CNTE marca presença em workshop do MEC sobre saúde docente
Encontro teve como objetivo aprofundar a compreensão sobre o crescente adoecimento docente e o absenteísmo na educação básica pública
Publicado: 27 Março, 2026 - 18h17 | Última modificação: 27 Março, 2026 - 18h35
Escrito por: CNTE | Editado por: CNTE
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) marcou presença no workshop promovido pela Secretaria de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino (SASE) do Ministério da Educação (MEC). O encontro, que ocorreu nesta sexta-feira (27) em Brasília (DF), reuniu pesquisadores, gestores e representantes da comunidade escolar para aprofundar a compreensão sobre o crescente adoecimento docente e o absenteísmo na educação básica pública, buscando delimitar os objetos de investigação para uma futura pesquisa nacional sobre o tema.
A programação do dia foi dividida entre exposições teóricas e um debate prático. Na parte da manhã, especialistas como Ada Assunção (UFMG) e Tânia Maria de Araújo (UEFS/INCT) apresentaram evidências sobre os riscos psicossociais no trabalho e o impacto na saúde mental dos professores.
A secretária de Assuntos Educacionais da CNTE, Guelda Cristina de Oliveira, também apresentou suas contribuições e defendeu que o foco do debate no MEC precisa ir além dos sintomas, mirando as causas estruturais do problema. “Na nossa concepção enquanto CNTE, esse adoecimento é reflexo do clima organizacional e estrutural do espaço das escolas, da cobrança excessiva, da sobrecarga de trabalho, da insuficiência de condições de trabalho no espaço das escolas, do número excessivo de estudantes por turma e da incerteza que os profissionais da educação têm sentido no espaço da escola, a ausência de autonomia dentro da organização curricular”, explica.
A dirigente também compartilhou uma pesquisa realizada em Minas Gerais - e que em breve será publicada em um livro - que coloca os transtornos mentais entre as doenças que mais atingem os profissionais da educação.“Das doenças pesquisadas, a doença mental é a que mais atinge os homens. Mas, entre homens e mulheres, as mulheres são as mais atingidas”, destaca Guelda.
No período da tarde, os participantes se dedicaram a uma dinâmica para visualizar as questões mais urgentes, alinhando o conhecimento já produzido com as realidades enfrentadas nas redes de ensino.
Para a CNTE, o evento representou a retomada de um diálogo necessário, após tentativas de avanço no ano anterior terem sido limitadas por restrições orçamentárias. “O que a gente espera do Ministério da Educação é que a partir desses trabalhos que os expositores fizeram nesse evento, a gente tenha uma pesquisa por parte do Ministério da Educação e, a partir desse levantamento, um trabalho de prevenção. Nós precisamos de um trabalho preventivo por parte da Secretaria de Educação e não apenas curativo", finaliza Guelda Oliveira.