando para avançar nos direitos da educação e defendeu a necessidade de preparar as ações para os próximos quatro anos. Ao final de sua intervenção, declarou oficialmente aberto o 35º Congresso da CNTE.

Convidados

A mesa de abertura contou com a presença de de representantes do movimento estudantil, como Hugo Silva, presidente da UBES, e Madu Chaves, vice-presidenta da UNE no Distrito Federal. Participaram, ainda, representantes partidários, entre eles a senadora Teresa Leitão, pelo PT; Nivaldo Santana, membro da Direção Nacional do PCdoB; e Pedro Ivo, porta-voz da REDE Sustentabilidade no Distrito Federal. Miriam Fábia, do Fórum Nacional de Educação (FNE), e Luiz Miguel Garcia, da UNDIME, também marcaram presença.

A cerimônia também contou com saudações de diversas entidades sindicais e educacionais, entre elas a CONLUTAS, representada por Joaninha de Oliveira; a Intersindical; o PROIFES, por meio de seu presidente Wellington Duarte; a CONTEE, representada pelo coordenador-geral Railton Nascimento Souza; a CTB, com o presidente interino Ronaldo Leite; e a CUT, representada pelo secretário de Finanças Ariovaldo de Camargo. Também participaram entidades internacionais, como a IEAL, presidida por Sonia Alesso, e a Internacional da Educação, representada por seu presidente Mugwena Maluleke, além da CPLP-SE.

A senadora Teresa Leitão reforçou o compromisso histórico da categoria com a educação. Segundo ela, “muitas coisas que hoje são leis nasceram da luta desta dos trabalhadores”, destacando o papel do movimento educacional na construção de políticas públicas. A senadora também defendeu que o campo educacional siga o exemplo do governo Lula e se posicione de forma firme contra as escolas cívico-militares.

Ao longo da cerimônia de abertura, tornou-se recorrente a defesa da reeleição do presidente Lula como estratégia para garantir a continuidade das políticas públicas voltadas à educação, aos direitos sociais e à valorização dos profissionais do setor.