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Em workshop, CNTE e IEAL defendem regulação pública da IA e soberania pedagógica

De 5 a 6 de agosto, representantes de movimentos sociais, poder público e sociedade civil se reuniram para debater impactos da inteligência artificial e das plataformas digitais no mundo do trabalho

Publicado: 07 Agosto, 2026 - 17h09

Escrito por: CNTE | Editado por: CNTE

Divulgação
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De 5 a 6 de agosto, a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fátima Silva, participou do Workshop sobre Digitalização e Emprego na América Latina. O evento, no Rio de Janeiro, reuniu representantes de movimentos sociais, poder público, pesquisadores e sociedade civil para debater o avanço da inteligência artificial e seus impactos no mundo laboral e na democracia.

Contribuíram na realização do encontro a Ford Foundation, instituição que apoia iniciativas voltadas à justiça social; o Fundo Global por uma Nova Economia (GFNE, na sigla em inglês), que fomenta o desenvolvimento de alternativas democráticas e sustentáveis para a economia política da tecnologia e da inteligência artificial; e a Labora - Fundo de Apoio ao Trabalho Digno, iniciativa voltada para a organização de trabalhadores/as do Fundo Brasil.

A dirigente foi convidada para representar a Internacional da Educação para a América Latina (IEAL), ao lado da diretora regional da entidade, Gabriela Bonilla. Além do setor de educação, participaram da atividade trabalhadores/as da saúde, finanças e de serviços por aplicativo. 

“Nós da Educação temos que discutir mais sobre a inteligência artificial e plataformas digitais e levar à mesa de negociação a nossa inteligência Humana e o respeito ao nosso trabalho profissional”, disse Fátima.

Os participantes defenderam o papel fundamental do Estado em atuar como responsável pela regulação das tecnologias de informação, tarefa que deve ser assumida com urgência. Para além de sujeitos de direito, servidores públicos devem participar dos debates enquanto trabalhadores diretamente ligados ao Estado. 

Gabriela apontou que a tecnologia já é usada no processo de formação dos/as servidores/as. A situação pode pôr em risco a proteção de dados tanto do poder público quanto dos/as trabalhadores/as que o compõem, uma vez que as plataformas de formação são desenvolvidas e controladas por empresas privadas. 

“Somos também um negócio, um produto comercial, os trabalhadores. Querem nos formar nas plataformas de qualquer empresa privada e também há um lucro com nossos dados”, comentou Gabriela. 

A educadora levantou a preocupação com a substituição de trabalhadores devido às automações de serviços públicos via chatbots: “A agenda neoliberal gosta muito da tecnologia e da AI porque pode substituir os trabalhadores, usam a desculpa da facilidade em chatbot ou qualquer plataforma para tirar o direito a um serviço. Há 40 anos o neoliberalismo não quer mais sindicatos e não quer mais trabalhadores públicos”. 

O papel da educação

O desenvolvimento da soberania digital, com programas e bases de dados locais controlados pelo poder público sem interferência de instituições privadas foi defendido como solução crucial. A educação surge como uma ferramenta importante para difundir essa ideia. 

“A população pede serviços públicos eficientes, não importa sua origem ou se o rio vai secar por causa dos data centers. Precisamos de uma pedagogia que explique os impactos da tecnologia e porque não é igual quando você tem saúde e educação feitas por profissionais formados por chatbots em vez de por universidades de verdade, com conteúdos apropriados”, comentou Fátima. 

Na educação, os produtos tecnológicos devem servir aos profissionais e estar abaixo da habilidade pedagógica dos seres humanos. Profissionais precisam ter capacidade de decidir como e quando usar a IA, sem que ela interfira no relacionamento educador-estudante. 

A Internacional da Educação defende que a inteligência artificial seja transparente, socialmente referenciada conforme a regionalidade e segura. “Queremos tecnologias que não peguem dados de trabalhadores, que não vigiem trabalhadores nem estudantes. Precisamos saber como elas funcionam e que elas não peguem nosso conhecimento para privatizar ou para comercializar”, falou Gabriela. 

“Queremos proibir as tecnologias antropomórficas dentro das escolas, porque nossos estudantes não têm que crescer com essa confusão de achar que as tecnologias são humanas quando elas não são. Vamos defender processos pedagógicos presenciais, o trabalho de professores e profissionais da educação não pode ser substituído”, finalizou.