[AL] Feminismo para garantir democracia
Publicado: 09 Março, 2026 - 09h49
Escrito por: SINTEAL | Editado por: SINTEAL
A mobilização feminina foi decisiva para enfrentar o bolsonarismo e a extrema-direita nos últimos anos. Em mais um ano eleitoral, não será diferente. Precisamos de um projeto de país que enfrente desigualdades estruturais e coloque a vida acima do lucro. A organização feminista permanente é ferramenta estratégica para barrar retrocessos e ampliar direitos.
Defendemos um feminismo popular, enraizado na realidade concreta das trabalhadoras do campo, da cidade, das águas e das florestas, com uma reforma agrária popular, com demarcação e terras indígenas e fortalecimento da agroecologia e da economia solidária feminista. Nossa diversidade é força contra o capitalismo racista e patriarcal que explora a classe trabalhadora e controla territórios.
Essa luta não nasce nos gabinetes nem nos discursos abstratos, mas da experiência concreta de mulheres que são o pilar da vida cotidiana do Brasil. As trabalhadoras domésticas, as agricultoras familiares, as catadoras de recicláveis, as professoras, as profissionais da saúde, as mães solo e tantas outras que enfrentam diariamente a precarização do trabalho e a ausência de políticas públicas são o rosto do dia a dia deste país.
Por isso, a construção de um projeto feminista de país passa pela defesa de direitos e ampliação da democracia. Passa por disputar os rumos do Estado brasileiro na economia, no orçamento público e nas políticas públicas sociais e de desenvolvimento enfrentando a concentração de riqueza e poder. Sem isso, qualquer promessa de igualdade é só retórica vazia.
O ano de 2026 começa com a reafirmação do que os movimentos de mulheres já vêm dizendo há anos: não existe democracia possível com neoliberalismo e fascismo avançando sobre nossos corpos, territórios e direitos. No Brasil e no mundo, estamos na linha de frente da resistência contra um modelo que concentra renda, precariza a vida e tenta nos empurrar de volta à subordinação patriarcal, racista e heteronormativa.
O 8 de Março é símbolo dessa luta histórica, desde as mulheres que impulsionaram a revoluções contra a fome e a guerra até as que hoje enfrentam jornadas exaustivas, salários precários e violência cotidiana.
O fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e políticas públicas que socializem o cuidado são pautas feministas, afinal de contas, de acordo com o IBGE, as mulheres trabalham 9,6 horas a mais que os homens em afazeres domésticos ou cuidado de pessoas, e isso tudo se acumula com a extensiva jornada de trabalho. Também exigimos reparação às mulheres negras e indígenas e debate sério sobre o orçamento público. Não há igualdade possível com cortes sociais e recusa em taxar os mais ricos.
A violência patriarcal, materializada nos feminicídios, lesbocídios e transfeminicídios, não é fato isolado, mas instrumento político de controle. Em um cenário internacional marcado por ofensivas imperialistas, como os ataques dos Estados Unidos a vários países e o genocídio na Palestina, a economia de guerra reforça desigualdades e autoritarismos.
Não somos mercadoria. Defendemos bens comuns, serviços públicos e soberania popular. Em 2026, a tarefa é clara: impedir o retorno da extrema-direita e seu conservadorismo patriarcal ao poder e seguir em marcha até que todas sejamos livres.