Professores da rede estadual repudiam bônus desempenho em assembleia
Os professores da rede estadual realizaram uma assembleia nessa quarta-feira (27) em que discutiram a insatisfação com a política educacional do Estado, principalmente no que concerne ao bônus desempenho e à jornada ampliada nas escolas. O bônus é repudiado pelos professores, já que confere compensação financeira com base na presença do professor em sala de aula, descontando...
Publicado: 01 Agosto, 2011 - 17h38
Escrito por: CNTE
Os professores da rede estadual realizaram uma assembleia nessa quarta-feira (27) em que discutiram a insatisfação com a política educacional do Estado, principalmente no que concerne ao bônus desempenho e à jornada ampliada nas escolas. O bônus é repudiado pelos professores, já que confere compensação financeira com base na presença do professor em sala de aula, descontando, inclusive, faltas previstas na Constituição Federal, como a licença-maternidade e afastamento para tratamento médico.
De acordo com o diretor de Comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado (Sindiupes), Swami Cordeiro Bérgamo, nos termos atuais do bônus desempenho a professora é punida por utilizar um direito a ela garantido, que é a licença-maternidade. "Para o ex-governador Paulo Hartung, que foi quem implantou o bônus, e para o atual, Renato Casagrande, que deu continuidade à medida, além dos deputados estaduais que aprovaram a lei, é irrelevante a necessidade de um educador de se afastar, por licença maternidade ou para tratar de problemas de saúde", diz Swami.
Além disso, o bônus associa o valor a ser pago com a avaliação do aluno. No entanto, a nota do aluno obtida em avaliação também está relacionada ao histórico familiar, ao meio social em que vive, e não somente no que é dado em sala de aula.
A jornada ampliada também é fator de discordância dos professores com a política educacional do governo e foi discutida em assembleia. Para o Sindiupes, a jornada ampliada não resulta em qualidade de ensino. Com a redução das aulas para 55 minutos, o deslocamento dos professores entre escolas melhorou, mas a carga de mil horas/aula anuais faz os alunos e professores perderem tempo de intervalo e também obriga a realização de atividades nos fins de semana.
Para os professores, a complementação das horas não deveria ser feita no improviso, de forma descompromissada, e sim ser feita acompanhada de estrutura física e nutricional, além de transporte escolar adequado no turno e contra-turno de aulas.
Manifestações
As manifestações dos professores de todo o País devem ter início em 16 de agosto, de acordo com indicativo da Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação (CNTE).
Os professores devem ir às ruas naquela data para se manifestar pela implantação do Piso Salarial Nacional em todas as redes, além de cobrar ações do Plano Nacional de Educação. Os educadores do Estado também defendem a aplicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação. O País defende a aplicação de 7%, somente no ano de 2020. (Século Diário)