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Na formatura, mulheres são 2 por 1

Dados do último censo do ensino superior mostram que elas são 65% dos concluintes em Goiás; tendência é nacionalGoiás é o Estado do Centro-Oeste onde mais mulheres se formam em algum curso superior: dos 26.574 concluintes de graduações presenciais em 2006, 65% eram do sexo feminino. É o que aponta o Censo da Educação Superior de 2007, divulgado na última terça-feira pelo Ins...

Publicado: 09 Fevereiro, 2009 - 07h19

Escrito por: CNTE

Dados do último censo do ensino superior mostram que elas são 65% dos concluintes em Goiás; tendência é nacional

Goiás é o Estado do Centro-Oeste onde mais mulheres se formam em algum curso superior: dos 26.574 concluintes de graduações presenciais em 2006, 65% eram do sexo feminino. É o que aponta o Censo da Educação Superior de 2007, divulgado na última terça-feira pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).

Os números mostram que a tendência é nacional. No Brasil, 452.295 mulheres concluíram o nível superior de ensino em 2006, contra 304.504 homens. Em todas as Unidades da Federação, elas estão à frente na conquista do diploma – em alguns casos, em diferença de grandes proporções, como nos casos de Goiás e da Bahia, dos dois Estados com maior vantagem das mulheres sobre os homens no número de formandos.

Para especialistas ouvidos pelo POPULAR, há pontos positivos e negativos na análise das estatísticas oficiais, além de alguns recortes a serem considerados. Nildo Viana, doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UNB) e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), acredita que, como o trabalho fora de casa é o meio de autonomia e independência na sociedade atual, o fato de mais mulheres estarem se formando em Goiás e no Brasil pode representar um avanço na ideia de cultura machista.

“Mas existem, ainda, muitas dificuldades, como a dupla jornada de trabalho, já que a mulher continua responsável pela casa, mesmo trabalhando fora”, pondera o sociólogo. “Nem se trata de uma questão de machismo, mas cultural: o homem, desde a infância, é preparado para uma coisa, brincando com bolas e carrinhos, enquanto a mulher é preparada para outra, brincando de casinha com bonecas. O processo de socialização, portanto, não mudou”, avalia Nildo Viana.

O sociólogo ressalta que, na maior parte dos casos, o mercado de trabalho dessas profissionais formadas é uma extensão das atividades exercidas no ambiente doméstico – como a educação dos filhos –, a exemplo das áreas de Pedagogia e Letras, graduações hegemonicamente femininas. “Além disso, há os aspectos da posição hierárquica no mercado e da condição salarial, onde, embora existam exceções, as condições ainda são desiguais”, argumenta o especialista.

Mestre em Educação e professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Geovana Reis entende como positivo o dado apontado pelo MEC, na perspectiva histórica: “Os números mostram que, felizmente, houve uma inversão de valores. No início do século, era diminuta a presença das mulheres na escola”.

A pedagoga destaca outro viés da questão. Segundo ela, no atual contexto social, a pressão sobre os homens, dentro das famílias, no que diz respeito ao trabalho, favorece a presença das mulheres no ambiente escolar, em todos os níveis. “Se é preciso abrir mão do estudo, as famílias optam por retirar os filhos homens da escola, nunca as meninas”, afirma Geovana.

Na opinião dela, a escola também abriga melhor as mulheres: “Elas são mais quietas, concordam mais com as regras do que os homens, que infringem e reclamam mais. Traço da nossa educação machista”, sublinha.


Desigualdade de condições ao entrar no mercado de trabalho – mesmo com mais escolaridade que os homens – e a opção por graduações mais específicas – como a maioria das licenciaturas – também são itens considerados por Geovana Reis na trajetória das formandas rumo à carreira escolhida. “Infelizmente, suspeito de que poucas delas vão exercer, de fato, a profissão para a qual se preparam”, diz a especialista. “Ainda precisamos avançar muita coisa”.


Fonte: O Popular, 8/2/2009