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Conselho Nacional de Entidades discute desafios nas lutas nacional e internacional

Dirigentes se reuniram em Brasília para análises da conjuntura atual no Brasil e no mundo

Publicado: 16 Abril, 2026 - 19h39 | Última modificação: 16 Abril, 2026 - 21h14

Escrito por: CNTE | Editado por: CNTE

Geovana Albuquerque/CNTE
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O primeiro dia do Conselho Nacional de Entidades (CNE) da CNTE trouxe ao debate os desafios para a luta dos trabalhadores em educação na conjuntura atual, entre disputas de significado na internet e guerras internacionais. O evento é o primeiro encontro do conselho de dirigentes de 2026, realizado em Brasília nesta quinta e sexta, 16 e 17 de abril.

A presidenta da CNTE, Fátima Silva, iniciou o discurso de abertura com comentários sobre a marcha em memória dos 50 anos do golpe militar da Argentina, que reuniu 3 milhões de manifestantes.

No dia anterior ao evento, a CNTE reuniu seus filiados na Marcha da Classe Trabalhadora. Sobre a mobilização, a presidenta avalia: “Foi uma alegria para nós todos que fizemos parte. Nós botamos ontem milhares de pessoas nas ruas, boa parte da CNTE. Então, o nosso agradecimento a cada filiada que investiu, que atendeu o chamado da CNTE, que esteve presente”.

“Tivemos também a sanção do Plano Nacional de Educação, onde nós estivemos presentes. Nosso próximo compromisso é ser os fiscalizadores desse plano, como pediu o presidente Lula”, afirmou a presidenta.

O Secretário Geral, Fábio de Moraes, destacou a representatividade feminina em peso no CNE. “É uma categoria majoritariamente de mulheres e é uma tarefa do movimento sindical intercalar sempre com mais mulheres, certo?”, comentou.

A coordenadora do SINTEPP (PA), Conceição Holanda, convidada a compor a mesa de abertura, falou sobre a necessidade de mobilizar os professores para trazer mais espaço para a classe trabalhadora nos Três Poderes. “Temos uma tarefa importante, enquanto entidades revolucionárias, que é mudar a cara do Congresso”, completou Conceição.

“Precisamos reativar o compromisso do combate ao assédio moral nas unidades escolares, porque isso tem causado um grande prejuízo, inclusive do ponto de vista da saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras do Brasil”, lembra Francisca Pereira, da Diretoria Executiva Adjunta da CNTE. “Nós trabalhamos para viver e viver bem e não para adoecer”.

A secretária adjunta de formação da CUT, Sueli Veiga, celebrou com orgulho a mobilização da Marcha da Classe Trabalhadora, realizada no dia anterior ao CNE. “Demos uma demonstração de força coletiva e de compromisso, não só da defesa da educação pública para todos e todas, mas também da defesa dos direitos da classe”, comemorou Sueli.

Momento de reflexão

Convidados de partidos políticos se sentaram à mesa “Análise de Conjuntura” para abordar temas relevantes para a luta por direitos na atualidade, no cenário nacional e internacional. 

Ana Prestes, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), iniciou o debate com análises sobre a conjuntura internacional, em especial sobre as investidas dos Estados Unidos contra países na América Latina e Ásia Ocidental. A cientista política analisou que as intervenções na Venezuela e em Cuba são demonstrações de dominância diante do enfraquecimento de hegemonia americana na política internacional.

“Donald Trump elege este hemisfério para demarcar que ‘é com o domínio completo sobre esse hemisfério que nós vamos enfrentar os novos polos emergentes de poder, principalmente o polo dinâmico da Ásia’”, explica Ana.

Para ela, é essencial que a categoria dos trabalhadores em educação traga para seus debates sindicais a análise do cenário internacional. “A gente vive uma conjuntura internacional muito aguda, de aprofundamento de guerras, isso traz um cenário muito dramático para a nossa América Latina. Isso dialoga também com o nosso processo eleitoral aqui no Brasil”, completa.

A presidenta nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Paula Coradi, comentou o papel das escolas na construção de debates sobre o funcionamento da sociedade: “No chão da escola a gente consegue mudar a sociedade. Então, não é à toa que a própria educação e o projeto de educação é sistematicamente atacado”.

“Eu tenho muito orgulho da minha profissão porque ser trabalhadora da educação é algo que nos dá capacidade de mover as estruturas da sociedade, de debater sobre as questões como racismo, misoginia, LGBTfobia e compreender de onde vem as desigualdades, onde que a gente pode transformar o mundo”, finalizou Paula.

O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, enviou um vídeo para compartilhar uma mensagem para os/as companheiros/as reunidos. Ele levantou as reivindicações por uma sociedade justa e igualitária, como a tarifa zero no transporte público, a transição energética e a universalização da educação.

“Esse encontro acontece em um momento muito importante da vida brasileira. É um momento onde nós temos que ir pra ofensiva disputar a nossa agenda no Brasil. Nós queremos que seja um país onde haja democratização do acesso à renda, que o trabalhador e a trabalhadora paguem menos impostos”, declarou Edinho.

Coordenador do Setorial Nacional de Educação do PT e ex-presidente da CNTE, Carlos Abicalil entende que as disputas por espaço no debate político precisam incluir o território ideológico nas redes sociais.

“A palavra território, hoje, cada vez menos indica o GPS, o território físico. É o território da ideia, do sentimento, da compreensão das coisas. E essa invasão de territórios simultâneos também são estratégias de guerra”, pontuou.

Para Abicalil, é nesse sentido de comunicações na era digital que a luta por mais tempo fora do trabalho ganhou uma nova roupagem. A frase única, “o fim da escala 6x1”, parte da adequação a uma linguagem simples, que lembra o antigo “redução da jornada de trabalho”.

”Essas formas de comunicação se desenvolveram a partir de situações muito difíceis para a humanidade, como foi o caso da pandemia. Tanto é assim que é o fim da 6x1, que é hoje o horizonte que nos unifica, é uma batalha vinda muito antes de nós e que se projeta para o futuro”, expressou Abicalil.

América Latina unida

A mesa “Solidariedade Internacional” trouxe convidados para alertar dos problemas que Cuba enfrenta hoje, sobretudo no contexto de crise energética. Participaram da discussão a secretária de Relações Internacionais, Marília Móes, e a conselheira da Embaixada de Cuba, Idalmys Brooks Beltrán.

Marília falou sobre a campanha “Painéis Solares para Cuba”, que recolhe doações para o financiamento de paíneis para combater os períodos sem luz do povo no país vizinho. Além disso, comentou que experienciou pessoalmente o apoio entre cubanos e brasileiros na Zona da Mata, em Pernambuco.

“A saúde da família, principalmente em regiões remotas do Brasil, como a Zona da Mata, em Pernambuco, tem muitos médicos cubanos para ter acesso ao cuidado. Acho que é muito importante, nesse momento, que nós no Brasil sejamos solidários a esse povo que nos ajuda”, compartilhou Marília.

Idalmys Beltrán lembra dos ataques do governo dos Estados Unidos contra seu povo: “Um país que está submetido a um bloqueio energético tem todos os aspectos da vida comprometidos. Estamos fazendo de tudo para que nossos meninos não tenham a vida afetada na escola, imagina você ficar doze, quatorze horas sem eletricidade. Quando você quer ir ao seu centro de trabalho, não tem transporte porque todos eles precisam de energia”.